De Roraima ao Pantanal, o Brasil guarda destinos naturais pouco visitados que rivalizam com qualquer maravilha do mundo
Publicado em 6 de jun. de 2026, 10:00

Parque Nacional do Monte Roraima (Roraima) (Paolo Costa Baldi/Wikimedia Commons/Divulgação)
O Brasil concentra cerca de 12% da biodiversidade do planeta e abriga seis biomas distintos — Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa. Mesmo assim, boa parte das suas maravilhas naturais permanece fora dos roteiros convencionais, conhecida apenas por pesquisadores, guias locais e viajantes com olhar mais apurado. São destinos que exigem mais planejamento, mas entregam experiências que dificilmente se repetem em outro lugar do mundo.
Dos tepuis de Roraima às serras pantaneiras do Mato Grosso do Sul, passando pelos cânions do Sul e pelos sítios arqueológicos do Nordeste, o país reserva paisagens capazes de surpreender até quem já acredita conhecê-lo bem. A seguir, sete destinos que merecem (e muito!) um lugar no seu próximo roteiro.
Entre o agreste e o sertão pernambucano, o Vale do Catimbau é uma das paisagens mais singulares da Caatinga. O parque é considerado o segundo maior parque arqueológico do Brasil, com mais de 42 sítios catalogados, registros de pinturas rupestres e artefatos da ocupação pré-histórica datados de pelo menos 6.000 anos.
Vale do Catimbau (Pernambuco) (SESC PE/Divulgação)
As formações rochosas de arenito, esculpidas pelo vento ao longo de 150 milhões de anos, criam um cenário que parece de outro planeta. O parque abrange cerca de 62.294 hectares e apresenta diversidade de relevo impressionante, com serras, morros e extensos tabuleiros. Vale destacar, no entanto, que visita exige guia credenciado.
Localizado no município de Buriti dos Montes, o cânion é formado pela passagem do Rio Poti por uma fenda geológica na Serra da Ibiapaba. O percurso do rio atravessa cerca de 140 quilômetros da região, criando paredões rochosos, piscinas naturais e trechos navegáveis de tirar o fôlego.
Cânion do Rio Poti (Piauí) (Renato Andrade/Cidade Verde/Divulgação)
Além da paisagem, a região abriga gravuras e pinturas rupestres milenares, testemunhos da ocupação ancestral. O cânion vem sendo integrado à Rota das Águas do Piauí — um roteiro que começa a colocar o estado no mapa do ecoturismo consciente.
No extremo oeste do país, na fronteira com o Peru, o Parque Nacional da Serra do Divisor guarda espécies vegetais endêmicas e animais raros graças à proximidade com o ecossistema andino, em uma região de transição entre as terras baixas da Amazônia e as montanhas dos Andes. O resultado é uma Amazônia diferente do que se imagina: com rios de águas cristalinas, serras e cachoeiras que raramente aparecem quando se fala do bioma.
Serra do Divisor (Acre) (Pedro Devani/Secom/Divulgação)
Mais de 520 espécies de aves foram registradas em seus 843 mil hectares — entre elas a Choca-do-Acre, descoberta em 2004 e avistada exclusivamente nessa região. Os deslocamentos são feitos de barco pelo Rio Moa, o que transforma o caminho em parte da experiência.
No alto dos Campos de Cima da Serra, a mais de mil metros de altitude, Cambará do Sul esconde abismos de 720 metros de profundidade — e foi reconhecida pela UNESCO como parte de um Geoparque Mundial. Os cânions Itaimbezinho e Fortaleza são os protagonistas: o primeiro, com 5,8 km de extensão e paredões que caem sobre a floresta; o segundo, considerado o mais exuberante da região.
Cânions de Cambará do Sul (Rio Grande do Sul) (Valdiney Pimenta/Wikimedia Commons/Divulgação)
A geografia da área abriga os maiores cânions da América do Sul, nos parques nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral. A dica é reservar um dia inteiro para cada cânion — e chegar cedo, antes da névoa matinal dissipar o cenário.
Localizado entre Manaus e Novo Airão, o Parque Nacional de Anavilhanas abrange cerca de 350 mil hectares e protege um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo, com aproximadamente 400 ilhas. Criado como Estação Ecológica em 1981 e transformado em parque nacional em 2008, o local passou a receber visitação turística monitorada a partir dessa mudança de categoria.
Parque Nacional de Anavilhanas (Amazonas) (Jason Auch/Wikimedia Commons/Divulgação)
A fauna aquática é um dos principais atrativos: o boto-vermelho e o peixe-boi são espécies símbolo do parque. O parque oferece trilhas aquáticas de igapó, observação dos animais, voos panorâmicos e paradas nas ilhas. O período de seca, entre setembro e fevereiro, é considerado o mais indicado para a visita.
A Serra do Amolar é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) gerida pelo Instituto Homem Pantaneiro, na fronteira entre Brasil e Bolívia. São 80 km de serras em 300 mil hectares compartilhados entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, acessíveis apenas pelo Rio Paraguai — de barco, a partir de Corumbá (MS) ou Porto Jofre (MT). A travessia pode levar mais de 20 horas e já faz parte da experiência.
Serra do Amolar (Mato Grosso do Sul) (Monday Feelings/Divulgação)
A região apresenta geografia bem diferente da planície pantaneira, com serras, corixos e piscinas de águas cristalinas. É um dos principais refúgios da onça pintada no Pantanal. A visitação é controlada e estruturada em pacotes que incluem embarcação, hospedagem, alimentação e passeios.
O Monte Roraima é um tepui (um tipo de monte em formato de mesa característico do planalto das Guianas) delimitado por falésias de cerca de 1.000 metros de altura, com um planalto que apresenta um ambiente totalmente diferente da floresta tropical e da savana que se estende a seus pés. Com quase 3.000 metros de altitude, o cume abriga o Marco da Tríplice Fronteira, onde Brasil, Venezuela e Guiana se encontram.
Parque Nacional do Monte Roraima (Roraima) (Paolo Costa Baldi/Wikimedia Commons/Divulgação)
O Monte Roraima é um dos tepuis mais antigos do planeta, com estimativa de 2 bilhões de anos, e inspirou Arthur Conan Doyle a criar o cenário de O Mundo Perdido. A flora adaptou-se ao isolamento com altíssimo grau de endemismo, incluindo plantas carnívoras. Chegar lá é um desafio: exige pelo menos dois dias de trilha, mas cada passo promete valer a pena.