Nunca a
arte fez tanta diferença em nossas vidas como durante a pandemia. Estar perto do que é belo e do que emociona entrou definitivamente para os anseios de todos. E isso fica claro ao circular pelos ambientes desta
CASACOR Rio, que traz
obras de artistas de diferentes estilos e tempos, criando um roteiro de artes plásticas, que vale até uma visita exclusiva apenas para apreciar cada detalhe. "Muitas pesquisas feitas durante o período da pandemia mostram que
uma das aspirações das pessoas é viver com arte. A arte salva, aquece o coração, ameniza as dores. E as pessoas passaram a valorizar mais o viver com o belo. E isso fica bem claro nesta
CASACOR, que tem a arte como um de seus pontos fortes", avalia
Patricia Quentel, sócia-diretora da edição carioca.
Ricardo Portilho - Jardim do Chafariz. De frente para a entrada principal da casa, o Jardim do Chafariz ganhou ainda mais destaque com a intervenção paisagística. Novas plantas nativas foram incorporadas ao espaço que recebeu também mobiliário elegante, todo em corda náutica. Uma combinação que resulta em um ambiente acolhedor, que alia bem-estar e conforto. Esculturas de Raul Mourão e Thelma Inecco trazem ainda mais charme ao espaço, pensado como uma homenagem à Odaléa Brando Barbosa, a antiga proprietária do imóvel. (André Nazareth/CASACOR)
O primeiro destaque aparece já no
Jardim do Chafariz. O ambiente criado pelo paisagista
Ricardo Portilho ganhou uma enorme escultura em ferro do artista plástico
Raul Mourão: “The Flag 3” tem 4x4 metros,
pesa 700 quilos e precisou de 15 homens para ser erguida no local. Mas o que impressiona mesmo é o contraste de suas linhas simples e imponentes com a arquitetura eclética, cheia de elementos barrocos da Residência Brando Barbosa.
Celso Rayol e Fernando Costa - Entre-salas. O antigo porte-cochère volta à sua vocação original como entrada oficial de visitação da casa. Com dois ambientes, a varanda externa e o hall principal, foi pensado como um espaço de transição: entre passado e futuro; exterior e interior; clássico e contemporâneo. Os pórticos ganham elementos arquitetônicos espelhados que trazem o verde, e o novo, para o projeto. No décor, tons suaves e aconchegantes, formas curvas e obras de arte que remetem ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. (André Nazareth/CASACOR)
Entrando na casa, logo no primeiro ambiente –
Entre-salas, de
Celso Rayol e
Fernando Costa –, quem rouba a cena é outra escultura, essa do artista
Antonio Miranda, que se refere ao ancestral primordial da criação. Mas o espaço traz ainda dois painéis do jovem
Luiz Eduardo Rayol e uma escultura de
João Galvão.
Tiago Freire - Sala Da Música. Da imponência original à brasilidade. Nossa Sala da Música é um ambiente atemporal que celebra o que temos de belo. A começar pela obra Biblioteca, de Nelson Leirner, que pela primeira vez aparece em mostra de decoração - uma homenagem ao artista que faria 90 anos em 2022. Estão lá ainda elementos arquitetônicos como o muxarabi, que cobre o teto trazendo ainda mais destaque ao lustre de baccarat original do espaço; e peças de mobiliário assinadas por importantes nomes do design nacional. (André Nazareth/CASACOR)
Um pouco adiante está a
Sala DA Música. O ambiente de
Tiago Freire faz uma ode à brasilidade e expõe peças como as cabeças de barro de Irinéia; e uma homenagem especial a
Nelson Leirner, artista que completaria 90 anos em 2022. É dele a obra
Biblioteca, que ocupa quase uma parede inteira da sala. Exposta pela primeira vez em uma mostra, a peça retrata, na verdade, a estante pessoal de Leirner, um acumulador confesso que juntava de tudo um pouco no móvel.
Logo ao lado vem
Expo. O ambiente foi pensado pelas irmãs
Cristiana e Mariana Mascarenhas como um espaço informal de exposições e trocas entre artistas. Mas, o que elas criaram de fato foi uma verdadeira galeria com uma das misturas mais interessantes e ousadas do evento. Um lambe-lambe com frases de
Rubens Gerchaman sobe as paredes na criação do grafiteiro
Ozi, que usou a fonte Pix de
Bruno Corrente; dois portais parecem fazer referência aos azulejos originais da casa mas, quando olhados de perto, revelam mosaicos criados por milhares de Playmobil na obra de
Heberth Sobral; e tem ainda as cerâmicas de
Geléia, da Rocinha; as fotos de
Alex Ferro; as obras de
Lidia Lisboa e
Mulambö; as criações da própria Mariana Mascarenhas; além do retrato de Gabriella Besanzoni (para quem o palacete do vizinho Parque Lage foi construído), pintado por
Daniel Lannes.
"A gente fez uma correlação com o
Parque Lage que é uma casa que foi muito importante na vida cultural do Brasil e do Rio e, a partir dos anos 1970, se transformou numa
escola de arte fundamental para nossa história, por onde passaram praticamente todos os artistas plásticos brasileiros das últimas gerações", conta Mariana.
Paula Neder e Coletivo PN+ - Espaço Prosa. (André Nazareth/CASACOR)
Aproveite que já está ali e suba as belas escadas de jacarandá (praticamente uma escultura) para o segundo andar. Você logo vai se deparar com o mural pintado pelo
Coletivo Muda e a cortina em fios de bambu da artesã
Mônica Carvalho, que estão entre os destaques do
Espaço Prosa, de
Paula Neder e
Coletivo PN+.
Quase ali ao lado, quem dá o tom é a arte literária de
Carlos Drummond de Andrade. No
Quarto Drummond, que
Lucilla Pessoa de Queiroz e
Renata Caiafa fizeram em homenagem ao poeta, sua literatura está não só nos livros, mas também pintada nas paredes e bordada nos lençóis. Nesse caso, as frases escolhidas são de sua obra erótica deixada por ele para ser publicada apenas após sua morte.
Dois ambientes tiveram curadoria de arte de
Heloísa Amaral Peixoto e merecem um olhar bem atento. Caso do
Pavilhão 22, de
Mario Costa Santos, que faz uma homenagem à centenária Semana de Arte Moderna e do espaço
Tempo da Alma, de
Cristina Bezamat.
A essa hora, talvez você esteja precisando recuperar o fôlego. Que tal um drinque na piscina? O ambiente, criado por
Gisele Taranto com curadoria de
Vanda Klabin, é praticamente uma galeria a céu aberto com obras como a piscina-instalação de
Maritza Caneca, hologramas, e a exposição
Olhar 2022, que traz uma pintura de
Carlos Vergara dentro do
BamˈBo͞o Bar, além de trabalhos de artistas da periferia expostos em totens com QR Codes em meio ao bambuzal. Para ver as obras de fato, é preciso usar a tecnologia de
realidade aumentada via celular. O espaço oferece ainda uma terceira experiência, dessa vez, no Metaverso, onde uma galeria virtual traz obras de arte generativa. Para visitá-la, é preciso pedir os óculos de realidade virtual às recepcionistas do espaço. A
CASACOR Rio fica aberta até 26 de junho e conta com a participação de
43 equipes de profissionais, entre arquitetos, designers de interiores e paisagistas. São
45 espaços montados na Residência Brando Barbosa. Além da mostra presencial, é possível visitar também sua versão digital, com
tours 3D disponíveis aqui mesmo no site!
Serviço CASACOR Rio de Janeiro 2022
Data: 27 de abril a 26 de junho de 2022 Endereço: Rua Lopes Quintas, 497 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
Horário: de terça a sexta-feira, das 12h às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h.
Telefone: (21) 2512-2411
Ingressos e agendamento de visitas: https://casacorrj.byinti.com/ De terça a sexta-feira Ingresso inteiro: R$ 80,00 Meia entrada: R$ 40,00
Sábados, domingos e feriados Ingresso inteiro: R$ 90,00 Meia entrada: R$ 45,00 Crianças até 10 anos não pagam. Idosos acima de 60 anos, estudantes com carteira oficial, deficientes (e um acompanhante) e professores das redes pública e privada (desde que apresentem documento válido com foto) pagam meia entrada.