O histórico edifício de
Oswald Bratke na Vila Buarque, em São Paulo, foi transformado em
complexo cultural, gastronômico e residencial. O Renata Sampaio Ferreira – quinto edifício com
retrofit da gestora imobiliária Planta.Inc – acaba de ser entregue.
Com atualizações e adaptações arquitetônicas comandadas pelo escritório
Metro Arquitetos, dos sócios Martin Corullon e Gustavo Cedroni, o prédio, originalmente de uso comercial, foi transformado em um novo e vibrante complexo cujos usos incluem apartamentos para curta a longa estadia, restaurantes, bar, café e espaços de evento.
Instalado a cerca de 300 metros da estação de
metrô República, na esquina das
ruas Major Sertório e Araújo, o edifício é um valioso remanescente da
arquitetura moderna paulista e do legado de um de seus grandes mestres,
Oswaldo Bratke (1907-1997).
No térreo, integrado à rua, um novo complexo gastronômico vai oferecer, a partir de março de 2024, o café de esquina Nata, que promete um dos melhores expressos da cidade acompanhados de clássicos da boulangerie francesa e receitas típicas do café da manhã brasileiro, o bar Lágrima, inspirado nos bares de Jazz de Tokyo, com som de altíssima fidelidade e dedicado à alta coquetelaria, e a brasserie Renata Bar e Restaurante, com clássicos da culinária francesa combinados a homenagens a São Paulo contemporânea, que serão comandados pelo chef franco-brasileiro Patrick Bragatto.
Arquitetura do edifício
O edifício leva a assinatura do arquiteto moderno paulista Oswaldo Bratke (1907-1997), companheiro de profissão de nomes como
Rino Levi, Gregori Warchavchik e Jacques Pilon. Seu conjunto de obra é marcado por uma forte produção residencial, com destaque para a residência no Morumbi do casal Maria Luisa e Oscar Americano (1952), que atualmente sedia a
Fundação Oscar Americano, e os edifícios Jaçatuba (1942) e ABC (1949), também situados na Vila Buarque.
Junto a cartões-postais como o Copan e o antigo Hilton Hotel, o Renata Sampaio Ferreira integra um grupo de seis edificações
tombadas em 2012 pelo CONPRESP da chamada “São Paulo Moderna”, conjunto urbano de grande valor histórico e arquitetônico no centro da cidade.
O prédio data de meados da década de 1950 e apresenta soluções construtivas inovadoras quando comparadas a obras anteriores de Bratke, a exemplo da predominância do concreto aparente, do programa distribuído em dois grandes volumes e do uso expressivo dos cobogós do piso ao teto, marcadamente empregados pelas fachadas da construção. Os
elementos vazados, que tão bem definem a identidade projetual do edifício, permaneceram preservados no projeto arquitetônico a cargo do
Metro Arquitetos. A experiência multidisciplinar e de longa data do time de profissionais inclui intervenções urbanas como o
Ocupa Rua (2020) – de criação de áreas de convivência para pessoas em vagas de estacionamento –, no centro da cidade, e obras de requalificação como o
novo anexo do MASP, atualmente em desenvolvimento em um edifício de 14 andares na Av. Paulista. No Renata, o escritório propôs uma nova e complexa distribuição de usos, a começar pela torre originalmente concebida para lajes de escritórios. Dedicada a moradias de curta ou longa estadia, a radical reconfiguração dos espaços concebeu cinco tipologias de plantas, totalizando 93 unidades de 25 m
2 a 284 m
2. Uma importante melhoria adotada pelo retrofit foi a instalação de
caixilhos recuados das fachadas com cobogós, resultando em um espaço intermediário avarandado, ensolarado e multifuncional para os residentes. “O retrofit é um instrumento transformador nas cidades pois oferece uma segunda chance a construções muitas vezes subutilizadas e desatualizadas, mas de grande valor histórico e patrimonial. Com raízes na história, identidade e pluralidade da Vila Buarque, o Renata Sampaio Ferreira agora retorna à vida pulsante do bairro como um endereço de trocas e de experiências entre novos moradores, hóspedes e frequentadores do centro”, explica
Guil Blanche, fundador e CEO da Planta.Inc.