Cada escolha de material em um projeto de arquitetura, design de interiores e paisagismo gera um determinado
impacto ambiental, e ter conhecimento sobre isso é fundamental. “Esses profissionais elaboram projetos que vão ultrapassar 50 anos, ou seja, as
decisões tomadas hoje reverberam por todo esse tempo. É uma responsabilidade enorme”, afirma
João Marcello Gomes Pinto, fundador e CEO da consultoria de sustentabilidade
Sustentech. Segundo o executivo, esses profissionais podem protagonizar uma transformação positiva do segmento. “É o que pretendemos na CASACOR:
levar conhecimento para que o elenco crie propostas cada vez mais sustentáveis, sabendo que toda pequena escolha faz diferença nos cálculos de impacto”, diz.
Especificação consciente
Para isso, a Sustentech se baseia na metodologia conhecida como
Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), regulada por normas internacionais, como ISO 14040 e ISO 14044, a fim de
medir os danos ambientais de um projeto antes de sua execução. “No caso da CASACOR, focamos essa avaliação na mensuração do carbono incorporado aos materiais dos ambientes da mostra, desde a extração da matéria-prima, passando pela manufatura, transporte e instalação até a destinação final do produto”, explica João Marcello.
Atelier Marko Brajovic - Ninho. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Roberta Gewehr/CASACOR)
Este ano três escritórios de arquitetura já receberam a consultoria:
Atelier Marko Brajovic,
Armentano Arquitetura e
Rodra Arquitetura. Eles enviaram o projeto e o memorial descritivo para a equipe técnica da consultoria, que examinou cada um dos itens e suas quantidades e computou o total de emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa referentes a eles – a medida utilizada foi toneladas de CO2e (carbono equivalente). A partir desse inventário, a Sustentech desenvolveu
estratégias de mitigação por meio de algumas substituições. “
Trocas simples diminuem drasticamente o impacto ambiental, já que o mercado oferece várias opções sustentáveis, que não implicam alterações significativas no conceito ou na estética”, completa.
Armentano Arquitetura - Entre Copas Deca. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
Segundo Gomes Pinto, embora seja difícil viabilizar substituições com um cronograma de obra tão apertado, o aprendizado aconteceu e poderá ser levado para projetos futuros desses profissionais. Veja os comentários feitos pelo CEO da consultoria em cada um dos projetos analisados, destacando que as
emissões foram 100% compensadas via créditos de carbono:
- Ninho, do Atelier Marko Brajovic: com 250 m², o projeto liberou 6,35 toneladas de CO2e na atmosfera. O maior impacto (64% do total) foi na estrutura não aparente do radier metálico, que funciona como fundação da instalação. Seria possível usar chapas metálicas com 15% de conteúdo reciclado, o que reduziria em até 26% o volume de emissões, totalizando 4,6 t CO2e.
- Entre Copas – Deca, de João Armentano: o ambiente emitiu 4,17 toneladas de CO2e em seus 253 m². Desse total, 42% das emissões do projeto vieram da estrutura metálica contida nas paredes de dry wall utilizadas, que poderiam ser substituídas por chapas do mesmo material produzidas com até 90% de matérias-primas recicladas.
- Estúdio Potiguar, do Rodra Arquitetura: o espaço de 26 m² emitiu apenas 1,27 tonelada de CO2e, sendo que as placas de MDF usadas nos revestimentos e no mobiliário representaram a maior parte desse volume (embora sejam um material conhecido por sua baixa emissão). Neste caso, a Sustentech apenas recomendou manter a atenção em relação à escolha de fornecedores locais, para que o transporte não implique um aumento nas emissões de gases de efeito estufa.
“Em resumo, os três projetos emitiram um volume muito pequeno de CO2, o que significa que esses profissionais já estejam fazendo sua parte. Com o conhecimento adquirido, eles poderão reduzir esses valores ainda mais daqui em diante”, conclui Gomes Pinto.
Rodra Arquitetura - Estúdio Potiguar. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
Darlan Firmato, diretor de operações do evento, acrescenta: “Ao disponibilizar essas ferramentas para todo o elenco, a CASACOR reforça seu papel de
indutora de uma arquitetura mais adequada a este momento de riscos evidenciados pelas mudanças climáticas e espera que os profissionais passem a adotar esse procedimento em futuros trabalhos”.
Armentano Arquitetura - Entre Copas Deca. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
“Achamos importante essa análise para que se entenda de forma sistêmica o processo de design, construção, uso e legado de cada projeto”, acredita a equipe do Atelier Marko Brajovic, que apresenta a instalação
Ninho, cuidadosamente concebida para inspirar novos modelos de equipamentos urbanos. Para João Armentano, que assina o espaço
Entre Copas – Deca, a sustentabilidade é hoje um tema inescapável na arquitetura contemporânea e deve determinar a atuação de todos os escritórios. “Antevendo esses desafios e com o desejo de certificar a pertinência ao tema proposto, firmamos a parceria não apenas para chancelar nosso ambiente, mas para que os dados nos auxiliem em um
posicionamento estratégico frente às demandas com as quais deparamos em nossa produção”, relata o veterano.
Rodra Arquitetura - Estúdio Potiguar. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
Outro ponto importante trazido pela iniciativa diz respeito à indústria. Segundo o CEO da Sustentech, as empresas ainda comunicam questões ambientais de maneira muito superficial. “Mas quando a gente coloca isso em um
software e quantifica, é possível comparar os materiais.
As principais marcas que estão na CASACOR já contam com esses números para fornecer. As que não chegaram lá começarão a ser cobradas pelos clientes, precisarão investigar o impacto do que produzem e, com o tempo, vão procurar reduzi-lo para se manterem competitivas, gerando um círculo virtuoso”, ele avalia.
Atelier Marko Brajovic - Ninho. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Roberta Gewehr/CASACOR)
Compensar sempre
Além da experiência e do aprendizado que adquiriram nesse processo, os profissionais que aderiram à consultoria tiveram a oportunidade de
zerar as emissões de gases de efeito estufa referentes a seus ambientes na CASACOR São Paulo por meio da
compra de créditos de carbono. Dessa forma, os espaços se credenciaram como carbono neutro e receberam um
selo especial na placa de identificação. A transação foi feita pela empresa
Pachamama em conjunto com a CASACOR, a partir de ativos disponíveis na plataforma da Verra, maior certificadora de créditos de carbono do mundo. A mesma operação ocorre para a compensação das emissões de CO2 de todas as etapas da mostra, do
anuário e também do evento de lançamento da edição paulistana, realizado em novembro de 2024. Por fim, os visitantes poderão neutralizar a pegada de carbono gerada no deslocamento até o Parque da Água Branca ao acrescentar R$ 6 ao valor do ingresso.
Sobre a Sustentech
Fundada em 2007, a
Sustentech é uma consultoria referência em sustentabilidade e certificações ambientais, com atuação em empreendimentos de destaque em todo o Brasil. A consultoria oferece soluções técnicas e estratégicas para medir, reduzir e compensar impactos ambientais, promovendo uma transformação sistêmica no setor da construção e além.