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Bancos indígenas do povo Mehinaku estão expostos na SP-Arte online

As peças foram esculpidas por 11 artistas do território indígena do alto Xingu e aliam tradição, arte e design na SP-Arte Viewing Room

 (Divulgação/CASACOR)

A edição online da SP-Arte, principal feira de arte do país, segue acontecendo até o próximo domingo (30) com mais de 130 expositores, entre galerias de arte, coletivos e projetos independentes. Entre eles, a tradição do povo Mehinaku, pertencente ao complexo cultural indígena do alto Xingu, está sendo representada por uma coleção de bancos exclusivos, simbólicos para a cultura Mehinaku. A partir das mãos de 11 artistas, a diversidade e o repertório artístico destes povos ganham uma nova interpretação, sob forma contemporânea.

O banco Macaco, de Kulilyrda Mehinaku.

O banco Macaco, de Kulilyrda Mehinaku. (Cleber Zacarias/CASACOR)

Os bancos que integram a SP-Arte Viewing Room apresentam um diálogo entre elementos da tradição e da liberdade autoral de cada artista. Esculpidos a partir de um único tronco de madeira, sem juntas ou emendas, eles assumem a forma de animais da fauna brasileira e de entidades míticas. Uma série de grafismos finaliza o acabamento, como símbolo das pinturas tradicionais muitas vezes reveladas através de sonhos.

O banco Capivara, de Yahati Mehinaku.

O banco Capivara, de Yahati Mehinaku. (Rafael Costa/CASACOR)

“Os bancos indígenas são repletos de arte brasileira. São os principais artefatos do povo Mehinaku e símbolo da arte indígena do Brasil”, afirma Mayawari Mehinaku. Neste sentido, os bancos não servem apenas ao propósito funcional, mas atendem a uma dimensão simbólica. Eles também funcionam como um “demarcador social” – alguns deles, são para uso exclusivo masculino; outros apenas para o público feminino; ainda alguns se destinam apenas aos caciques e pessoas importantes. Os bancos possuem também uma dimensão cosmológica, sendo alguns deles usados por pajés como instrumento de transcendência ao mundo espiritual.

O banco Onça, de Yaruru Mehinaku.

O banco Onça, de Yaruru Mehinaku. (Rafael Costa/CASACOR)

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