(Eduardo Pozella/CASACOR)
A pandemia trouxe uma série de mudanças no mundo e transformou a forma como nos comunicamos e convivemos em sociedade. Com a vacinação avançando dia após dia no Brasil, muitos gestores já estão colocando em prática alguns
cuidados que os escritórios precisarão ter no pós-pandemia para receber seus funcionários de um jeito seguro, prático e confortável.
Uma coisa é certa: o modelo
home office não será esquecido no pós-pandemia. Estudos apontam que as empresas estão tendendo a um
modelo "híbrido" de trabalho, em que o funcionário poderá trabalhar tanto em casa como no escritório. De acordo com um relatório feito pela
International Workplace Group (IWG), neste período aumentou a procura por
coworkings e escritórios flexíveis, e o que se espera é que com o modelo híbrido, a tendência é que esse número cresça pelo menos 40% em 2021.
Mas afinal, quais mudanças devem ser esperadas nos
escritórios pós-pandemia? Como o design de interiores e a arquitetura podem ajudar a criar um espaço de trabalho mais seguro? Convidamos os nossos
especialistas do elenco CASACOR Marília Veiga,
Fernando Brandão e
Korman Arquitetos para dar previsões sobre como será o "novo normal" nos escritórios.
O que podemos esperar dos escritórios no pós-pandemia?
Os especialistas concordam que o escritório sofrerá
mudanças inevitáveis que acarretarão em um modelo mais flexível de trabalho. De acordo com
Leda e Carina Korman, da Korman Arquitetos, "o que não muda são os equipamentos necessários tais como o computador, copiadora", mas o layout e a forma como os aparelhos devem ser distribuídos vai ser alterado – e muito. O arquiteto Fernando Brandão acredita que a
flexibilização dos escritório vai ainda mais além, e já prevê o
aumento de espaços "domésticos" no ambiente de trabalho, o que já é uma realidade, mas, segundo o especialista, deve aumentar.
"Nas empresas já é possível prever que haverá uma maior
humanização do espaço de trabalho. Isso já era uma tendência, mas a pandemia trará como mais óbvia e forte a influência do
home para o
office, ou seja, teremos ambientes de trabalhos mais domésticos com
berçários, dog care, cozinhas e copas, além de áreas ao ar-livre com fartos e largos jardins para pequenas reuniões e concentração", afirma Brandão. Assim como as arquitetas da Korman,
Marília Veiga também acredita que a disposição dos escritórios deve mudar. Muitas empresas já estavam lançando mão de grandes bancadas no lugar de uma mesa individual, o que permite a integração e comunicação mais próxima entre seus funcionários, além de dar
maior flexibilidade para os mesmos sentarem no lugar de sua preferência.
Limpeza dos escritórios pós-pandemia
(Eduardo Pozella/CASACOR)
Os revestimentos também serão uma pauta importante para tornar a atmosfera dos escritórios mais segura, e nisso Marília Veiga, Leda e Carina Korman concordam.
(Eduardo Pozella/CASACOR)
Os
revestimentos também serão revistos. Aqueles que
acumulam microrganismos tendem a ficar defasados, enquanto os mais fáceis de serem higienizados vão se tornar queridinhos dos escritórios. "Quanto à higiene, o ideal seria usar acabamentos que aceitem uma certa esterilização como
laminado plástico, que hoje existe em diversas padronagens bem legais", indicam as arquitetas da Korman. Ainda em relação à higiene, Leda e Carina Korman indicam os pisos ideais para o pós-pandemia: "o melhor seria a colocação de
pisos cerâmicos, mármore ou até vinílicos, pois como as cadeiras possuem rodinhas, além de mais confortável, é
mais fácil de limpar e são materiais que aceitam álcool e o
lysoform (um tipo de desinfetante de superfícies com alta eficácia)
".
Disposição dos móveis
O uso de
materiais que focam em trazer conforto e leveza ao ambiente serão os preferidos para diferentes composições. "O uso de materiais naturais, pedras, madeiras, tecidos e transparência. Como consequência desta fase, teremos espaços informais, descontraídos e coloridos. Empresas com políticas inclusivas, sustentáveis e identidades fortes e humanizadas terão mais valor", afirma Brandão.
Na prática, isso significa que alguns aspectos antes já tão importantes para o layout dos escritórios poderão ser revistos, e
o principal para os gestores será oferecer um espaço seguro, criativo e engajado, além de também contar cada vez mais com atitudes verdes para o dia a dia.
(Eduardo Pozella/CASACOR)
As arquitetas Leda e Carina dão as dicas quanto a disposição e tamanho de mesas e cadeiras: "O ideal é que a bancada seja linear para que o usuário tenha tudo à mão. A mesa nunca poderá ser menor que 1,40m, pois esse é o mínimo para que a cadeira possa girar e dar espaço aos outros equipamentos. A altura da mesa é a mesma de uma de comer, o que significa que nunca deve ser mais alta que 0,76 cm".
Anywhere office
O "
anywhere office" está cada vez mais ganhando força, especialmente quando falamos sobre
escritórios pós-pandemia. Para Marília Veiga, essa com certeza será uma tendência. Trata-se de um conceito que significa
"escritório em qualquer lugar", o que demonstra um desejo cada vez maior de empresas utilizarem espaços flexíveis para sua rotina.
Espaços integrados, boa iluminação, distanciamento social e espaço dinâmico com arte e natureza protagonizando a composição é o que Brandão e Veiga apontam.
"Uma característica da arquitetura clássica moderna brasileira deve ser resgatada. Arquitetos e artistas plásticos deverão trabalhar juntos novamente [para criar]
espaços alegres, inspiradores e arejados naturalmente", acredita Fernando Brandão. A ideia é que com
mais flexibilidade e liberdade, os funcionários consigam ficar em segurança ao mesmo tempo em que resgatam uma característica que o home office não pôde oferecer à quem precisou improvisar um espaço de trabalho em casa: um
local despojado pensado para aumentar a produtividade.