O
minimalismo está em alta, e não só na
decoração de interiores. Viver simples, em
contato com a enatureza para aproveitar os recursos que ela oferece (sem exageros) é o que muitos estão buscando nos dias de hoje. A partir dessa
tendência comportamental surgiram as
Tiny Houses. O movimento vai além de criar
moradias com tamanhos reduzidos. Toda filosofia por trás é o que dita de fato as regras de uma
tiny house. "Uma Tiny House é onde tem alguém vivendo e colocando em prática a filosofia de um consumo consciente", afirma Robson Lunardi, dono da empresa
Tiny House Brasil e responsável pelo movimento
Pés Descalços.
O que é Tiny House?
O
movimento Tiny House surgiu nos Estados Unidos e ganhou força em 2008, com a grande crise econômica que assolou o país e deixou muitos americanos sem casa. A partir disso, pequenas moradias de até 40 m² passaram a ser construídas. Com o cenário caótico, viver em uma casa que não exige o pagamento de impostos ou sequer a posse de um terreno soou como uma solução. Aliado a isso, a filosofia de um
estilo de vida mais simples, aproveitando os recursos da natureza de forma responsável, ganhou destaque. O conceito se disseminou rápido, e outros países como Canadá, Austrália e o Brasil passaram a ver o movimento social e arquitetônico como uma alternativa de moradia mais barata e ecológica.
O movimento Tiny House no Brasil
O Brasil começou a dar os primeiros passos para incorporar o movimento nos últimos cinco anos, a partir da iniciativa de
Robson Lunardi e Isabel Albornoz de maneira pouco convencional. O casal sofreu, praticamente na mesma época, com a
Síndrome de Buornot - uma doença cuja causa está relacionada com o estresses no trabalho. A partir desse acontecimento, os dois tiraram um período sabático de aproximadamente 4 meses, e começaram a fazer
Yoga e adotar uma alimentação mais saudável.
Com tempo para reflexão, Robson conta que não demorou muito até eles entrarem em contato com a
filosofia proposta pelo minimalismo e que foi isso que os levou a conhecer o conceito de Tiny House. O casal, que
antes vivia em uma casa de 167 m², com o minimalismo se pegou utilizando apenas 50% do espaço. "Começamos a refletir que poderíamos simplificar a nossa vida em busca de uma alternativa que nos libertasse de um custo tão alto", afirma Robson. Decididos a ter sua própria
Tiny House, o casal começou a buscar por especialistas que pudessem construir a moradia. Mas não foi tão fácil assim. O ano era 2017, pós impeachment da ex presidente Dilma Rousseff, e em razão do cenário incerto, não conseguiram encontrar profissionais que topassem esse desafio. "De tanto ouvir 'não', nós decidimos ir para os Estados Unidos fazer uma imersão e entender
o que são as Tiny Houses, conhecer o movimento, as pessoas que faziam parte e também os treinamentos", conta Robson. Por volta de maio de 2018, com o apoio de um amigo construtor, eles começaram a colocar a mão na massa para tirar a moradia do papel - um lar com cerca de 35 m² para abrigar o casal e o filho até então (já que recentemente eles adotaram uma menina, hoje com 4 anos).
A Tiny House é um tipo de
construção modular com toda uma filosofia embasada no minimalismo. Suas metragens possuem
no máximo 40 m² e, para criar um ambiente prático e confortável em um espaço tão reduzido, a
marcenaria é sempre uma aliada desses modelos construtivos. Uma forte característica das Tiny Houses está em sua
responsabilidade socioambiental. Economia de recursos e a baixa produção de resíduos guiam o processo de construção desse tipo de moradia. Alex Carniel, aeronauta afastado, e atualmente empreendedor no turismo ecológico, deixa isso claro quando conta sobre o processo de construção da sua Tiny House. Ele optou por
Steel Frame e
Dry Wall para dar um toque mais artesanal à sua casa. Batizada como
Glória da Manhã, a Tiny de Alex possui
30 m² e, segundo ele, foi construída com 50% de materiais vindos dos Estados Unidos e da Europa, inclusive, a tinta externa, que é da
Bhear.
Segundo Alex, "cada vez mais e mais brasileiros procuram por Tinys, tanto pelo conforto como pela experiência minimalista. 98% adoram a experiência, principalmente, o fator da inserção da casa à natureza".
Por que optar por uma Tiny House?
Viver em uma Tiny House é sem dúvidas uma experiência diferente de qualquer outra. A seguir, entenda os prós e contras desse tipo de construção.
Vantagens
- Sustentabilidade tanto no estilo de vida como também na construção da casa;
- Qualidade de vida;
- Menos estresses;
- Não tem imposto (os modelos móveis);
- Rápida construção (dependendo do modelo, pode levar 3 meses toda a obra).
Desvantagens
- Custo de construção alto;
- Poucos profissionais no Brasil de fato sabem como construir uma Tiny;
- No interior da casa, poucos itens podem ser acumulados.
A experiência de viver em uma Mini Casa de 9 m²
Fui convidada pelo César Barroso para ficar uma semana hospedada em sua
Mini Casa Brasileira. Localizada em Sorocaba, há 15 minutos do Centro, uma estrada de terra leva até um terreno bem amplo que serve como lar atualmente de
duas mini casas prontas e mais duas que estão em processo de construção. Aceitei o desafio e tentei
viver uma vida mais simples, pautada no minimalismo, com um consumo mais consciente. A todo momento, minha conversa com Robson Lunardi vinha na memória, e decidi ter uma semana em que o foco dos meus dias fosse eu e não o trabalho.

A
casa de 9 m² tinha tudo que era necessário para se viver e também trabalhar. Hiper conectada, tive acesso à internet de qualidade - o que foi uma grande vantagem, já que mesmo em uma atmosfera de calmaria e minimalismo, não pude abrir mão das minhas tarefas. A ideia é
trazer a tecnologia para uma experiência que desconectasse do mundo virtual e desse mais abertura para viver lado a lado com a natureza. É muito fácil ter o
sentimento de pertencimento ao habitar uma tiny house. Os espaços reduzidos contribuem para esse clima mais intimista. O César a todo momento me corrigia quando eu falava "estou na sua casa". Ele dizia "minha não, agora ela é sua". E realmente isso aconteceu - ao ponto de que um sentimento de tristeza se instalou em mim quando precisei deixá-la. Lancei mão também de uma
alimentação mais saudável, especialmente com
produtos da região para consumo. E isso fez toda a diferença. Levo uma vida por vezes acelerada. Durante a semana, minhas refeições são feitas na frente do computador, e no primeiro dia lá decidi deixar essa hábito ruim e experimentar algo novo. Montei minha mesa de café da manhã do lado de fora no deck com a piscina. Fiquei uma hora comendo e conversando com o caseiro, sem pensar no trabalho ou em qualquer outra coisa e tive um dia para lá de produtivo! Ficar do lado de fora ou dentro é quase que igualmente prazeroso. A
atmosfera de aconchego do interior da casa, muito pela predominância da madeira clara, da iluminação presente e do aroma de natureza que adentra o espaço, passam a sensação gostosa de estar. O curioso de adotar um lifestyle mais minimalista é que a natureza te sorri de volta. O sol que está na cidade não é o mesmo que ilumina o terreno das Tiny. É menos agressivo e te acolhe, sequer precisei de protetor solar. As manhãs eram sempre muito agradáveis. Desde acordar com a luz do sol - já que uma das características da Mini Casa são as janelas amplas - até o barulho de pássaros durante o dia, agregou para uma experiência completa e inesquecível.
Projetos de Tiny House
A seguir, separamos alguns projetos de Tiny House para você se aprofundar. Confira!