Sesc Pompeia é listado entre as 25 obras mais importantes do pós-guerra

A icônica obra de Lina Bo Bardi em São Paulo é citada pelo New York Times como um dos 25 edifícios mais relevantes construídos após a Segunda Guerra Mundial

Por Redação 3 ago 2021, 12h38
sesc pompeia lina bo bardi foto nelson kon
Pedro Kok/CASACOR

Elaborada pelo New York Times, uma lista publicada nesta segunda-feira (02) elege as 25 mais importantes obras arquitetônicas construídas após a Segunda Guerra Mundial. Entre elas, está o icônico edifício do Sesc Pompeia, projeto da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi em São Paulo, um dos grandes expoentes do modernismo no Brasil, que deixou um legado repleto de marcos arquitetônicos na capital paulista; entre eles, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

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Nelson Kon/CASACOR

O prédio ocupa a 18ª posição da lista, ao lado de outros grandes nomes da arquitetura mundial, como Mies van der Rohe, Luis Barragán e Alvar Aalto.

Como critérios de seleção, os três arquitetos que elaboraram a lista, Toshiko Mori, Annabelle Selldorf e Vincent Van Duysen; o designer Tom Dixon; o artista e cenógrafo Es Devlin; o crítico Nikil Saval; e os jornalistas Tom Delavan, Kurt Soller e Michael Snyder; selecionaram cada um deles os 10 projetos mais relevantes feitos nas últimas oito décadas em qualquer lugar do mundo. Depois disso, o grupo filtrou as obras que apareciam repetidamente na seleção, chegando assim à forma final da lista.

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Nelson Kon/CASACOR

A seleção demonstrou especial interesse nos modernistas – Lina, por exemplo, recebeu três votos preliminares, acarretando em sua invariável inclusão na lista final. Além dela, a Casa Farnsworth, de Mies van der Rohe (1951; Illinois) e o Instituto Salk de Louis Kahn (1965; La Jolla, Califórnia) também foram indiscutivelmente inseridos na lista de finalistas.

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Nelson Kon/CASACOR

“Dadas as dificuldades que assolam o nosso momento atual, não é surpreendente que as preocupações sociais da arquitetura – a necessidade de fornecer moradia, por exemplo, ou de criar estruturas cívicas e acadêmicas úteis; a ideia de que belas cidades e comunidades não devem ser construídas apenas para e pelos ricos; a urgência da sustentabilidade, ambientalismo e materialidade mais cuidadosa – estavam na mente de todos”, escreve os jornalistas Kurt Soller e Michael Snyder sobre o processo de seleção.

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Nelson Kon/CASACOR

O Sesc Pompeia foi projetado entre os anos 1977 a 1986 por Lina Bo Bardi para revitalizar uma antiga fábrica de tambores, dando lugar a um centro cultural. Uma verdadeira obra de arte, a obra arquitetônica é encantadora, com suas linhas orgânicas, a simplicidade do concreto e dos tijolos aparentes, que fazem do edifício um marco moderno na capital paulista.

Pioneiro no que se propunha, o Sesc Pompeia provava que a revitalização proposta pela arquiteta não se limitava à velha indústria, mas se estendia para toda a região que a cercava, trazendo shows, oficinas,teatro e servindo como um espaço de convivência não erudito, mas cotidiano e democrático.

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Nelson Kon/CASACOR

Veja a lista completa do New York Times:

 

Casa Luis Barragán Cidade do México (1948)
Casa Farnsworth, de Mies van der Rohe Illinois (EUA, 1951)
New Gourna Village, de Hassan Fathy Luxor (Egito, 1952)
Câmara Municipal de Säynätsalo, de Alvar Aalto Jyvaskyla (Finlândia, 1952)
Edifício Seagram, de Ludwig Mies van der Rohe Nova York (EUA, 1958)
Prefeitura de Kagawa, de Kenzo Tange Takamatsu (Japão, 1958)
Renovação da Fundação Querini Stampalia, de Carlo Scarpa Veneza (Itália, 1959)
Convento Sainte-Marie de La Tourette, de Le Corbusier Éveux (França, 1960)
Escola de Artesanato Haystack Mountain, de Edward Larrabee Barnes Maine (EUA, 1961)
10º Salk Institute de Pesquisas Biológicas, de Louis Kahn Califórnia (EUA, 1965)
11º Biosfera de Montreal, de Buckminster Fuller Canadá (1967)
12º Edifício da Johnson Publishing Company, de John W. Moutoussamy Chicago (EUA, 1971)
13º Ópera de Sydney, de Jorn Utzon Austrália (1973)
14º Estação de Esqui de Les Arcs, de Charlotte Perriand Savoie (França, 1974)
15º Casa Van Wassenhove, de Juliaan Lampens Sint-Martens-Latem (Bélgica, 1974)
16º Centro Pompidou, de Renzo Piano e Richard Rogers Paris (França, 1977)
17º Indian Institute of Management, de Balkrishna Doshi Bangalore (Índia, 1983)
18º Sesc Pompéia, de Lina Bo Bardi São Paulo (Brasil, 1986)
19º Termas de Vals, de Peter Zumthor Vals (Suíça, 1996)
20º Escola Primária Gando, de Francis Kéré Gando (Burkina Faso, 2001)
21º Campus Central da Academia de Arte da China, de Wang Shu e Lu Wenyu Hangzhou (China, 2007)
22º Mesquita de Bait Ur Rouf, de Marina Tabassum Daca (Bangladesh, 2012)
23º Série ‘Color(ed) Theory’, de Amanda Williams Chicago (EUA, 2014-2016)
24º Grand Parc, de Lacaton & Vassal, Frédéric Druot e Christophe Hutin França (2017)
25º Estação Espacial Internacional, vários designers Órbita da Terra (1998-2011, ainda em andamento)

 

 

 

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