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Ney Filho dá spoiler sobre Janelas CASACOR e fala de processo criativo

O arquiteto concebeu o espaço Sertão Grego na CASACOR Ceará 2019, que se destacou pelo conceito e interculturalidade, e assinará uma das Janelas CASACOR

Ney Filho é o arquiteto responsável por criar o Sertão Grego, um dos mais inusitados ambientes da CASACOR Ceará 2019, onde funcionava o restaurante Zoi. O espaço era fruto de uma imaginativa relação estabelecida entre do sertão do Ceará -com sua fauna, flora, cores e folclore – com o mundo grego, suas formas e mitologia. O resultado foi um projeto que se propõe a ser um universo à parte, fantasioso e livre, em que essas duas culturas geograficamente separadas por oceanos se aproximam e se fundem. Mas Ney não se limita à arquitetura, também atuando como paisagista e DJ! Seus projetos carregam muito de seu espírito irreverente, formação diversificada e profunda ligação com sua terra natal, o Ceará.

Em entrevista para a CASACOR, ele dividiu um pouco de seu processo criativo, suas influências e também revelou alguns detalhes sobre seu espaço no projeto Janelas CASACOR! Confira a entrevista abaixo.

Como surgiu a ideia de aproximar dois locais tão distantes, o sertão e Grécia? E como foi a fusão entre estes mundos?

O Sertão Grego, surgiu do bom relacionamento entre mim e a operação do restaurante. O Zoi é um restaurante de comida grega e seu chef é reconhecido pelo uso inovador de produtos cearenses com roupagem internacional. Então, nessa linha do restaurante com sua cozinha, essência e DNA, fui observando e absorvendo esse universo. O resultado: Ceará e Grécia, claro! Mas qual Ceará e qual Grécia? Para mim, seria claro que o sertão entraria, já que ele é minha grande inspiração. Já a Grécia veio da minha memória de verões europeus, de Mykonos. Pronto, estava feito! Assim, surgiu o Sertão Grego, nome doce e gostoso de falar.

Com o nome resolvido, universo resolvido, faltava saber quais elementos utilizar. Pensei na hora na mitologia grega e no nosso folclore – uma delicia essa brincadeira de “sinônimos”. A partir deles os elementos foram surgindo: para as plantas queria nossa fauna, queria o solo grego, as cores comuns aos dois lugares – o azul, os terrosos e o verde. Já fauna tinha que ser mitologia, fantasiosa! Nasceu assim uma terra fictícia que duraria o período da CASACOR Ceará. Um espaço em que painéis contam a história de um mundo onde Vênus cangaceira morava numa praia paradisíaca e comia caju.

Além de arquiteto, você também é paisagista e DJ – sua visão de mundo ampla ajuda na hora de projetar?

Acho que as vivências e experiências ajudam no processo criativo. Claro, se você experimentar mais sabores, mais chances são para expandir seu paladar. Isso serve na hora de criar. O universo da música, da paisagem e de nossas marcas são suplementos gigantescos que, juntos a academia, formam uma base mais segura na hora de desenhar. Nada disso é mais importante do que a boa relação do o cliente, mas desenvolver habilidades sociais é sim um grande diferencial.

De que maneira suas raízes influenciam suas criações?

É impossível que elementos artificiais e desconectados com a minha cultura façam parte dos meus projetos. Um exemplo são plantas que não pertencem ao meu bioma. Também não desenho sem levar em consideração os ventos, a luz. Minha região é muito rica e me utilizo disso de forma firme. As minhas raízes norteiam minhas cores, minha inclinação pelo artesanato. Meu amor pelo meu Ceará me faz um arquiteto global com pés fincados na terra de José de Alencar.

Você foi um dos primeiros entusiastas do novo projeto Janelas CASACOR. Fazer uma reflexão sobre o morar pós-pandemia será um desafio?

A CASACOR, na figura de Neuma (Diretora Executiva da franquia CASACOR Ceará), foi a grande incentivadora da minha carreira. Essa família acreditou no meu trabalho e me fez crer que eu poderia exercer meu ofício de forma menos ortodoxa, bastava ser ético, original e feliz. Assim consegui crescer e atuar na minha área. Minha gratidão é tamanha. Dito isto, soube do projeto Janelas CASACOR muito de forma superficial, na verdade só sabia o nome. Disse para a Neuma “com você vou para qualquer lugar, eu tô é dentro!”. Minha paixão estava certa, o projeto é maravilhoso, democrático, feliz, social, de amplo alcance, moderno, super conectado ao nosso novo tempo! Esse modelo, acho eu, será replicado para sempre.

O novo morar, o novo habitar vai ser construído ao longo dos anos, do tempo. O que percebo é que o novo é bem próximo do antigo: o mais simples, o mais objetivo, o multiuso, o calmo. São nessas características que irei basear meu Janelas. Ela será uma varanda. Uma varanda alegre, feliz, arejada. Terá rede, ação e calmaria, um desassossego.

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