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Sustentabilidade

CASACOR São Paulo recebe certificação que mede o impacto da arquitetura na saúde

Por apresentar ambientes que promovem conforto, saúde e bem-estar, a CASACOR São Paulo torna-se elegível ao selo GBC Life, concedido pelo Green Building Council Brasil. A ação conta com consultoria da Sustentech, parceira de sustentabilidade da mostra, que orientou profissionais do elenco sobre as providências desejáveis nos projetos e fará as medições necessárias para pleitear a certificação

Por Giuliana Capello

Publicado em 7 de jul. de 2026, 11:12

08 min de leitura

Viviane Teles - Biobilheteria. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Viviane Teles - Biobilheteria. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Carolina Mossin/CASACOR)

Um adulto urbano vive cerca de 90% do tempo em locais fechados, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde, considerando o trabalho, as horas em casa e o lazer. Agora imagine: como seria o cotidiano das pessoas se os espaços fossem construídos, desde seus primeiros esboços, mais saudáveis para elas e, por consequência, também para o planeta? “Esse olhar que percebe a arquitetura como promotora de conforto ambiental, saúde e bem-estar é algo ainda na vanguarda do setor, e que abraçamos este ano para disseminar conhecimento e estimular melhorias em todo o segmento da construção”, comenta o diretor de operações da CASACOR, Darlan Firmato.


A tríade da saudabilidade envolve aspecto mensuráveis a partir de bases científicas bastante sólidas. “Não se trata de elementos subjetivos, mas, sim, de qualidade do ar interno, ventilação cruzada, iluminação natural, concentração de biofilia e até dos produtos de limpeza”, fala João Marcello Gomes Pinto, fundador e CEO da Sustentech, consultoria de sustentabilidade parceira da CASACOR. Para implantar esse conceito com efetividade, a edição paulistana conquistou pela primeira vez a certificação GBC Life Performance Rating, do Green Building Council Brasil. “O selo foi criado por profissionais da área médica. No centro da questão está como nos sentimos quando permanecemos em lugares específicos”, explica Felipe Faria, CEO da instituição.

Hugo Ribas - Pira Sesá - Olho de Peixe. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Hugo Ribas - Pira Sesá - Olho de Peixe. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

Ele acrescenta que a certificação adota indicadores divididos em sete categorias: qualidade do ar e da água, biofilia, poluição eletromagnética e três tipos de conforto (térmico, acústico e luminoso). Aqui vale abrir um parêntese: o fato de a exibição acontecer no Parque da Água Branca é, por si só, uma vantagem. “Há boa luminosidade e ventilação cruzada, por exemplo, em razão das grandes janelas de seus edifícios, sem falar que a conexão com a natureza está muito presente”, adiciona Darlan.


Nesse processo, a Sustentech forneceu orientações aos autores de dez ambientes selecionados para que alinhassem suas propostas às diretrizes do selo. “Com tudo pronto, já em operação, vamos realizar uma série de medições de desempenho nessa amostragem de projetos a fim de verificar a adequação aos parâmetros”, explica João Marcello. Entre eles, estão a Biobilheteria e o Speakeasy.

Studio Gaibola - SPEAKEASY. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Studio Gaibola - SPEAKEASY. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Carolina Mossin/CASACOR)

As medições foram validadas por auditoria e encaminhadas ao GBC Brasil. Mediante a comprovação de bons resultados, a organização emitiu a certificação. “Arquitetos e designers já têm muita intuição sobre como alcançar espaços mais saudáveis. Nosso trabalho é disponibilizar mais conhecimento técnico sobre o assunto e apresentar soluções efetivas, no intuito de evidenciar o enorme potencial de transformação do setor que eles detêm nas mãos”, comenta o executivo da Sustentech, para quem há muita informação importante ainda pouco divulgada.


“É o caso, por exemplo, de alguns tipos e granito que, dependendo da jazida de extração, podem apresentar níveis mais altos de radioatividade, algo prejudicial em áreas de longa permanência”, afirma. O mesmo acontece com tintas, vernizes, colas de madeira e aromatizadores, que contêm produtos químicos (percebidos ou não pelo olfato) capazes de causar dores de cabeça, náuseas, irritação nos olhos e na garganta, entre outros sintomas até mais graves.

Senac São Paulo + Estúdio Guto Requena - Arena do Conhecimento. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Senac São Paulo + Estúdio Guto Requena - Arena do Conhecimento. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

“Difundir esse entendimento em um evento estratégico como a CASACOR amplifica a visibilidade do tema e coloca a saúde em um patamar de importância real quando falamos tanto de novos empreendimentos imobiliários como da produção industrial de itens de construção. Quando tem acesso a esses dados, o público é impactado e passa a considerar essa vertente em suas escolhas”, argumenta Felipe Faria.

Lição de casa aprimorada

Rafaella Manso Arquitetura - Nota em Linhas. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Rafaella Manso Arquitetura - Nota em Linhas. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

A busca pelo reconhecimento inédito ocorreu após uma década inteira de grandes esforços da marca na seara da sustentabilidade. “Atingimos um ápice da gestão de resíduos, com 99,8% do volume desviado de aterros sanitários, o que já nos rendeu cinco certificados Lixo Zero”, comemora Darlan. Nessa lista ele destaca ainda a compensação das emissões de carbono da mostra, do Anuário e do Eixos CASACOR, encontro presencial que lança anualmente as tendências e revela a temática da edição seguinte.

Panapaná Estúdio - Banheiro Sincrético. Projeto da CASACOR São Paulo 2024.

Panapaná Estúdio - Banheiro Sincrético. Projeto da CASACOR São Paulo 2024. (MCA Estúdio/CASACOR)

Além disso, desde 2024 a Sustentech oferece ao elenco a Análise de Ciclo de Vida (ACV) dos materiais especificados para os ambientes a fim de sugerir trocas que reduzam a pegada de carbono. Depois, é possível compensar as emissões via compra de créditos (neste ano, Rafaella Manso, Hugo Ribas, Isadora Araujo, Viviane Teles e Senac São Paulo + Estudio Guto Requena submeteram seus projetos). Visitantes participam da ação, caso desejem, se optarem por neutralizar o CO2 referente ao deslocamento até o Parque (o valor atual para isso é um adicional de R$ 6,50 sobre o preço do ingresso, cobrado no final da jornada de compra). Agora, com a nova iniciativa, a evolução segue seu curso rumo a uma CASACOR cada vez mais verde.