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Arquitetura

O brutalismo está de volta e vai conquistar a sua casa

Concreto, volumes puros, linhas simples: relembre obras icônicas do movimento arquitetônico de 1970 e descubra como incorporá-lo no seu lar

Por Giovanna Jarandilha

Publicado em 27 de fev. de 2021, 6:00

08 min de leitura
O brutalismo está de volta e vai conquistar a sua casa

(Jomar Bragança)

loft grabbo Você já a deve ter visto por aí – a arquitetura brutalista é muito reconhecível e distinta dos movimentos arquitetônicos que a precederam. No Brasil, são muitas as obras que traduzem o movimento, especialmente em São Paulo, onde nomes como Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha deixaram sua marca. O brutalismo está de volta e aqui está tudo o que você precisa saber sobre ele. Confira!

O que é brutalismo?


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(Reprodução/CASACOR)

O brutalismo é um movimento arquitetônico surgido entre as décadas de 1950 e 60 no contexto de pós-guerra na Europa. Seguindo a industrialização e o soerguimento das cidades, arquitetos do período apostaram no concreto aparente para traduzir o espírito da época – um período de crise, em que as obras tinham de ser funcionais e reduzidas ao essencial. Derivado do termo "béton brut", traduzido como "concreto bruto", o brutalismo se origina na França a partir dos ensinamentos de um dos principais mentores da arquitetura do século XX, Le Corbusier.

Quais as características do brutalismo?


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Masp (Divulgação/CASACOR)

Além do concreto exposto, o brutalismo é expresso na arquitetura através de estruturas aparentes, sem reboco ou pintura, como colunas e vigas, além de canos e fios à mostra. Na busca pela verdade dos materiais e das formas, a arquitetura brutalista utiliza-se também de volumes puros e maciços – prova de sua inspiração modernista, movimento que o precedeu.

Obras brutalistas no Brasil


MuBe Jardim Europa

(Divulgação/CASACOR)

A capital do brutalismo no Brasil é indiscutivelmente São Paulo. Cidade onde estão abrigados o MASP de Lina Bo Bardi e o MuBE de Paulo Mendes da Rocha, a capital paulista teve como um de seus maiores expoentes o arquiteto Vilanova Artigas, fundador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP ao lado de Carlos Cascaldi.
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(Fernando Stankuns/CASACOR)

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Residência Tomie Ohtake por Ruy Ohtake (Nelson Kon/CASACOR)

A referência mais marcante quando se pensa em brutalismo no Brasil, porém, talvez seja a Casa Brutalista, construída pelo arquiteto Ruy Ohtake como moradia e atelier para a artista plástica Tomie Ohtake, sua mãe. Além da fachada marcada pelo concreto sinuoso, tudo no seu interior também leva concreto – até mesmo os pisos e armários.

Como inserir a tendência em casa?


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A fachada da Casa Oak, de Sálvio e Moacir Jr na CASACOR São Paulo 2019, foi construída com tijolos rústicos, que fazem um recorte na parede, formando um ângulo interno. (Denilson Machado/CASACOR)

A volta do brutalismo entre as tendências de decoração contemporânea indica um retorno ao original e um apreço por materiais duráveis, que descomplicam o lar e ainda acrescentam uma boa dose de personalidade. A arquitetura exposta, quando ao lado de obras de arte e peças de design, cria uma composição elegante e atemporal.
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(Jomar Bragança/CASACOR)

Para incorporar esse estilo em casa, aposte em revestimentos rústicos, como o concreto bruto, que pode ser incorporado nas paredes, no teto ou no mobiliário. Paredes com estruturas expostas, como tubulações e fios, também remetem ao brutalismo. Outros materiais que fazem parte do movimento são a madeira, os vidros e as estruturas metálicas.
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O projeto Meu Lugar no Mundo, do escritório Carlos Otávio Arquitetura e Interiores para a CASACOR Ceará 2019, reflete um morar compacto, onde (Esdras Guimarães/CASACOR)

Ao contrário do movimento original, porém, o brutalismo atual traz cores mais frescas, texturas mais suaves e metais mais quentes. Pense no cobre, no concreto polido e em peças de design coloridas. Mas não se engane: a marca do brutalismo permanece sendo o minimalismo e a simplicidade das formas.
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Oficina do Artista - GAM Arquitetos. No espaço de 110 m2, o concreto aparente da laje e dos pilares originais - antes coberto por gesso e tinta - recupera seu protagonismo. Guido Ramos, Anna Fernandes e Marcelo Bezerril também desenharam a mesa em aço com quase 6 m de comprimento, um único apoio no piso e extensão em balanço. Ela abraça a jabuticabeira plantada no local. No mobiliário, um mix de peças de design nacional, de Gustavo Bittencourt, Sérgio Rodrigues e Jader Almeida. (Marcelo Negromonte/CASACOR)