O
design sustentável está mais em alta do que nunca, visto o número cada vez maior de projetos incríveis que utilizam produtos menos danosos para o meio ambiente. No
Madrid Design Festival, essa tendência não ficou de fora, e foi representada por duas exposições que fizeram os visitantes repensar o uso excessivo da madeira e as mudanças climáticas:
“SLOW” e
“Natural Connections”. Ambas as exposições foram impulsionadas pelo
American Hardwood Export Council (AHEC) com a participação de grandes nomes do design europeu, como
Inma Bermúdez, Moritz Krefter, Álvaro Catalán de Ocón e Jorge Penádes.
A madeira folhosa é a estrela das duas exposições. Esse material é feito a partir de algumas espécies específicas como
árvore da tulipa (tulipwood), carvalho-vermelho, bordo e/ou cerejeira; através de
processos de produção e uso final mais sustentáveis desse material subutilizado.
Quando pensamos na preservação do meio-ambiente, a escolha da madeira terá um impacto a longo prazo, já que a
dependência excessiva em uma seleção limitada de espécies acaba gerando tensões no abastecimento, daí a responsabilidade coletiva de usar a diversidade de matérias-primas oferecidas pela natureza. No caso das florestas norte-americanas de folhosas, o bordo, a cerejeira e o carvalho-vermelho
representam mais de 40% de toda a madeira plantada, por isso é vital não ignorá-las. Como seu volume líquido aumenta em
63 milhões de m³ a cada ano, o volume de madeira usado para fabricar todas as peças da mostra "
SLOW", por exemplo, é regenerado enquanto você termina de ler este parágrafo.
Para David Venables, Diretor do AHEC na Europa, através das exposições também é possível mostrar exemplos que irão servir de inspiração para outros designers continuarem buscando um caminho mais verde na produção. “Acompanhando o mercado nos últimos anos é possível observar que, aos poucos, o conceito de '
slow design' vem ganhando espaço. Queremos mostrar como isso pode ser colocado na prática e como podemos pensar uma produção com madeira sem - ou quase sem - descarte, com peças atemporais e não obsoletas, pensadas para um ciclo de consumo e produção circular”, afirma o especialista.