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Paisagismo, Cidades

São Paulo ganhará novo parque com área superior a 60 Ibirapueras

Novo parque se tornará uma das principais unidades de conservação de proteção integral do país, atendendo a reivindicação histórica de ambientalistas

Por Milena Garcia

Publicado em 20 de nov. de 2025, 12:00

05 min de leitura
Parque Estadual do Morro Grande

Parque Estadual do Morro Grande (Prefeitura de Cotia/Divulgação)

A Região Metropolitana de São Paulo receberá um novo parque com enorme relevância ambiental: o Parque Estadual do Morro Grande, resultado da classificação oficial da Reserva Florestal do Morro Grande, entre Cotia e Ibiúna. A abertura ao público está prevista para o próximo semestre, segundo o governo do estado.


Com 10.870 hectares, dimensão equivalente a mais de 60 Ibirapueras, o parque se tornará uma das principais unidades de conservação de proteção integral do país, reforçando o compromisso com a preservação da Mata Atlântica e com a ampliação de áreas verdes protegidas no entorno da capital paulista.

Proteção integral em área de Mata Atlântica


Parque Estadual do Morro Grande

(Prefeitura de Cotia/Divulgação)

A nova classificação do Morro Grande transfere sua gestão para a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e estabelece regras rígidas de conservação. Como unidade de proteção integral, o espaço terá visitação controlada, voltada principalmente para educação ambiental, pesquisa científica e trilhas monitoradas.


Com 87% da área formada por floresta nativa, o novo parque torna-se um dos maiores fragmentos preservados de Mata Atlântica antiga no estado, o que reforça sua importância ecológica em uma região tão próxima da urbanização intensa.

Biodiversidade e capacidade hídrica como destaques


Parque Estadual do Morro Grande

(Prefeitura de Cotia/Divulgação)

O Morro Grande é considerada uma das florestas mais estudadas de São Paulo. Inventários científicos registram 260 espécies de árvores, quase 200 tipos de aves (incluindo 13 ameaçados de extinção), dezenas de mamíferos e uma das maiores comunidades conhecidas de aranhas orbitelares, indicadoras de alta qualidade ambiental.


Além da biodiversidade, o novo parque tem papel estratégico para a segurança hídrica. Ele abriga a Represa da Graça e protege as nascentes e cabeceiras do Rio Cotia, que alimentam o Sistema Produtor Cotia. Esse sistema é responsável pelo abastecimento de água para cerca de 400 mil pessoas da Região Metropolitana de São Paulo.

Marco para o ambientalismo brasileiro


A criação do Parque Estadual do Morro Grande atende a uma reivindicação histórica de ambientalistas. Desde a década de 1970, grupos da região defendem a preservação da área, que chegou a ser ameaçada por um projeto de aeroporto — movimento considerado um marco inicial do ambientalismo no Brasil.


A consolidação do novo parque simboliza a vitória dessa mobilização e reforça a função social das unidades de conservação. Além de promover a proteção de ecossistemas-chave, o espaço se tornará polo de pesquisa, educação ambiental e turismo sustentável, aproximando a população de um dos remanescentes mais valiosos da Mata Atlântica paulista.