Estúdio ABIBOO projeta a primeira cidade em Marte capaz de abrigar humanos

A previsão é que a construção do projeto, que faz parte de um trabalho científico organizado pela The Mars Society, possa começar em 2054

Por Redação Atualizado em 5 abr 2021, 17h04 - Publicado em 6 abr 2021, 15h00
A primeira cidade autossuficiente em Marte que poderá abrigar humanos
ABIBOO studio / SOnet/CASACOR

O estúdio ABIBOO liderou o projeto arquitetônico de uma cidade autossuficiente e sustentável em Marte, que poderá abrigar um milhão de humanos. A proposta foi baseada nos estudos mais recentes sobre o planeta vermelho e inclui cinco cidades, cuja capital foi batizada de “Nüwa”. 

A primeira cidade autossuficiente em Marte que poderá abrigar humanos
ABIBOO studio / SOnet/CASACOR

Considerando as condições atmosféricas, a ABIBOO escolheu a encosta de um penhasco em Marte para construir uma cidade vertical, pois só neste local seria possível que os residentes tivessem o benefício do acesso à luz solar e ficassem protegidos da radiação cósmica marciana, que é letal para os seres humanos. 

“Se construíssemos os edifícios como na terra, os edifícios tenderiam a explodir com a pressão”, diz Alfredo Muñoz, fundador da ABIBOO. “A radiação solar e gama em Marte nos forçou a construir espaços que não estão diretamente expostos ao céu.”

A primeira cidade autossuficiente em Marte que poderá abrigar humanos
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Cada cidade acomoda entre 200.000 e 250.000 pessoas e segue a mesma estratégia urbana. Abalos City, por exemplo, está localizada no pólo norte para alavancar o acesso ao gelo, enquanto Marineris City, está localizada no cânion mais extenso do sistema solar. 

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Trabalhando ao lado de acadêmicos e outros membros da SONet – uma equipe internacional de cientistas e acadêmicos liderados pelo astrofísico Guillem Anglada -, os arquitetos desenvolveram soluções para estruturas que protegem os habitantes da radiação em Marte, do impacto potencial de meteoritos, garantem o acesso indireto à luz solar e resolvem a diferença de pressão atmosférica entre o interior e o exterior dos prédios. Além disso, a configuração urbana teve que considerar os sistemas de suporte à vida, como a produção de alimentos, ar e água.

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A primeira cidade autossuficiente em Marte que poderá abrigar humanos
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No vale, estruturas específicas abrigam hospitais, escolas e universidades, atividades esportivas e culturais, áreas comerciais e estações de trem que se comunicam com o ônibus espacial. Uma montanha artificial criada com material adicional extraído das escavações atua como uma moldura visual para a cidade e contém sistemas auxiliares de energia, armazenamento e estacionamento para veículos espaciais e caminhões dentro da cidade.

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Um assentamento humano em Marte também requer estruturas para cumprir as funções essenciais de ar, água e produção de alimentos. Em Nüwa e suas cidades adjacentes, todas as construções arquitetônicas incluem aspectos de segurança adicionais para regular a pressão atmosférica interna e oferecer zonas de refúgio para casos de emergência. 

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As safras seriam cultivadas em módulos agrícolas com um ambiente enriquecido com CO2, que não seria respirável para os humanos. Como resultado, as tarefas operacionais nessas instalações serão automatizadas. Para aumentar a eficiência das colheitas, a equipe de astrobiologia de especialistas da SONet optou por um sistema hidropônico que requer menos água e espaço do que outros métodos baseados em colheitas acima do solo

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ABIBOO studio / SOnet/CASACOR

Após um curto período inicial de investimento de capital e abastecimento da Terra, este desenvolvimento urbano no Planeta Vermelho irá crescer por seus meios e de maneira sustentável. Todos os materiais necessários para a construção da cidade são obtidos em Marte pelo processamento de carbono e outros minerais

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ABIBOO studio / SOnet/CASACOR

O projeto é parte de um trabalho científico organizado pela The Mars Society e desenvolvido pela rede SONet, uma equipe internacional de cientistas e acadêmicos. A projeção é que a construção possa começar em 2054, sendo habitável até 2100.

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