MASP inaugura calendário 2022 com a mostra Volpi Popular

Exposição traz cerca de 100 trabalhos é a terceira individual do museu sobre artistas modernistas após Portinari e Tarsila

Por Redação Atualizado em 21 fev 2022, 09h50 - Publicado em 21 fev 2022, 15h00
MASP inaugura calendário 2022 com a mostra Volpi Popular
Madona com menino, Fachada com Bandeiras e Santa Rita de Cássia. Divulgação/CASACOR

Depois de Portinari popular e Tarsila Popular, o MASP – Museu de Arte Assis Chateaubriand apresenta sua terceira individual sobre artistas modernistas: Volpi popular abre no dia 25 de fevereiro e traz cerca de 100 obras, que oferecem ao público um olhar panorâmico da complexa e diversa prática de Alfredo Volpi.

Alfredo Volpi, Fachada com bandeiras, 1959, Têmpera sobre tela, 115,5 x 72 cm, Acervo MASP, doação Ernst Wolf, 1990.
Alfredo Volpi, Fachada com bandeiras, 1959, Têmpera sobre tela, 115,5 x 72 cm, Acervo MASP, doação Ernst Wolf, 1990. Divulgação/CASACOR

Com curadoria de Tomás Toledo, curador-chefe do MASP, a mostra ocupa o primeiro andar do museu e está dividida em sete núcleos, que contemplam as diferentes temáticas da produção do artista: Cenas urbanas e rurais; Santas e santos; Retratos; Marinhas e temas náuticos; Fachadas; Bandeirinhas, mastros e faixas; e Temas lúdicos.

Catálogo

 

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Acompanhando a exposição, será publicado o mais amplo catálogo sobre o artista num único volume, contendo ilustrações de todas as obras exibidas, textos inéditos de Adele Nelson, Antonio Brasil Jr., Aracy Amaral, Kaira Cabañas, Nathaniel Wolfson, Sônia Salzstein e Tomás Toledo, uma nota biográfica escrita por Matheus de Andrade e duas entrevistas históricas com o artista feitas por Mário Pedrosa e Walmir Ayala.

Alfredo Volpi, Sem título (Madona com menino), 1947, Têmpera sobre tela, 73 x 60 cm, Coleção Orandi Momesso, São Paulo.
Alfredo Volpi, Sem título (Madona com menino), 1947, Têmpera sobre tela, 73 x 60 cm, Coleção Orandi Momesso, São Paulo. Divulgação/CASACOR

Com design de Paulo Tinoco, do Estúdio Campo, a obra será publicada em capa dura e em duas edições separadas nas línguas portuguesa e inglesa. Estará disponível na MASP Loja, online ou física.

Muito além das bandeirinhas

 

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A trajetória de Alfredo Volpi (Lucca, Itália, 1896 — São Paulo, Brasil, 1988) é caracterizada por uma combinação de diferentes elementos e temáticas da cultura popular com aspectos fundantes da tradição moderna, aproximando seus interesses pelo trabalho artesanal, pelo cuidado com a manufatura das tintas e telas, pelas festas populares e temas religiosos, pelo casario vernacular, assim como pelas referências do modernismo brasileiro e da história da arte europeia e sua tradição pictórica.

Nascido na Itália em uma família de origem trabalhadora, o artista emigrou ainda criança para São Paulo. No período inicial de sua produção, foi antes operário que propriamente artista e esteve em meio às movimentações políticas da década de 1920 que geraram as primeiras organizações proletárias e anarquistas, distante do circuito de vanguarda que organizou a Semana de 22. Sua obra revela referências não somente a elementos da cultura popular brasileira, mas também a uma vivência laboral marcada pelo contato profundo com técnicas manuais, paralela às vertentes modernistas e fora do eixo das capitais de Rio-São Paulo — passando por Itanhaém, litoral paulista, e Mogi das Cruzes, interior de São Paulo.

Alfredo Volpi, Sem título (Santa Rita de Cássia), 1960, Têmpera sobre tela, 73 x 50 cm, Coleção Ana Elisa e Paulo Setúbal, São Paulo
Alfredo Volpi, Sem título (Santa Rita de Cássia), 1960, Têmpera sobre tela, 73 x 50 cm, Coleção Ana Elisa e Paulo Setúbal, São Paulo. Divulgação/CASACOR

A produção inicial de Volpi é marcada pela prática autodidata que iniciou em 1911 e voltada para paisagens urbanas e rurais. Na década de 1930, dá início às pinturas de santos para reprodução em retrogravuras como forma de subsistência. Embora não o tivesse inicialmente como trabalho autoral, o tema das imagens religiosas acabou se misturando à sua produção artística, que se acentuou durante a década de 1940.

A década de 1940 marca ainda o início das representações de festejos e fachadas da arquitetura vernacular e colonial brasileira, em uma imersão no interesse pelo popular. Já na década seguinte, Volpi passa a sintetizar suas composições, tornando sua figuração cada vez mais geometrizada, com padrões, formas e temas recorrentes — como as famosas bandeirinhas, mastros, faixas, fachadas e ogivas — que desenvolveu até o final da carreira.

Serviço – Volpi popular

Quando: de 25 de fevereiro a 5 de junho. De quarta a domingo, das 10h às 18h. Terças, das 10h às 20h. Fechado às segundas

Onde: MASP — Museu de arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo – SP

Agendamento online obrigatório pelo site masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 50 (entrada); R$ 25 (meia-entrada). Gratuito às terças

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