Aprenda como cuidar de figueira em casa, conheça suas características, tipos ideais para áreas internas e externas e veja como cultivar e fazer mudas
Publicado em 26 de nov. de 2025, 19:00

Vários tipos de figueira, desde as espécies frutíferas até as ornamentais, mostram como a planta é versátil e pode transformar tanto áreas internas quanto jardins. (Reprodução/Divulgação)
A figueira é uma das plantas frutíferas mais antigas cultivadas pelo ser humano e, nos últimos anos, ganhou destaque também como espécie ornamental dentro e fora de casa. Versátil, resistente e adaptável a diferentes climas do Brasil, ela pode ser cultivada tanto em vasos quanto em jardins, desde que receba as condições adequadas de luz, solo e rega. Além de fornecer frutos saborosos, a figueira também se destaca pela folhagem exuberante, que traz um charme mediterrâneo para varandas, quintais e até salas bem iluminadas.
(Unsplash/Divulgação)
Cultivar figueira em casa é mais simples do que muitos imaginam, e esse guia apresenta tudo o que você precisa saber: origem, características botânicas, principais tipos, quais variedades vão melhor em áreas internas e externas, além de orientações práticas para plantar, cuidar e produzir suas próprias mudas.
Figueira (Ficus carica). (Urban Jungle/Divulgação)
A figueira (Ficus carica) é originária do Mediterrâneo e da Ásia Ocidental, sendo uma das primeiras espécies domesticadas pelo homem. Seu cultivo se espalhou pela Europa, África e, posteriormente, pelas Américas, onde encontrou clima favorável. É uma planta que se adapta bem ao calor, aprecia sol pleno e tolera períodos curtos de seca — características que explicam sua popularidade em regiões tropicais e subtropicais.
Figueira (Ficus carica). (RawPixel/Freepik/Divulgação)
Botanicamente, a figueira é um arbusto ou pequena árvore que pode chegar a 3 a 10 metros de altura em solo aberto, embora permaneça bem menor quando cultivada em vasos. Suas folhas são grandes, lobadas e aromáticas, com textura mais rígida, o que confere à planta um aspecto ornamental marcante. Os frutos, conhecidos como figos, na verdade são infrutescências que se formam a partir de flores internas — uma curiosidade botânica que sempre surpreende quem cultiva pela primeira vez.
Outra característica importante é o látex branco liberado quando galhos ou folhas são cortados. Ele pode causar irritação na pele sensível, por isso recomenda-se cautela ao realizar podas.
Existe uma variedade significativa de figueiras usadas tanto para produção de frutos quanto para fins ornamentais. Algumas são mais adequadas ao quintal, outras ao cultivo interno. Veja as principais:
Figueira-comum (Ficus carica). (Brasil Holístico BRAH/Divulgação)
É a mais conhecida e a que produz os figos tradicionais. Possui porte médio, folhas grandes e é ideal para áreas externas e quintais ensolarados. Pode ser cultivada em vasos grandes em varandas, desde que receba luz direta diariamente.
Melhor para: áreas externas, varandas ensolaradas e jardins.
Figueira-lira (Ficus lyrata) (Unsplash/Divulgação)
Popular em projetos de interiores, tem folhas grandes em formato de lira, com presença forte na decoração. Não é a mesma espécie da figueira de frutos, mas pertence ao mesmo gênero, sendo cultivada principalmente como ornamental.
Melhor para: áreas internas bem iluminadas, salas, escritórios e varandas sombreadas.
Figueira-benjamim (Ficus benjamina). (Epic Gardening/Divulgação)
Muito usada em paisagismo urbano, possui porte grande, copa densa e folhas pequenas. Em ambientes internos, exige bastante luz indireta. Em áreas externas, pode atingir grandes alturas, sendo uma árvore robusta.
Melhor para: áreas externas e espaços amplos; pode ser mantida dentro de casa temporariamente.
Figueira-borracha (Ficus elastica). (Masa Zeks/Unsplash/Divulgação)
De folhas largas e brilhantes, é resistente, pouco exigente e muito usada como planta ornamental. Suporta meia-sombra e cresce bem em vasos.
Melhor para: interiores bem iluminados e áreas externas semi-sombreadas.
Para interiores: Ficus lyrata, Ficus elastica e Ficus benjamina (em ambientes claros).
Para exteriores: Ficus carica (produção de frutos), Ficus benjamina e Ficus elastica.
Se o objetivo é colher figos, escolha obrigatoriamente a Ficus carica, pois as demais são apenas ornamentais.
Figueira-benjamim (Ficus benjamina), (Niklas/Unsplash/Divulgação)
Para manter uma figueira saudável e produtiva, é importante seguir alguns cuidados essenciais:
A figueira-comum exige sol pleno, recebendo ao menos 4 a 6 horas de luz direta por dia. Em vasos internos, coloque-a próxima a janelas grandes e ensolaradas. Figueiras ornamentais toleram meia-sombra.
O substrato deve ser leve, fértil e com boa drenagem. Uma mistura eficiente é:
1 parte de terra vegetal
1 parte de composto orgânico
1 parte de areia grossa ou perlita
O pH levemente ácido a neutro (6 a 7) é ideal.
A figueira gosta de solo levemente úmido, mas não encharcado. Regue quando a camada superficial estiver seca. Em vasos, a drenagem precisa ser impecável para evitar apodrecimento das raízes.
Durante o período de crescimento (primavera e verão), aplique adubo orgânico ou NPK 4-14-8 a cada 45 dias. Isso favorece floração e frutificação. No inverno, reduza as adubações.
Podas anuais ajudam a controlar o tamanho, estimular brotos e melhorar a produção. O inverno é o momento ideal para podar a figueira-comum.
Figueira-borracha (Ficus elastica). (Green Bubble/Divulgação)
Existem dois métodos principais: estaquia e alporquia.
Corte um galho lenhoso com cerca de 20 a 30 cm.
Retire folhas da parte inferior, deixando apenas uma ou duas no topo.
Deixe o galho “cicatrizar” por 24 horas para reduzir a liberação de látex.
Plante a estaca em substrato úmido e bem drenado.
Mantenha o vaso em local iluminado, mas sem sol direto nos primeiros dias.
A raiz surge em 3 a 6 semanas, dependendo da temperatura.
Indicada para galhos mais grossos e plantas maiores.
Faça um pequeno corte circular no galho.
Cubra o corte com musgo úmido e envolva com plástico.
Mantenha a umidade até que as raízes apareçam.
Corte abaixo da raiz formada e plante em um novo vaso.
Figueira-lira (Ficus lyrata). (Julia/Unsplash/Divulgação)
A figueira tem algumas peculiaridades que surpreendem quem começa a cultivá-la. A principal é que o figo não é um fruto comum, mas uma infrutescência cheia de pequenas flores internas, o que explica sua textura e sabor característicos. Ao longo da história, a planta também ganhou forte simbologia: no Mediterrâneo representa fartura, e no Oriente aparece ligada à espiritualidade, como o Ficus religiosa, associado à iluminação de Buda.
Figueira-comum (Ficus carica). (benoit-roy/Unsplash/Divulgação)
Outra curiosidade é sua relação ecológica com pequenas vespas responsáveis pela polinização de algumas espécies do gênero Ficus — um dos exemplos mais interessantes de mutualismo na natureza. Além disso, a figueira possui raízes vigorosas, que se espalham facilmente quando plantada no solo, exigindo local apropriado. Em vasos, esse crescimento é controlado, o que faz da figueira uma opção prática e ornamental para diferentes ambientes da casa.
CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.