Em um pingue-pongue exclusivo, arquitetos e designers revelam as referências, memórias e sonhos que moldaram seus projetos na maior edição da mostra
Publicado em 22 de jun. de 2026, 10:56

Elenco da CASACOR Bolívia 2026 (CASACOR/CASACOR)
Por trás de cada ambiente, há uma coleção de referências, memórias e desejos que nem sempre aparecem à primeira vista. Na CASACOR Bolívia 2026, guiados pelo tema “Mente e Coração”, arquitetos e designers foram convidados a transformar emoções em espaços, explorando a casa como um lugar de bem-estar, conexão e significado.
Josue Arroyo, Mónica Justiniano, Rodrigo Medrano - El Primer Latido. (Alvaro Mier/CASACOR)
Após o encerramento da maior edição já realizada pela mostra em Santa Cruz de la Sierra, a CASACOR reuniu alguns dos autores de ambientes que marcaram a temporada — entre eles Josue Arroyo, Mónica Justiniano e Rodrigo Medrano, criadores de El Primer Latido; María Inés Justiniano, de Galería Bibosi; María José Toledo e Nicolás Calvimontes, à frente de Grillata; Taynara Wazilewski, autora de Casa Ecuestre; Roberto Franco, responsável por Casa Laufen; Eduardo Baldelomar, criador de Casa del Valle; e Patricia Barrón, que assinou Mente, Corazón y Cuerpo.
María Inés Justiniano - Galería Bibosi. Ambiente da CASACOR Bolívia 2026. (Alvaro Mier/CASACOR)
Em um pingue-pongue exclusivo, os profissionais compartilham as inspirações por trás de seus projetos, revelam as referências que orientam seus processos criativos e falam sobre os sonhos e caminhos que continuam a mover suas trajetórias.
María José Toledo e Nicolás Calvimontes - Grillata. (Alvaro Mier/CASACOR)
Josue Arroyo: A bilheteria costuma ser um espaço de transição, um lugar por onde as pessoas passam sem parar. Por isso, buscamos incorporar elementos capazes de atrair naturalmente os visitantes e transformar esse ponto de passagem em uma experiência significativa. Assim nasceu o conceito de uma praça de encontro, uma galeria de arte inspirada na Copa do Mundo de Futebol e um percurso longitudinal que convida a uma experiência mais pausada e contemplativa.
María Inés Justiniano: A Galeria Bibosi nasce da busca por um espaço que conecte natureza, arte e memória. Inspirei-me no bibosi e no motacú (árvores típicas), elementos profundamente ligados à paisagem e à identidade de Santa Cruz, bem como no legado poético de Raúl Otero Reiche. O projeto propõe uma experiência de percurso onde a arquitetura se transforma em um meio para nos reconectarmos com as nossas raízes e com o entorno natural.
María José Toledo: Nossa inspiração nasce de uma visão muito pessoal do lar como um lugar de encontro emocional, onde acontecem sentimentos humanos intensos e inspiradores, como o ato de compartilhar com os seus — ao redor da comida, ao redor da brasa, do fogo — para sentir felicidade, emoção e amor. Colocamos no projeto a importância de desacelerar, compartilhar e nos reconectarmos com os outros.
Taynara Wazilewski: Este ano, a inspiração do espaço foram os cavalos e o mundo equestre.
Roberto Franco: O desafio era alcançar a emoção a partir da simplicidade. Em um contexto onde tudo tende a ser mais expressivo ou carregado, minha intenção foi fazer o oposto: construir uma experiência muito silenciosa, mais precisa, mas com a mesma força. Mostrar que o essencial, quando é bem pensado, pode ser memorável.
Eduardo Baldelomar: Seguindo o tema Mente e Coração, projetei um espaço que presta homenagem à cultura do povo de Vallegrande, trazendo elementos da arquitetura, dos costumes e das tradições para propor uma casa de campo totalmente contemporânea, mas com aquele ar de antigamente que nos faz sentir acolhidos e nostálgicos. Vallegrande é uma terra de pessoas muito trabalhadoras, orgulhosas de sua cultura e com histórias de superação muito inspiradoras. Uma delas é a do meu pai, que saiu do campo para buscar dias melhores na cidade e dar um futuro melhor para os filhos — o espaço é uma homenagem a ele.
Patricia Barrón: Quando escolhi o ESPAÇO 28, foi pelo significado do número. O número 28 é considerado um número perfeito e um símbolo de fortuna, abundância e sucesso pessoal. Na numerologia, representa equilíbrio, liderança e perseverança, sendo frequentemente associado à realização de metas.
Taynara Wazilewski - Casa Ecuestre. Ambiente da CASACOR Bolívia 2026. (Alvaro Mier/CASACOR)
Josue Arroyo: Mente e Coração é um conceito amplo que permite múltiplas interpretações. Dentro desse universo, a bilheteria busca reunir as diferentes gerações que visitam a mostra por meio de um elemento comum: o futebol. Essa escolha ganha especial relevância em um ano de Copa do Mundo, quando esse esporte desperta emoções e memórias compartilhadas. Ao mesmo tempo, incorporamos referências locais e tradicionais.
María Inés Justiniano: O conceito Mente e Coração está presente em cada decisão do projeto. A mente traz estrutura, ordem e clareza ao percurso espacial, enquanto o coração se manifesta na emoção, na memória e na conexão com a identidade cultural. A Galería Bibosi busca equilibrar ambos os aspectos para gerar uma experiência que transcenda o visual e se transforme em uma vivência sensível e significativa.
María José Toledo: Mente e Coração destaca os elementos do interior humano e a conexão com a habitabilidade física. A coifa escultural, sendo o principal elemento do projeto, representa a mente: a estrutura, o fixo, o imóvel, o funcional e o calculado da mente humana, que ilumina o coração, representado pela ilha da churrasqueira. Essas metáforas criam um espaço requintado, aberto e funcional, acompanhado de elementos naturais.
Taynara Wazilewski: Ao pensar no tema deste ano, fui levada a refletir de que maneira eu poderia conectar mais a minha mente com o meu coração. Isso me trouxe memórias da minha infância, época em que eu convivia diariamente com cavalos. Busquei recriar essa conexão com o animal, que é tão majestoso e puro "coração", para trazer essa paz para a minha vida.
Roberto Franco: A mente surge como a ordem, a precisão e a geometria limpa da arquitetura que apresentaremos — o detalhe técnico que ela possui, as emendas, os encontros de materiais e os alinhamentos. Já o coração é representado pela forma como a luz entra no projeto através das árvores, pela temperatura do material frio em contraste com a cor quente selecionada para vestir o ambiente internamente, e por texturas com muita personalidade que convidam a ficar. O coração é isso: o elemento que fará com que o projeto não seja apenas executado corretamente, mas que seja memorável.
Eduardo Baldelomar: Eu busquei trazer memórias afetivas, traços ancestrais e energia orgânica através do uso de materiais naturais que nos conectam com as nossas origens. O manifesto Mente e Coração nos convida a criar espaços que se transformem em um refúgio que nos recarregue as energias e nos cure, uma casa que nos abrace e nos acalente.
Patricia Barrón: Sob esse conceito nasce este espaço, um lugar pensado como uma experiência integral onde mente, coração e corpo convergem. O ambiente propõe uma pausa consciente dentro do ritmo cotidiano, convidando a uma desconexão que nos conecta com o essencial. A mente encontra o seu lugar na biblioteca, um refúgio de conhecimento, inspiração e reflexão. O coração é ativado através do cinema, onde as histórias geram emoção, empatia e conexão. E o corpo se expressa na ioga, como uma prática de equilíbrio, presença e bem-estar.
Roberto Franco - Tienda Eurochronos. (Alvaro Mier/CASACOR)
Josue Arroyo: Meu trabalho é guiado pelos princípios da neuroarquitetura, entendendo o design como uma ferramenta para melhorar a experiência humana. Mais do que a estética, busco criar espaços funcionais, confortáveis e sensorialmente enriquecedores, capazes de gerar bem-estar e elevar a qualidade de vida de quem os habita. A beleza, nesse sentido, surge como uma consequência natural de um design bem concebido.
María Inés Justiniano: Meu trabalho é guiado pela arquitetura orgânica, pelo design sensorial e pela relação entre as pessoas e os espaços que elas habitam. Encontro inspiração na natureza, nos materiais nobres e nas expressões culturais que constroem identidade. Interessa-me criar projetos que combinem funcionalidade, estética e emoção, gerando experiências autênticas e conectadas com o contexto local.
María José Toledo: Nossas principais referências nascem da observação da natureza e do próprio corpo humano. Inspira-nos o fato de que, na natureza, quase nada é completamente reto; por isso, em nossos projetos buscamos um equilíbrio entre linhas retas e curvas, combinando ordem, fluidez e movimento. Além da estética, damos grande importância a aspectos como a iluminação natural, a ventilação e o conforto de quem habita os espaços.
Taynara Wazilewski: Em primeiro lugar, as experiências que os espaços são capazes de gerar nas pessoas. Ao projetar, busco sempre melhorar a qualidade de vida delas. Também me inspira o equilíbrio entre estética e funcionalidade, buscando criar ambientes que transmitam a identidade de seus habitantes. E uma das minhas maiores referências é a exploração de texturas e materiais aplicados de formas inesperadas.
Roberto Franco: Mais do que referências específicas de arquitetos, guio-me muito por viagens, gastronomia, pela simplicidade e sensibilidade da vida mediterrânea e pela hospitalidade contemporânea.
Eduardo Baldelomar: Há cinco anos decidi focar o meu trabalho na pesquisa da nossa cultura, valorizando o artesanato e com o objetivo de criar espaços cheios de identidade. Acredito que o nosso compromisso — à medida que ganhamos mais visibilidade e temos o privilégio de estar presentes em plataformas de arquitetura e design internacionais — é estudar a nossa cultura com respeito, reinterpretá-la e comunicá-la através de propostas contemporâneas.
Patricia Barrón: A linha geral que mantenho no meu trabalho é a certeza de que um espaço bem projetado é uma necessidade para o bem-viver e, por si só, um luxo. Com o tempo, moldei um olhar sensível e versátil, onde cada projeto busca equilibrar funcionalidade, estética e emoção, entendendo a arquitetura como uma linguagem que acompanha e melhora a forma como habitamos.
Eduardo Baldelomar - Casa del Valle. Ambiente da CASACOR Bolívia 2026. (Alvaro Mier/CASACOR)
Josue Arroyo: Fazer parte da CASACOR representa um marco profissional importante. É uma experiência que traz maturidade à minha trajetória e me impulsiona a assumir novos desafios e padrões de excelência. Ser parte da mostra significa integrar uma plataforma reconhecida internacionalmente por sua capacidade de reunir os profissionais mais destacados do design, da arquitetura e do paisagismo.
María Inés Justiniano: A CASACOR representa uma oportunidade de crescimento, aprendizado e projeção profissional. É uma plataforma que impulsiona a criatividade, permite compartilhar uma visão própria do design e dialogar com profissionais, marcas e visitantes. Participar desta mostra significa assumir novos desafios e contribuir para a construção de espaços que inspiram e geram experiências memoráveis.
María José Toledo: É uma porta aberta para que conheçam não apenas o nosso trabalho, mas a nossa essência como equipe, como arquitetos e profissionais. A CASACOR Bolívia nos permite conectar não só com novos clientes, mas também com outros profissionais, fornecedores e marcas.
Taynara Wazilewski: Participar da CASACOR representa a oportunidade de mostrar o meu trabalho em uma plataforma de grande relevância, onde a cada ano posso desenvolver propostas mais ambiciosas e desafiadoras. É uma ocasião para oferecer aos visitantes uma pequena amostra das sensações e experiências que um espaço bem projetado pode gerar. Além disso, é um cenário onde meu estilo, criatividade e visão do design podem se expressar com total liberdade.
Roberto Franco: A CASACOR tem sido uma catapulta para o meu trabalho, uma plataforma e um espaço seguro onde pude crescer profissionalmente. Hoje, a CASACOR é uma maneira de mostrar a evolução do meu trabalho depois de já ter participado de nove edições.
Eduardo Baldelomar: Tenho uma história linda com a CASACOR. Primeiro na Bolívia, onde participo desde o início ao longo destes 13 anos, e depois em São Paulo, onde completo minha terceira participação e onde já montei meu escritório de arquitetura. Fiz do meu nome uma marca e abriram-se oportunidades que hoje estou aproveitando com a maior responsabilidade possível. A CASACOR é a maior vitrine de design, arquitetura e paisagismo das Américas e nos permite mostrar nossa riqueza cultural como latinos.
Patricia Barrón: A CASACOR representa uma plataforma para os profissionais, uma vitrine nacional que reúne e destaca o talento do nosso país, dando-nos a oportunidade de mostrar o nosso trabalho tanto em nível local quanto internacional, gerando conexões e oportunidades que impulsionam o nosso crescimento na indústria.
Patricia Barrón - Espacio 28 - Mente, Corazón y Cuerpo. (Alvaro Mier/CASACOR)
Josue Arroyo: Minha carreira tem sido marcada por um forte interesse em projetos urbanos e no design centrado nas pessoas. Gostaria de desenvolver edifícios de alto impacto social, como hospitais ou escolas, onde a arquitetura possa contribuir diretamente para o bem-estar da comunidade. Além disso, sonho em projetar um grande edifício corporativo que se torne uma referência urbana e contribua para transformar o skyline (horizonte) de uma cidade.
María Inés Justiniano: Sonho em desenvolver projetos de grande escala onde arquitetura, design de interiores, paisagismo e arte se integrem de maneira completa. Gostaria de projetar espaços culturais e de hospitalidade que representem a identidade boliviana contemporânea, capazes de gerar experiências imersivas e deixar uma marca emocional em quem os visita.
María José Toledo: Mais do que sonhar com uma obra em particular, sonhamos que a Cavato Arquitectos ultrapasse fronteiras. Aspiramos que a nossa marca esteja presente não apenas em nível nacional, mas internacional, desenvolvendo projetos que reflitam nossa essência como equipe, como profissionais e nossa forma de entender e projetar a arquitetura.
Taynara Wazilewski: No momento, estou sonhando em projetar uma hípica (cocheira) e também sonho em assinar um projeto internacional na praia, de frente para o mar.
Roberto Franco: Tenho a satisfação de já ter realizado muitos projetos interessantes com o meu escritório, tanto residenciais quanto comerciais. Mas eu diria que fazer parte do projeto de um aeroporto é um grande sonho.
Eduardo Baldelomar: Quero criar espaços que narrem a diversidade do meu país em propostas contemporâneas, em ambientes que possam ser desfrutados por todas as pessoas. Adoraria projetar um centro cultural que integrasse espaços como galerias, auditórios, praça e área gourmet.
Patricia Barrón: Para mim, todos os meus projetos são o projeto dos sonhos, já que eu amo e aproveito o que faço cada minuto do dia.