Semana de Arte Moderna de 22 completa 100 anos, mas o que foi o evento?

A Semana de Arte Moderna chega ao seu primeiro centenário! Relembre os artistas e entenda a importância do evento para o país

Por Yeska Coelho Atualizado em 14 fev 2022, 16h33 - Publicado em 13 fev 2022, 10h00

O modernismo foi um movimento  artístico e cultural de grande importância para o Brasil. Em 1922, entre os dias 13 e 17 de fevereiro, no famoso Teatro Municipal de São Paulo, intelectuais e artistas ligados a elite cafeicultora paulista se reuniram para apresentar uma arte que tinha como objetivo romper com os padrões artísticos vigentes até então  – o evento ficou conhecido como “Semana de Arte Moderna“.

O que foi a Semana de Arte Moderna de 22?

 

O Theatro Municipal foi palco da Semana da Arte Moderna de 1922
O Theatro Municipal foi palco da Semana de Arte Moderna de 1922 Stig/CASACOR

O momento era de uma forte industrialização em São Paulo que afastava a cidade de se tornar um polo cultural no Brasil – esse título pertencia ao Rio de Janeiro. Muito inspirados nas vanguardas europeias, os artistas se reuniram no Teatro Municipal para apresentar um novo conceito artístico, que mais tarde influenciaria em diversas vertentes como o Tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

A Semana de Arte Moderna aconteceu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922. Música, poesia, pintura, dança, entre outros foram apresentados durante o período. Apesar de inspirações europeias, a proposta foi explorar a brasilidade e valorizar o território nacional como berço de inspiração cultural.

Quadro
Quadro “A Estudante” de Anita Malfatti Divulgação/Masp/CASACOR

Durante o evento, houve uma agitação coletiva (algumas positivas e outras nem tanto assim), já que o encontro dos artistas pretendia criar uma ruptura no modo de se fazer e consumir arte – que, na época, era algo mais elitista e voltado para um público seleto.

Quem participou da Semana de Arte Moderna de 22?

 

Catálogo anunciando a semana da arte moderna de 1922
Cartaz de Di Cavalcanti anunciando a Semana da Arte Moderna em 1922/ Foto:Enciclopédia Itaú/CASACOR

Grandes nomes de artistas brasileiros se destacaram no evento. Entre eles podemos citar alguns:

  • Oswald de Andrade;
  • Anita Malfatti;
  • Mário de Andrade;
  • Manuel Bandeira;
  • Heitor Villa-Lobos;
  • Di Cavalcanti;
  • Graça Aranha;
  • Sérgio Milliet;
  • Guimar Novaes.

Além desses, alguns nomes da arquitetura moderna também estiveram presentes como Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel.

O que estava acontecendo no mundo?

Pinacoteca 100 anos Semana de Arte Moderna Exposição Modernismo Di Cavalcanti
Amigos – Di Cavalcanti (1918). Acervo Palácio Boa Vista. Pinacoteca de São Paulo/CASACOR
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O ano de 1922 foi bastante simbólico: era o primeiro centenário da independência do Brasil, e o país passava por uma série de mudanças sociais, políticas e econômicas – especialmente após o fim da Primeira Guerra Mundial.

A movimento artístico predominante era o parnasianismo (caracterizado por um pensamento bastante formal, mais preocupado com a forma do que com a mensagem). E a SAM surgiu como uma intervenção a esse modelo.

Obra "O Homem de Sete Cores" de Anita Malfatti
“O Homem de Sete Cores” de Anita Malfatti Divulgação/MAM/CASACOR

Os artistas da Semana de Arte Moderna eram, em sua maioria, descendentes de famílias cafeeiras de São Paulo, em uma época que predominava a política do “Café com Leite” e por isso tinham grande influência nos assuntos sociais da cidade.

Boa parte dos artistas também haviam estudado na Europa e trouxeram de lá algumas tendências artísticas como o futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo; e incorporaram técnicas e um lado mais brasileiro para criar suas próprias obras.

Quais foram as consequências da Semana de Arte Moderna?

 

O Abaporu surgiu em 1928 e foi exposto no evento de celebração aos 50 anos da Semana da Arte Moderna
O Abaporu surgiu em 1928 e foi exposto no evento de celebração aos 50 anos da Semana de Arte Moderna GUSTAVO LOWRY/CORTESIA MALBA/CASACOR

O evento foi muito criticado na época, recebendo adjetivos como “pouco moderno”, mas a verdade é que serviu como um divisor de águas entre a forma de fazer (e consumir) arte da época, já que fez críticas bem severas ao modelo parnasiano.

Após esse evento, algumas obras de grande importância surgiram no país, como o Abaporu, em 1928, de Tarsila do Amaral, considerada hoje a obra de arte brasileira de porta de entrada para o país – que inclusive, foi exibida em uma exposição de comemoração aos 50 anos da Semana de Arte Moderna.

A poesia, que antes era só escrita, passou a ser declamada também; e surgiu também o movimento Tropicália na música brasileira.

De maneira geral, houve uma grande revolução na linguagem artística e uma ruptura na arte erudita que predominava até então.

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