Yu Ji: a artista em ascensão que cria esculturas com lama e entulho

Após a Bienal de Veneza, Yu Ji foi procurada pelos maiores curadores de arte do mundo por causa de seu trabalho sustentável e sem precedentes

Por Redação Atualizado em 25 jun 2021, 09h22 - Publicado em 24 jun 2021, 18h00
yu ji artista em rápida ascensão mundo da arte
Ren Anyi/CASACOR

A rápida ascensão de Yu Ji à fama no mundo da arte demonstra um desejo de renovação pelos maiores curadores e galeristas do mundo. A artista radicada em Xangai está no momento em exibição na prestigiosa Chisenhale Gallery de Londres com uma mostra individual que ficará marcada como sua primeira exposição fora da Ásia.

Yu Ji nasceu em 1985 em Xangai, onde recebeu seu mestrado em escultura pelo Fine Art College da Shanghai University em 2011. Sua explosão na cena da arte global, porém, só veio a acontecer anos mais tarde, após sua participação na Bienal de Veneza em 2019. Esculturas de sua série “Flesh in Stone” foram exibidas no pavilhão central da feira, e uma instalação específica tomou os eventos satélite com correntes de ferro suspensas e revestidas de resina, que aparentavam estar congeladas no tempo e no espaço.

Depois disso, as principais galerias do mundo solicitaram visitas ao seu estúdio. Hoje, seu trabalho está percorrendo todo o mundo: além da mostra em Londres, Yu Ji também é tema de uma exposição individual simultânea no Museu West Bund em Xangai, apresentada em colaboração com o Centre Pompidou, e já está confirmada para a próxima Trienal do New Museum em Nova York.

Mas o que faz a arte de Yu Ji tão especial?

 

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A instalação de Yu Ji na Bienal de Veneza 2019. Yu Ji/CASACOR

Os melhores curadores e críticos enfatizam a natureza inovadora do uso de materiais no trabalho de Yu Ji e os temas decorrentes desta conexão com outras pessoas. Para Aaron Cezar, diretor da Fundação Delfina, “seu trabalho é atraente porque nos pede que consideremos nossa relação conosco, com os outros e o ambiente externo“, ele explica em entrevista. “Em vez de focar nas tensões que muitas vezes estão por trás dessas relações, Yu Ji oferece a possibilidade de explorar como essas conexões também podem ser transformadoras“.

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Além disso, em um momento em que o mercado de arte favorece a pintura brilhante e figurativa, o trabalho de Yu Ji é o oposto. Ele não tem intenção de ser decorativo ou limpo: em vez disso, busca confrontar diretamente a tensão entre os mundos natural e urbano, entre mídias e matérias variadas, entre o físico e o etéreo.

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Ren Anyi/CASACOR

Para a exposição em Chisenhale, intitulada “Wasted Mud“, Yu Ji transformou a galeria em uma espécie de caverna paradoxal entre a cidade e a selva. Uma grande rede negra se estende por todo o espaço, cedendo sob o peso de pilhas de entulho recolhidas em canteiros de obras no leste de Londres. Uma mesa proveniente exibe uma escultura sem cabeça. Bombas eletrônicas dispersam água por meio de tubos enfiados em torno de monitores, com parte do líquido vazando para o chão.

“O trabalho realmente se destacou”, disse Margot Norton, curadora da próxima Trienal do New Museum. “Eu acho que as ideias que ela está explorando ressoam e as técnicas que utiliza são originais. O trabalho em Veneza propunha algo novo que eu não tinha visto antes”.

Jo-ey Tang, artista e ex-curadora do Palais de Tokyo em Paris esclarece: “Testar limites é o que Yu Ji faz em sua prática artística: os limites do corpo, os limites da memória, os limites dos materiais e os limites do que constitui uma série de obras que se estendem por anos”, ela reflete. “No final das contas, Yu Ji está se perguntando: como a arte funciona, como a arte vive em tempo real?”.

Fonte: Artnet

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