Dia de Sobrecarga da Terra: 4 maneiras de adiar a data

A partir de 29 de julho, estamos consumindo mais recursos naturais do que o planeta é capaz de renovar. O Instituto Akatu ensina como melhorar esse cenário

Por Redação Atualizado em 1 ago 2021, 13h21 - Publicado em 29 jul 2021, 18h18
terra dia sobrecarga
Gerd Altmann/CASACOR

Dia 29 de julho de 2021 é o Dia de Sobrecarga da Terra. O que isso significa? A data marca quando a humanidade consome todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar ao longo de um ano, ou seja, a partir de hoje é como se o planeta entrasse no cheque especial, consumindo mais do que consegue regenerar. Vale lembrar que em 2020, a mesma data caiu em 22 de agosto – um pouco pelo impacto do isolamento e da crise gerada pela pandemia do coronavírus.

“O adiantamento do Dia da Sobrecarga da Terra de 2021 ilustra a importância das ações coletivas e a urgência na revisão dos nossos modelos de produção e consumo. A recuperação econômica global frente ao coronavírus precisa levar em conta aspectos socioambientais e oferecer respostas à Crise Climática”, afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Akatu, ONG dedicada à sensibilização e à mobilização para o consumo consciente.

Segundo a Global Footprint Network, entidade responsável pelos cálculos de sobrecarga da Terra desde 1970, precisamos de 1,7 planeta para manter nossos padrões atuais de produção e consumo. Em 2021, mesmo ainda em um cenário de pandemia, diversos países retomaram suas atividades econômicas com ritmo de produção igual ou até maior que o anterior ao coronavírus. A pegada de carbono aumentou 6,6% em relação a 2020, em função de uma maior queima de combustíveis fósseis, e o mundo perdeu 0,5% de sua biocapacidade global (quantidade de recursos que a Terra pode regenerar em um ano). Só o Brasil teve 1,1 milhão de hectares perdidos em 2020 e as estimativas indicam aumento de até 43% no desmatamento este ano.

Diante disso, é preciso sempre buscar o adiamento da data para os próximos anos. O Instito Akatu lista quatro formas de fazer isso:

alimentos sustentabilidade
silviarita/CASACOR

Reduzir o consumo de carne

Calorias animais, sobretudo carne bovina, são significativamente mais intensivas no uso de recursos na sua produção do que calorias vegetais. Ao substituir a carne bovina por outra fonte proteica (frango ou leguminosas, como lentilhas, feijões, ervilhas e grão de bico) uma ou mais vezes por semana, você poupa as emissões de gases de efeito estufa relacionadas à produção da carne e, com isso, estará combatendo a Crise Climática.

Se toda a população mundial reduzir pela metade o consumo médio anual de carne, preferindo a ingestão de verduras e legumes, o Dia da Sobrecarga da Terra será adiado em 17 dias.

Evitar o desperdício de alimentos

As perdas (na produção) e os desperdícios (no processamento e no consumo) de alimentos são responsáveis por cerca de 9% da pegada ecológica global. Para poupar essas emissões, prepare somente o que você vai comer, faça o uso integral dos alimentos (incluindo cascas e sementes) e, se for o caso, congele o que sobrou para comer depois.

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Se reduzirmos pela metade as perdas e desperdícios de alimentos no mundo, o Dia da Sobrecarga da Terra será adiado em 11 dias.

bicicleta sustentabilidade
Manfred Antranias Zimmer/CASACOR

Usar meios de transporte sem emissões

A redução no uso individual do carro em todo mundo contribuiu para o atraso do Dia da Sobrecarga da Terra em 2020, já que o transporte movido à combustíveis fósseis tem grande impacto ecológico. Se a distância é curta, use bicicleta e se desloque a pé. Para trajetos maiores, dê preferência ao transporte público, como metrô e ônibus.

Se reduzirmos pela metade a pegada de carbono dos deslocamentos, assumindo que 1/3 das distâncias percorridas de carro são substituíveis por transporte público, bicicletas e caminhadas, o Dia de Sobrecarga da Terra será adiado em 13 dias.

Simplicar o guarda-roupa

A pandemia trouxe a percepção a muitas pessoas de que é possível viver tendo menos roupas nos armários, focando só no que é necessário. Comprar e possuir menos roupas, adotando um estilo mais minimalista, também contribui para a preservação do meio ambiente, uma vez que as roupas representam 3% da pegada ecológica global, e a produção de todo e qualquer novo item emite gases de efeito estufa e consome recursos naturais.

Para se ter uma ideia, a produção de uma única calça jeans consome quase 11 mil litros de água, quantidade suficiente para suprir a demanda diária (beber, cozinhar, lavar louças, etc.) de uma pessoa por mais de 3 meses.

O Instituto Akatu lista em seu site diversas iniciativas para adiar a data e também como pequenas mudanças de comportamento podem contribuir para um melhor impacto social e ambiental. Confira aqui outras dicas e mais sobre o Instituto.

 

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