Pela primeira vez, a CASACOR São Paulo desembarcou no Parque da Água Branca. O novo destino materializou o desejo de voltar a uma área arborizada e ao ar livre, já que o parque, que nasceu com uma inclinação ao rural como resposta à urbanização, preservou a vegetação remanescente da Mata Atlântica e se inseriu no tecido urbano para melhorar as condições ambientais e a qualidade de vida das pessoas.
Com 73 projetos – entre instalações artísticas, jardins, casas, lofts, cafés e restaurantes –, a CASACOR São Paulo promoveu um encontro entre arquitetura, arte e natureza, reafirmando seu papel de referência ao instigar novas reflexões sobre os modos de habitar e o futuro das cidades.
Entre as experiências, o Ninho, de Marko Brajovic, destacou-se como um convite à reconexão com os ciclos naturais, propondo um espaço de abrigo, contemplação e pertencimento, inspirado nas estruturas orgânicas criadas por outras espécies.
No Jardim Simbiose, por Kawai Paisagismo, uma obra da artista Bruna Mayer reuniu micro-organismos vivos coletados do solo, plantas, água e ar do Parque, tornando visível um ecossistema invisível e ampliando a percepção sobre as relações de interdependência entre arte e ciência.
"Semear Sonhos", tema que orientou as mostras em 2025, convidou a refletir sobre a capacidade de sonhar coletivamente e criar um futuro harmônico e colaborativo. O tema reforçou o conceito de cidade multiespécie e definiu os parques como os locais onde as cidades do futuro nascerão.
Um destaque do ano foi o movimento consistente da CASACOR para ocupar e ressignificar edifícios históricos e áreas de alto valor simbólico. Em Florianópolis, a mostra instalou-se no antigo parque gráfico da NSC, convertendo um legado industrial em laboratório criativo aberto à cidade. No Rio Grande do Sul, a ocupação do antigo terminal do Aeroporto Internacional Salgado Filho reinterpretou as marcas deixadas pela enchente de 2024 em memória física e poética, incorporada aos ambientes.
Em Salvador, a CASACOR voltou a resgatar a história ao ocupar o antigo Convento e Colégio Nossa Senhora das Mercês, edificação de quase três séculos no centro da cidade. Em Minas Gerais, a edição de 2025 celebrou os 30 anos da mostra em um imóvel histórico de Belo Horizonte. Já em Brasília, a escolha da Casa do Candango reafirmou a vocação da CASACOR para ativar espaços emblemáticos.







