É em um grande living ao ar livre, onde o tempo desdobra sua manta verde, que as
plantas exóticas dançam ao som dos ventos, com suas
flores exuberantes e
formas curiosas. As
espécies nativas, guardiãs do solo e da fauna, revelam a sabedoria de muitas eras e oferecem abrigo aos pássaros e abelhas em um eterno
balé de sustentabilidade, que enaltece e acompanha os contornos da arquitetura modernista de um dos prédios mais icônicos do país, o
Conjunto Nacional. Esse é o DNA do
Mirante Paulista, projeto assinado pelos paisagistas
Catê Poli e
João Jadão para a
36ª edição da CASACOR São Paulo. No ambiente, a dupla investe sua experiência e metodologia para
identificar e combinar as espécies nativas e exóticas, bem como as suas características, além de sugestões valiosas para o plantio e cultivo.
O que são plantas nativas e exóticas?
Catê Poli e João Jadão - Mirante Paulista. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Evelyn Muller/CASACOR)
Catê Poli explica que as plantas nativas são aquelas
encontradas naturalmente em uma determinada região ou ecossistema, em outras palavras, que se desenvolve dentro dos seus limites naturais, incluindo a sua área potencial de dispersão. “Elas evoluíram e se adaptaram às condições climáticas, solo, fauna e a flora dos locais ao longo dos tempos”, esclarece. Entre as espécies encontradas no Mirante Paulista estão a
jabuticabeira,
samambaia,
guaimbê e
clusia, dentre outras. Ainda de acordo com a paisagista, as
plantas exóticas são aquelas introduzidas em uma área ou ecossistema onde não ocorreriam naturalmente. “Elas são originárias de outros lugares, geralmente de outros países ou continentes”, diz. Para a edição atual da
CASACOR, ela e João Jadão trouxeram variedade como a
ripsális (África/Sri Lanka),
palmeira-fênix (Ásia/Tailândia),
palmeira-traquicarpo (Ásia/China),
inhame preto brilhante (Ásia Tropical),
areca-bambu (Madagascar);
jiboia (Oceania) e a
alocasia portora.
A criação do projeto "Mirante Paulista"
Catê Poli e João Jadão - Mirante Paulista. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. Na foto, varanda com jardim. (Evelyn Muller/CASACOR)
Um
moodboard com tons terrosos e verdes denotam o gradiente de cores que não se repete. Com
150 m² de área externa, uma harmoniosa e ampla varanda de estar conecta a esperança no coração e na alma de quem visita o espaço. “
Unimos culturas, tradições e natureza em uma só voz. Na realização do nosso projeto, investimos na diversidade e preservamos a essência das plantas nativas e exóticas com tudo o que elas nos oferecem”, comenta João Jadão.
Das prediletas eleitas pelos profissionais estão a
jabuticabeira, única frutífera entre as espécies, que não é novidade em suas participações na maior mostra de decoração e paisagismo da América Latina. O apreço de ambos tem seus motivos: além de ser nativa da Mata Atlântica,
ela desperta as mais tenras memórias afetivas, de quando a doce fruta de casca roxa e polpa branca era degustada diretamente dos pés acessados nos quintais de outrora. Já entre as exóticas, o destaque é a
palmeira traquicarpo, que pode suportar tanto o frio como o calor intenso, tornando-se
adequada para uma ampla gama de climas.
Ainda segundo ela, é importante
considerar o impacto dessas plantas nos ecossistemas nativos, apesar de serem belas e práticas. A escolha responsável de plantas exóticas não invasoras e a integração de plantas nativas podem contribuir para um paisagismo mais equilibrado e sustentável.
Como identificar as plantas nativas e exóticas?
Catê Poli e João Jadão - Mirante Paulista. Plantas nativas exuberantes e muitas texturas compõem este jardim-miradouro de 150 m², no qual o tema Corpo & Morada aparece de modo sutil, nas formas orgânicas do mobiliário e nos diversos itens feitos a mão presentes no décor. Na quinta vez em que Catê Poli e João Jadão participam juntos da mostra, a dupla planejou uma grande varanda onde os visitantes podem descansar enquanto admiram o movimento da avenida mais amada pelos paulistanos. Belo modo de ressaltar o contraste entre o natural e o urbano. (Evelyn Muller/CASACOR)
As espécies de plantas nativas e exóticas, podem ser localizadas nos guias e bibliografias de botânicas, além de diversos livros especializados que fornecem informações destas plantas presentes em diferentes regiões. Esses recursos geralmente incluem ilustrações, descrições e características distintivas das espécies que podem ajudar na identificação. Ademais, os paisagistas também sugerem
entrar em contato com especialistas locais em botânica e
órgãos de conservação da natureza ou jardinagem como meios de obter mais referências e orientações, bem como o acesso em sites e aplicativos especializados.
Catê Poli e João Jadão - Mirante Paulista. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. Na foto, varanda com jardim. (Evelyn Muller/CASACOR)
É importante ressaltar que o cultivo e uso de plantas exóticas pode estar
sujeito às regulamentações específicas em diferentes estados e municípios brasileiros. Dessa forma, é aconselhável uma consulta prévia às leis e regulamentos locais. Para quem busca encontrar um local para aquisição de espécies nativas, procure por
viveiros especializados, feiras de plantas e eventos de conservação, programas de recuperação do ecossistema, ou grupos de jardinagens, sugere a dupla de paisagistas. De acordo com João, as plantas nativas oferecem muitas vantagens em relação às exóticas, pois
demandam menos cuidados e são mais resistentes – pela formação, se adaptaram às condições climáticas, ao solo e aos padrões de chuva específicos de uma determinada região. “Isso significa que
elas estão naturalmente adaptadas ao ambiente local, tornando-as mais resistentes a pragas, doenças e condições adversas”, comenta.
Catê Poli e João Jadão - Mirante Paulista. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. Na foto, varanda com jardim. (Evelyn Muller/CASACOR)
6 dicas dadas para unir o melhor das espécies em um único jardim, por Catê e João: - Planejamento consciente: ao projetar o jardim, leve em consideração a combinação de plantas exóticas e nativas de forma equilibrada, sempre reservando áreas específicas ou grupos harmoniosos para cada tipo de planta;
- Escolha de plantas nativas: priorize a utilização diversidades nativas no jardim, que são essenciais para a conservação da biodiversidade e para a criação de habitats de insetos, pássaros e outros animais locais;
- Destaque as características únicas das plantas exóticas: escolha espécies que possuam características estéticas ou funcionais bastante distintas. Esse olhar pode incluir flores exuberantes, folhagens coloridas, formas interessantes ou texturas diferentes;
- Mimetismo ecológico: opte por plantas exóticas que se assemelhem às nativas em termos de aparência e características de crescimento. Dessa forma, se obtém a beleza estética desejada das plantas exóticas, enquanto se mantém a integridade ecológica do jardim;
- Manutenção e cuidado apropriados: assegure-se de fornecer o cuidado adequado tanto para as plantas exóticas, quanto para as nativas. Essa lista inclui a rega adequada, poda regular, remoção de plantas invasoras e o manejo integrado de pragas;
- Educação e consciência: compartilhe informações sobre a importância da utilização de plantas nativas e da diversidade de espécies em um jardim. Incentive a conscientização sobre a conservação da biodiversidade e os benefícios de se ter um jardim sustentável e amigável para a fauna local.
“Lembre-se de que o
equilíbrio é fundamental. Ao combinar um jardim com mais plantas nativas você pode criar um ambiente bonito e atrativo, ao mesmo tempo em que preserva a
integridade ecológica e promove a sustentabilidade”, finaliza a dupla de paisagistas
Catê Poli e
João Jadão.