Trama de Desvio alude às fronteiras literais e metafóricas

Obra do artista mexicano Héctor Zamora é uma parede vazada feita com tijolos e instalada na cobertura do MET, em Nova York

Por Ana Carolina Harada - 7 out 2020, 14h55
Reprodução Hiroko Masuike - The New York Times/CASACOR

Após alguns meses fechados por causa do coronavírus, o MET NY reabre suas portas ao público com uma instalação intrigante no terraço. Em meio aos conflitos das eleições e recentes tensões sociais, o artista plástico mexicano Héctor Zamora assina “Lattice Detour”, uma parede às avessas que promove uma reflexão acerca das fronteiras, barreiras e muros.

Reprodução Dezeen/CASACOR

A obra possui 33 m de comprimento e 3 m de altura. Ela é um paradoxo, dividindo a vista do Central Park, sem a isolar totalmente. A “Trama de Desvio” (tradução do próprio Zamora, que viveu no Brasil por dez anos), é feita de tijolos de terracota, porém, ao invés de acomodados da forma tradicional, eles foram empilhados na vertical, aproveitando a geometria da estrutura e formando um padrão vazado, como cobogós.

Reprodução Dezeen/CASACOR

As raízes mexicanas do artista estão presentes em toda a escultura. Os tijolos foram comprados em Monterrey, no norte do México, e os pedreiros que construíram a parede eram latino-americanos, alguns mexicanos.

Reprodução Hiroko Masuike - The New York Times/CASACOR

Considerando a relação entre os Estados Unidos e México, a ligação entre a obra e o muro proposto por Donald Trump em 2016 é inevitável. Entretanto, Zamora também tinha em mente outras barreiras, tanto as mais literais, como as impostas pela crise migratória, quanto as metafóricas, como o racismo, misoginia e preconceitos. Para ele, a ideia geral de exclusão se traduz em divisões de várias naturezas.

Reprodução Hiroko Masuike - The New York Times/CASACOR

O significado do recente período de isolamento social – que inclusive adiou a inauguração da Trama de Desvio – também surge entre os vazios dos tijolos. É fato que diferentes classes sociais sofreram com a pandemia de coronavírus de forma muito distinta. A divisão social teve um enorme peso entre quem era infectado e quem tinha acesso à tratamento. Zamora até menciona o governo de Bolsonaro como uma realidade lamentável, junto de Trump. A pergunta que resta é quem estenderá a mão pela parede, até o outro lado.

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