6 arquitetas que são destaques na construção sustentável brasileira

Seja com técnicas construtivas, materiais, projetos integrados ou certificações ambientais, as seis profissionais a seguir se destacam no cenário brasileiro

Por Nádia Sayuri Kaku Atualizado em 11 jun 2021, 10h48 - Publicado em 5 jun 2021, 09h54
7 arquitetas que são destaques na construção sustentável brasileira
Na ordem: Irina Biletska, Adriana Levisky, Ester Carro, Carla Juaçaba, Karen Ueda e Bia Gadia. Divulgação/CASACOR

Quando falamos de arquitetura sustentável no Brasil, muitos nomes se destacam: seja pelo uso de técnicas construtivas, materiais renováveis, projetos integrados ao meio ambiente ou profissionais que se especializam em certificações ambientais. Para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente, a CASACOR selecionou seis arquitetas que atuam no país e se destacam por aliar a arquitetura com a sustentabilidade. Confira!

Ester Carro
Divulgação/CASACOR

Ester Carro é arquiteta e ativista urbana, mestre em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano, professora e pesquisadora no Núcleo de Mulheres e Território do Laboratório de Cidades (Arq. Futuro e Insper) e fellowship na Avenues São Paulo. Mas, além de todos esses títulos, Ester é também moradora do Jardim Colombo, parte do complexo de Paraisópolis em São Paulo, e acompanhava de perto o terreno batizado de Fazendinha, uma área de declive com cerca de 1000 m² que servia de depósito de lixo e entulhos. Da sua inquietação pelo problema somada ao fato de os moradores da comunidade não possuírem nenhuma área de lazer, surgiu o projeto Fazendinhando, que se pauta não só na remoção de resíduos e entulho do local, mas também na transformação do terreno em um parque – um espaço comum para ser aproveitado pela comunidade.

Em 2020, o Fazendinhando, junto com arquiteta Veronica Vacaro e o estúdio de arquitetura Plantar Ideias, participaram do projeto Janelas CASACOR São Paulo com a Galeria Fazendinhando: um contêiner na entrada do Jardim Colombo com função de galeria de arte e palco de oficinas, workshops e palestras sobre questões de sustentabilidade, responsabilidade social, saúde e empoderamento de grupos minoritários. Como o projeto é permanente, não foi desmontado ao fim da mostra e hoje funciona como um ponto de cultura destinado aos moradores da região.

Carla Juaçaba.
Reprodução/PIN-UP/Casa.com.br/CASACOR

Referência da arquitetura brasileira atual no exterior, Carla Juaçaba possui uma carreira repleta de reconhecimentos: seu trabalho de conclusão de curso em Arquitetura na Universidade Santa Úrsula recebeu o prêmio da Companhia Siderúrgica Nacional em 2000. O projeto se chamava “Uma Igreja no Rio“. Coincidência ou não, em 2018, Carla foi convidada para projetar outra igreja, mas desta vez, na Bienal de Arquitetura de Veneza: a capela foi encomendada pelo Vaticano para ser de caráter efêmero, mas, ao fim do evento, a organização anunciou que os projetos permaneceriam na cidade de maneira permanente – a estrutura de aço inoxidável se integra à natureza e às águas sem interferir na vegetação original.

Outra construção temporária importante em sua carreira foi o Pavilhão da Humanidade 2012: o edifício da Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, foi concebido como um grande andaime – cinco paredes estruturais expostas ao ar livre criam uma passarela suspensa. Todo o material utilizado foi reciclado. Entre seus projetos residenciais, destaque para a Casa Santa Teresa, feita em um área de preservação ambiental e onde não era permitido tirar nenhuma árvore. E para a Casa Rio Bonito, localizada na serra de Nova Friburgo (RJ) e caracterizada por duas paredes de pedra de 1,10 m de espessura que sustentam as vigas do telhado e do piso, elevando a casa do solo.

Karen Ueda
Divulgação/CASACOR

Sócia-Diretora na Gera Brasil Arquitetura (junto com Nilce Pinho e Antonio Vissotto Jr), Karen é formada em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie e tem especialização em Construções Sustentáveis pelo GBC Brasil. Atua desde 2015 com certificação de empreendimentos que desejam obter selo verde e, por meio de seu trabalho, busca desenvolver a consciência ambiental utilizando materiais e técnicas inovadoras. O bambu é um dos carros chefes dos projetos do Gera Brasil: além de desenvolverem projetos com o material, os profissionais também prestam consultoria e ministram cursos sobre o tema. Vale lembrar que, apesar de ainda pouco explorado, o bambu é um material resistente e com importante contribuição ambiental, já que captura altas taxas de carbono. Um dos projetos mais emblemáticos da Gera Brasil é a Casa das Birutas, uma residência em Piracaia (SP) feita com técnicas de bioconstrução e cujo telhado curvo é de bambu.

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No Janelas CASACOR São Paulo 2020, a Gera Brasil participou do projeto Cozinha Comunitária Alimentação Saudável Sacolão Freguesia do Ó, assinado pelo programa FAU+D Acolhe, da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), com coordenação do professor Rodrigo Loeb. O contêiner com uma cozinha comunitária utilizou materiais sustentáveis e tecnológicos e sua área externa foi coberta por uma estrutura de bambu.

Adriana Levisky.
Divulgação/CASACOR

Adriana Levisky, fundadora do escritório Levisky Arquitetos, em São Paulo, é formada pela FAU-USP e trabalhou como estagiária de Lina Bo Bardi – chegou, inclusive, a colaborar no percurso da exposição itinerante de Lina ao redor da Europa. Aqui no Brasil, além dos projetos do escritório, também lecionou em diversas universidades e é um nome confirmado do UIA 2021 RIO. Atua há 30 anos na aproximação entre as esferas públicas e privadas, e seu escritório é reconhecido por uma atuação focada em requalificação de espaços públicos, valorização urbana e melhora da qualidade de vida nas regiões metropolitanas. Adriana foi responsável por projetos de hospitais, de centros de ensino e pesquisa, e de praças e museus a céu aberto.

Na Praça Victor Civita, diante do alto impacto da descontaminação do solo, o escritório projetou um amplo deck de madeira suspenso, com espaços de passagem e permanência para os visitantes circularem. Ali também está o Museu Aberto da Sustentabilidade, que traz explicações sobre as soluções dadas aos problemas da área, e também uma exposição permanente dentro do edifício, um antigo incinerador, para ensinar a história da reabilitação do espaço. Já nos reservatórios SABESP Mooca, Butantã e Cangaíba, a proposta foi criar três parques que permitisse um diálogo entre os visitantes e as atividades de abastecimento, além de revitalizar os edifícios de operação para a proteção patrimonial.

Irina Biletska
Reprodução/Instagram/CASACOR

Natural da Ucrânia, em suas extensas viagens e pesquisas pelo mundo, Irina Biletska aprendeu e compartilhou sobre arquitetura orgânica, permacultura, bioconstrução e co-criação dos projetos. Desde 2011, reside no Brasil e hoje seu escritório está em Serra Grande (BA). Já realizou mais de 20 projetos integrando várias técnicas de terra crua, bambu, telhado verde e sistemas de engenharia sustentáveis. Possui projetos assinados no Brasil, Ucrânia, Turquia, México e Argentina.

No Projeto Escola, localizado em Saquaira, Península de Marau (BA), os espaços foram pensados para servirem aos processos pedagógicos e suas demandas de integração com a agrofloresta, as hortas e a cozinha, além das salas multifuncionais. Cerca de 95% do barro utilizado foi adquirido no terreno e foi construída uma fábrica para a confecção de tijolos de solo cimento no local. Alunos reuniram mais de 50 mil garrafas de vidro, que foram reutilizadas no contrapiso das salas – o que significou uma contribuição considerável para a redução do lixo na comunidade e promoveu uma ampla conscientização sobre a questão dos resíduos sólidos.

Bia Gadia
Divulgação/CASACOR

A experiência de Bia Gadia na construção sustentável vem – literalmente – da sua casa: a Gadia House, construção em Barretos (SP), faz parte do projeto-piloto da GBC Brasil – Referencial Casa, e foi premiada, em 2014, no I Prêmio Saint-Gobain – Habitat Sustentável, tendo recebido, em 2020, uma certificação HBC – EPE-A. A profissional buscou seguir todos os requisitos para uma edificação sustentável, desde a sua implantação, como o método construtivo em EPS Isopor, uso racional da água, energia, materiais e recursos, além de contar com fatores como qualidade acústica, psicologia do ambiente e bem-estar.

A arquiteta também atua há 20 anos com Cenografia e Arquitetura Hospitalar, utilizando, entre outras técnicas, neuroarquitetura, biofilia, fengshui e cromoterapia. Para ela, a boa arquitetura tem papel crucial na saúde na população, já que passamos 90% do nosso tempo em ambientes fechados. “Existem estudos que comprovam que uma boa arquitetura promove o bem-estar, conforto e produtividade. Em escolas, a boa arquitetura influencia até na melhora das provas; nos hospitais, os pacientes recebem alta mais cedo; nos escritórios, há o aumento da produtividade. O ambiente tem uma influência importante na nossa vida e, muitas vezes, por questões externas e pessoais, temos que conviver em ambientes que não foram construídos pensando na saúde e bem-estar”, explica em seu site oficial.

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