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Paisagismo, Ambientes

8 jardins da CASACOR São Paulo que transformam paisagem em experiência

Os jardins da CASACOR São Paulo 2026 revelam novas formas de integrar biodiversidade, contemplação e experiências sensoriais à paisagem contemporânea

Por Milena Garcia

Publicado em 12 de jun. de 2026, 10:00

Mais de 10 min de leitura

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Um portal de cobogós assinala a chegada a este jardim de 330 m², que leva à tiny house vizinha e a mais duas áreas externas antes de desembocar na entrada monumental do primeiro casarão. O projeto nasceu após harmonização prévia do terreno de acordo com a medicina do habitat – daí a presença de três rochas maiores em locais estratégicos. Colmeias do artista João Machado reiteram o papel das abelhas nativas na manutenção da biodiversidade, enquanto totens da série Verdades, de Carol Ambrósio, ampliam a relação entre arte e paisagem. No alpendre, a paisagista dispôs memórias e fragmentos de sua trajetória.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Um portal de cobogós assinala a chegada a este jardim de 330 m², que leva à tiny house vizinha e a mais duas áreas externas antes de desembocar na entrada monumental do primeiro casarão. O projeto nasceu após harmonização prévia do terreno de acordo com a medicina do habitat – daí a presença de três rochas maiores em locais estratégicos. Colmeias do artista João Machado reiteram o papel das abelhas nativas na manutenção da biodiversidade, enquanto totens da série Verdades, de Carol Ambrósio, ampliam a relação entre arte e paisagem. No alpendre, a paisagista dispôs memórias e fragmentos de sua trajetória. (Roberta Gewehr/CASACOR)

Os jardins da CASACOR São Paulo ocupam um lugar de destaque na edição de 2026. Eles assumem o papel de ambientes capazes de construir narrativas, despertar percepções e aproximar o visitante da biodiversidade. Em sintonia com o tema Mente e Coração, a paisagem aparece como uma ferramenta para estimular conexões mais profundas com o entorno.

Bia Abreu Paisagismo - Jardim Onde a Mente Pousa. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Bia Abreu Paisagismo - Jardim Onde a Mente Pousa. (Bia Nauiack/CASACOR)

Ao longo da mostra, o paisagismo se afasta da ideia de cenário e passa a atuar como protagonista da experiência. Espelhos d’água, espécies nativas, percursos sensoriais, áreas de permanência e propostas educativas revelam diferentes maneiras de pensar a relação entre natureza e espaço construído. O resultado é um conjunto de jardins que traduz algumas das discussões mais relevantes do paisagismo contemporâneo.

Valorização de espécies nativas nos jardins da CASACOR


Um dos pontos em comum entre diversos jardins da CASACOR São Paulo 2026 é a valorização da vegetação brasileira. Em vez de buscar referências importadas, muitos projetos direcionam o olhar para espécies adaptadas ao ecossistema do Parque da Água Branca reforçando a importância da biodiversidade e das características próprias de cada território!


Essa escolha também aparece associada a estratégias de menor impacto ambiental. Preservação do solo, respeito à drenagem existente, incentivo a polinizadores e propostas de reaproveitamento das espécies após a mostra demonstram uma abordagem que entende o paisagismo como parte de um sistema mais amplo. Em diferentes escalas, os jardins revelam uma preocupação crescente com a relação entre projeto, natureza e permanência.

Os jardins exuberantes da CASACOR São Paulo 2026


Os projetos apresentados na mostra exploram diferentes maneiras de construir essa relação com a paisagem. Entre propostas contemplativas, educativas e sensoriais, os jardins revelam múltiplas interpretações sobre o papel da natureza na vida contemporânea.

Jardim Respiro, de Ana Lui Paisagismo e Karen Marini Leve Paisagismo

Logo no início do percurso, o ambiente de Ana Lui Paisagismo e Karen Marini apresenta uma curadoria botânica dedicada a espécies brasileiras pouco usuais, organizadas segundo princípios do paisagismo naturalista contemporâneo. O projeto valoriza a dinâmica natural do terreno ao preservar tanto a base do solo quanto sua drenagem original.

Ana Lui e Karen Marini - Jardim Respiro. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Ana Lui e Karen Marini - Jardim Respiro. (Camila Santos/CASACOR)

Em meio à vegetação, o espelho d’água, a escultura Geometria da Alma e o meliponário ampliam a experiência do visitante, reforçando temas ligados à biodiversidade e à convivência entre paisagem e vida natural.

Conhecer Para Preservar, de Pam Faccin

A praça-jardim criada por Pam Faccin propõe uma imersão na complexidade da Mata Atlântica. O percurso conduz o visitante por uma composição formada por vegetação nativa e um piso drenante que cria um mosaico ao longo do caminho.

Pam Faccin Arquiteura Paisagística - Conhecer para Preservar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Pam Faccin Arquiteura Paisagística - Conhecer para Preservar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

O caráter educativo aparece de forma clara no projeto, especialmente por meio do Túnel da Biodiversidade, que apresenta imagens da flora e da avifauna brasileiras. O jardim transforma a experiência da paisagem em uma oportunidade de aproximação com um dos biomas mais importantes do país.

Da Terra ao Solo, de Maria Fernanda Marques

O jardim concebido por Maria Fernanda Marques estabelece uma relação constante entre natureza, arte e memória. A chegada acontece por um portal de cobogós que conduz o visitante por diferentes áreas externas antes de alcançar o primeiro casarão da mostra.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

Ao longo do percurso, rochas estrategicamente posicionadas, colmeias artísticas e totens escultóricos ampliam a leitura da paisagem. A presença das abelhas nativas reforça a importância da biodiversidade, enquanto as obras de arte aprofundam a conexão entre intervenção humana e ambiente natural.

Refúgio Fleury, do Estúdio Musgo

Pensado como um intervalo no meio do circuito da mostra, o projeto do Estúdio Musgo explora pequenas mudanças de percepção por meio da vegetação, da luz e das texturas. A composição utiliza formas geométricas que se desdobram em recortes no deque, criando uma paisagem ritmada e precisa.

Estudio Musgo - Refúgio Fleury. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Estudio Musgo - Refúgio Fleury. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

Espelhos e poltronas distribuídos pelo caminho incentivam a permanência e a observação. Mais do que um jardim de passagem, o projeto se apresenta como um espaço voltado à reorganização da atenção e à experiência sensorial.

Clareira na Mata, de Alexandre Galhego

Uma figueira centenária organiza toda a composição deste jardim. Em torno dela, Alexandre Galhego constrói uma paisagem predominantemente formada por vegetação nativa, instalada de maneira a preservar o solo existente.

Alexandre Galhego Paisagismo - Clareira na Mata. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Alexandre Galhego Paisagismo - Clareira na Mata. (Carolina Mossin/CASACOR)

Painéis de madeira atuam como filtros visuais e ajudam a criar uma atmosfera introspectiva. Entre áreas de permanência, lareiras ecológicas e recantos de descanso, o projeto convida o visitante a desacelerar e observar os elementos naturais que estruturam a experiência.

Entre Folhas, de Pedro Rabelais

Partindo da ideia de que a casa pode ser um território de cura, Pedro Rabelais transforma uma esquina em ponto de encontro. A partir do vértice central do espaço, a vegetação se espalha em diferentes direções, criando uma sensação de continuidade com os ambientes vizinhos.

Pedro Rabelais Paisagismo - Entre Folhas. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Carolina Mossin/CASACOR)

A composição reúne espécies como palmeira-leque e jasmim-manga em uma paisagem frondosa. O compromisso com a sustentabilidade também orienta o projeto, que prevê o uso de materiais orgânicos, água de reúso e o reaproveitamento de todas as plantas após a mostra.

Jardim Ikigai, de Kawai Paisagismo

Inspirado pelo conceito japonês de ikigai (ou seja, aquilo que faz a vida valer a pena), o jardim assinado por Vitor Kodama explora a relação entre propósito, afeto e natureza. Totens revestidos com pedra, espelhos e vegetação criam jogos de reflexos que aproximam visitantes e paisagem.

Kawai Paisagimo - Jardim Ikigai. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Kawai Paisagimo - Jardim Ikigai. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

Distribuídos ao longo do deque, esses elementos estruturam o percurso e reforçam o caráter contemplativo do projeto. Os ikebanas ampliam a conexão com a tradição familiar e cultural.

Jardim Onde a Mente Pousa, de Bia Abreu

O projeto entende o paisagismo como um instrumento para estimular atenção plena e equilíbrio. Organizado em diferentes ambientes, o jardim de Bia Abreu reúne áreas destinadas à atividade física, ao relaxamento e à contemplação.

Bia Abreu Paisagismo - Jardim Onde a Mente Pousa. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Bia Abreu Paisagismo - Jardim Onde a Mente Pousa. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

Água, pedra, madeira, aromas naturais e canteiros em camadas contribuem para uma experiência sensorial que dialoga diretamente com o tema da mostra. O espaço propõe uma pausa consciente em meio ao percurso de visitação.

Serviço – CASACOR São Paulo 2026


  • Quando: de 2 de junho a 9 de agosto de 2026

  • Horários: terça a domingo e feriados, das 11h às 22h

  • Onde: Parque da Água Branca — Rua Dona Ana Pimentel, 40

  • Ingressos: de R$ 70,50 (meia) a R$ 161 (inteira)

  • Bilheteria: online, aplicativo oficial da CASACOR e venda presencial no local

  • Redes sociais: @casacor_oficial

  • Mais informações:https://casacor.abril.com.br/pt-BR/mostras/sao-paulo-2026