Cloud Nine de Gabriel Bordin para a CASACOR Santa Catarina 2019. (Fábio Jr. Severo/CASACOR)
Quem acompanha a
CASACOR há um tempo, já deve ter reparado: sempre tem uma peça ou outra que se torna figurinha carimbada nas mostras. E não é à toa que os arquitetos e designers do elenco escolhem essas peças em específico para seus ambientes – clássicas, elas são designs que, por si só, já contam história. Um exemplo é a
Poltrona Jangada, do mestre Jean Gillon, que ganhou um cantinho só para ela no espaço de Gabriel Bordin (acima). A peça é um marco no design brasileiro e seu traço revolucionário – que traz o náilon em rede, o Jacarandá maciço e o couro em sua composição – transformou para sempre os rumos do design. Abaixo, separamos outras nove poltronas que você já deve ter visto na
CASACOR, mas talvez não saiba sua história. Nomes como
Sergio Rodrigues,
Lina Bo Bardi e
Oscar Niemeyer estão na seleção. Confira!
A Poltrona Alta, de Oscar Niemeyer
Gisele Taranto Arquitetura – Living Mutante. O espaço voltado para o encontro da arquitetura com a arte e o pensamento é uma resposta à necessidade de ter espaços flexíveis e facilmente modificáveis, algo que foi intensificado neste tempo de extensa permanência em casa. Os clássicos móveis de design assinados por Sérgio Rodrigues, Lina Bo Bardi e Oscar Niemeyer ganham a companhia de obras de arte em um ambiente com ares de galeria. (André Nazareth/CASACOR)
Criada nos anos 1970, a Poltrona Alta é um ícone do design brasileiro, uma peça inesquecível que
marca a história do modernismo no país. Desenhada por Oscar Niemeyer e sua filha, Anna Maria, a poltrona tem um design único, cujo ponto principal é a curva que sai da base e alcança o encosto.
A Cadeira com Bola de Latão, de Lina Bo Bardi
(Cristiano Bauce/CASACOR)
Design exclusivo, apenas seis peças da Cadeira com Bola de Latão foram produzidas em 1951, ano de sua criação, para integrar a histórica
Casa de Vidro. Desenho original de Lina Bo Bardi, a poltrona é caracterizada pelo
ferro, o couro e as duas esferas de latão que conferem à ela um forte caráter cenográfico.
A poltrona Mole, de Sergio Rodrigues
Talvez uma das peças mais famosas quando se trata de
mobiliário autêntico brasileiro, a Poltrona Mole, criada em 1957 por Sergio Rodrigues, como o próprio nome sugere, conquistou o mercado nacional e internacional pelo conforto do estofado de couro natural. Inovadora, a peça ia na contramão das diretrizes da Bauhaus, famosa pelo mote "menos é mais". Hoje, ela é considerada um dos
30 assentos mais importantes do mundo. A poltrona Mole também faz parte da coleção permanente do MoMA (Museu de Arte Moderna) de Nova York.
A cadeira Windsor, de Jader Almeida
(Cristiano Bauce/CASACOR)
A Poltrona Tonico, de Sergio Rodrigues
Poltrona Tonico, de Sergio Rodrigues, e mesa de centro de Rodrigo Ohtake. (Felipe Araújo/CASACOR)
Pensada para ser um móvel popular, a Poltrona Tonico é repleta de referências a outras peças de Sergio Rodrigues, como a poltrona Chifruda e a Mole. Sua criação remonta aos tempos da Oca e da Meia Pataca, empresas fundadas pelo designer entre 1950 e 1960. Com linhas retas e muito distintas, seu
design é fundamentado no conforto, com o objetivo de simplificar o processo de fabricação.
Poltrona Benjamin, de Gustavo Bittencourt
Conhecido por valorizar peças de design feitas à mão, com
matéria prima de qualidade, em especial a madeira, Gutavo Bittencourt desenhou a Poltrona Benjamin em 2018. Estruturada em madeira e metal, a cadeira Benjamim é feita com assento e encosto em palha natural tecida à mão, além de um otomano acompanhante em estilo semelhante.
A Chaise Rio, de Oscar Niemeyer
(Salvador Cordaro/CASACOR)
Desenvolvida nos anos 1970, a Chaise Rio foi criada a partir da urgência sentida por Oscar Niemeyer em desenvolver peças de mobiliário em consonância com a produção arquitetônica do período. Suas curvas surpreendentes tiveram
inspiração nas paisagens naturais do Brasil, e em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, a partir da qual foi nomeada.
A Poltrona Chifruda, de Sergio Rodrigues
Feita em jacarandá maciço e couro, a Poltrona Chifruda chama a atenção por seu
design inusitado: o grande encosto de cabeça com formato acentuado é uma brincadeira de Sergio Rodrigues com os chifres da cultura viking – daí seu nome. A peça foi feita em 1962 para uma exposição na OCA – loja do próprio Rodrigues – cujo tema era "
o móvel como obra de arte”.
A Poltrona N, de José Zanine Caldas
CASACOR São Paulo 2019. Casa Dendê Duratex - Nildo José. O espaço de 115m² propõe ambientes fluidos e minimalistas, englobando living, cozinha com sala de jantar, pátio e suíte master, fugindo de fórmulas prontas e do estereótipo da Bahia colorida. No entanto, expressa em todos os detalhes, a ligação especial do arquiteto com sua terra natal de maneira sóbria, rica em arte, bossa e poesia. Procurando transmitir uma essência elegante e ao mesmo tempo rústica, o profissional optou por uma arquitetura limpa, abundante em traços retos, com curvas pontuais que fazem analogia ao recôncavo baiano. (Denilson Machado/CASACOR)
O design da Poltrona N, com
linhas retas e angulosas, ganhou grande destaque na mídia internacional na década de 1950, quando foi produzida. Sua estrutura em madeira maciça e pau marfim revela o
traço inconfundível de Zanine e suas dimensões reduzidas são características da época.