Os novos tempos fizeram da sustentabilidade não só uma orientação para as mostras, mas um estilo de vida a se almejar. Confira!
Publicado em 17 de ago. de 2021, 7:00

(Fábio Jr. Severo)
Tufi Mousse - Casa dos Pássaros - CASACOR Santa Catarina 2021 (Fábio Jr. Severo/CASACOR)
O Quarto Suna Reveev contempla a sustentabilidade em todos os detalhes – do papel de parede ao teto de madeira, do piso da área de banho até a escultura que ornamenta o ambiente de 60 m². Os 40 vasos de cerâmicas que compõem o ambiente são provenientes de uma cooperativa de artesãos do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que abriga mais de mil sítios arqueológicos e é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.
(Fabio Jr. Severo/CASACOR)
(Fabio Severo Jr/CASACOR)
(Fábio Júnior Severo/CASACOR)
Mais do que minimizar impactos, o Espaço Plural foi projetado para impactar positivamente, seguindo o conceito de arquitetura regenerativa. A dupla Beto Gebara e Marila Filártiga assina o ambiente que abriga o restaurante The Hungry Sailor na CASACOR SC | Florianópolis. As madeiras dos painéis instalados nas paredes e teto são devidamente certificadas, assim como as mescla de madeiras utilizada no banco "monobê" (em tupi guarani ajuntar, reunir), criado e desenhado pela dupla de arquitetos. “Utilizamos três madeiras diferentes em sua composição, a peroba mica, sucupira preta e jatobá, todas certificadas”, detalha Marila. O MDF da marcenaria, de fontes renováveis, veio de um fornecedor local.
Entre as peças decorativas, luminárias pendentes e mandalas produzidas com resíduos da fábrica de papel pelo grupo de artesãs Tramatusa, de Lages, em Santa Catarina, e cerâmicas feitas a mão pela Duas Studio de Cerâmica, de Florianópolis. Até o mármore da bancada foi escolhido por estar no estoque da loja, desafiando o uso de um material já cortado e que poderia acabar descartado.
O arquiteto Tufi Mousse traduz o tema de CASACOR deste ano, A Casa Original, como sendo "aquilo que basta para nos sentirmos bem e sermos felizes, sem exageros e luxos insustentáveis". A ampla Casa dos Pássaros fez uso de madeira tauari proveniente de florestas com manejo sustentável certificado pelo Ibama. Nessas áreas, a retirada das árvores é feita com técnicas de baixo impacto, que mantêm a estrutura florestal e permitem a recuperação natural da floresta.
(Lio Simas/CASACOR)
Quem entra na Sala Íntima da Arquiteta, logo se vê atraído pela marcenaria que reveste uma parede inteira com ripas de madeira tauari, de manejo sustentável, e ainda cria nichos para plantas, livros, objetos decorativos e uma lareira ecológica. A mesa do escritório, outra peça singular, é resultado do reaproveitamento de resíduos de uma tora de imbuia. Para a iluminação do ambiente, o LED é protagonista – inclusive na peça Abajur Garden, do designer Mauricio D Avila, com estrutura em cerâmica que acolhe um mini jardim.
No espaço Veredas Autoria Design, os painéis de freijó que revestem as paredes e o teto foram projetados pensando em desmontabilidade. "Desenhei linhas retas, com placas maiores, justamente para poder aproveitar melhor a madeira em outros projetos após a mostra", conta a arquiteta Natália Xavier. Iluminação em LED, tinta terracota à base de água, ventilador de teto com pás em palha natural, persianas de bambu, mármore brasileiro, madeira reaproveitada e arranjo de urucum seco completam as escolhas ecofriendly.
O Loft Íris é a perfeita conciliação de tecnologia e sustentabilidade. Assinado por Maria Graziella Oliveira e Allan Chierighini, o espaço de 110 m² integra home theater, office, sala de jantar, área gourmet, suíte master, closet, área de banho e lavabo. Madeira sucupira certificada compõe o forro e os painéis. O projeto privilegiou ainda tecidos sustentáveis, produzidos a partir de sobras e retalhos, além de ventilação e iluminação naturais, favorecidas pela integração dos ambientes.
O projeto do [meu.coração.queima] retrata o morar brasileiro a partir das desigualdades sociais: objetos da cultura popular – como espelhinho de moldura laranja, filtro de água de barro e cobogós – se misturam a peças de design renomado e sofisticado, provenientes de marcas escolhidas por comprovarem responsabilidade socioambiental. Nos 51 m², parte do piso e paredes foi revestida com cerâmica terracota. "Após a mostra, todo o material será moído para ser transformado em tijolos ecológicos que doaremos a famílias carentes", conta Jeferson Branco, revelando a parceria com a empresa catarinense EcoMáquinas.