O que são os jardins secos e como criar um espaço belo e sustentável, com baixa manutenção e uso consciente de recursos naturais
Publicado em 12 de jul. de 2025, 13:13

Wanderlan Pitangui - Jardim "Os Sertões". A identidade visual puxa para o nordeste brasileiro e se integra à arquitetura proposta pelo ambiente em que está inserido. A inspiração vem do livro de mesmo nome de Euclides da Cunha. O jardim brinca com plantas resistentes, exemplos de resiliência da flora da caatinga, que nascem em solo seco e pobre em nutrientes. Xique-xique, cara de frade, cacto Palma, bromélias ananás e outras bromélias fazem sua composição. (Henrique Queiroga)
A busca por soluções paisagísticas sustentáveis tem levado muitos profissionais e moradores a repensar o uso da água e a manutenção de áreas verdes. Nesse contexto, os jardins secos surgem como uma alternativa inteligente e esteticamente interessante. Inspirados nos princípios da jardinagem oriental e adaptados às condições climáticas mais áridas, esses espaços unem beleza, funcionalidade e economia de recursos, sendo perfeitos para quem deseja um jardim de fácil cuidado, mas sem abrir mão do estilo.
Erico Zoller, Thiago Zoller e André Possolli - Jardim Frontal e Porte Cochere. Um ambiente atemporal, sofisticado e aconchegante, onde a beleza das plantas esculturais contrasta com a aspereza das pedras. A cor e o movimento das plantas, a beleza dos vasos e os movimentos do paisagismo atraem o olhar, embelezam e unem sensações em perfeita harmonia com o arquitetônico ao seu redor, mesclando o moderno e o contemporâneo. (Matheus Kaplun/CASACOR)
Ao contrário dos jardins tradicionais, que dependem de irrigação constante, os jardins secos priorizam o uso de elementos minerais, plantas resistentes à seca e composições que valorizam o visual com texturas, formas e contrastes. Eles não apenas reduzem o consumo de água, como também demandam menos tempo com poda, fertilização e outras manutenções recorrentes.
(Garden Design/Divulgação)
Um jardim seco é um tipo de paisagismo que utiliza predominantemente plantas xerófitas (adaptadas a ambientes áridos), pedras, cascalhos, areia, madeiras e outros elementos inorgânicos. O conceito teve grande influência dos jardins zen japoneses e dos jardins de regiões desérticas, sendo ideal para climas secos ou para quem deseja minimizar o uso da água.
(Epic Gardening/Divulgação)
Esses jardins valorizam o design minimalista, o equilíbrio visual e a contemplação. Por não dependerem de grama ou plantas que exijam irrigação frequente, eles se tornam excelentes opções para áreas urbanas, quintais com solo pobre ou espaços com alta incidência solar.
(Caitlin Atkinson/Divulgação)
Adotar um jardim seco traz diversos benefícios, que vão além da estética:
Baixa manutenção: por utilizar espécies resistentes e elementos minerais, o jardim quase não exige regas, podas ou adubação frequente.
Economia de água: ideal para regiões com escassez hídrica ou para projetos sustentáveis.
Durabilidade: materiais como pedras e areia não se degradam com o tempo, mantendo o aspecto visual por anos.
Estilo contemporâneo: o visual limpo, minimalista e sofisticado combina com diversas linguagens arquitetônicas.
Valorização do imóvel: jardins bem planejados e com soluções de baixo custo de manutenção agregam valor ao projeto paisagístico e à propriedade como um todo.
(Pinterest/Divulgação)
A escolha das plantas é essencial no jardim seco. O ideal é optar por espécies nativas ou adaptadas ao clima da região, que sejam tolerantes à seca. Algumas sugestões:
Cactos: como mandacaru, cacto-orelha-de-coelho e cacto-coluna.
Suculentas: echeveria, rabo-de-burro, aloe vera e crássula.
Agaves e yuccas: com formas escultóricas e grande resistência.
Espécies brasileiras: como bromélias terrestres, espada-de-são-jorge e aloe-vera.
Essas plantas não apenas sobrevivem com pouca água, como também oferecem uma rica variedade de formas, cores e texturas, permitindo composições visuais interessantes e duradouras.
(The Sprouce/Divulgação)
Além das plantas, os elementos inorgânicos são os protagonistas do jardim seco. São eles que definem a estética do ambiente e contribuem para a baixa manutenção. Entre os mais usados, estão:
Pedriscos e seixos: ideais para cobertura de solo e criação de caminhos.
Areia lavada ou branca: cria efeitos visuais leves e remete ao zen japonês.
Rochas ornamentais: como dolomitas, quartzitos ou pedras brutas que adicionam volume e textura.
Madeira tratada e dormentes: servem como passarelas ou bancos naturais.
Vasos e jardineiras em cimento ou cerâmica: reforçam o aspecto contemporâneo e ajudam na organização visual.
Combinar esses materiais com uma paleta de cores naturais e suaves contribui para criar uma atmosfera acolhedora, harmônica e elegante.
(Monrovia/Divulgação)
Criar um jardim seco não exige obras complexas. Com planejamento e escolha certa de materiais, é possível transformar até pequenos espaços. Veja o passo a passo básico:
Escolha o local: priorize áreas com boa drenagem e incidência solar.
Prepare o solo: remova vegetações anteriores e adicione uma camada de manta geotêxtil ou areia grossa para evitar o crescimento de ervas daninhas.
Defina o layout: planeje a disposição das pedras, caminhos e agrupamentos de plantas.
Aplique os elementos: cubra o solo com pedriscos, areias e seixos; posicione vasos, pedras maiores e as plantas escolhidas.
Finalize com detalhes: adicione peças decorativas, iluminação pontual ou bancos de madeira.
Mesmo em varandas e áreas internas, é possível adaptar o conceito com vasos, pedras decorativas e suculentas, criando mini jardins secos funcionais e belos.
(Martha Stewart/Divulgação)
O xeropaisagismo, também conhecido como xeriscaping, é uma técnica de paisagismo sustentável desenvolvida para criar jardins que utilizam mínima irrigação artificial. A palavra tem origem no grego "xeros", que significa "seco", e ganhou destaque especialmente em regiões áridas dos Estados Unidos, como o sudoeste do país. O método promove o uso racional da água ao priorizar plantas nativas ou adaptadas ao clima local, que necessitam de pouca irrigação, além da aplicação de materiais como pedras, cascalhos e solos drenantes.
(Botanical Interests/Divulgação)
Nos jardins secos, o xeropaisagismo se apresenta como a base conceitual, guiando o planejamento e a escolha de espécies e revestimentos. A técnica não apenas favorece a preservação de recursos hídricos, como também reduz os custos de manutenção e promove uma estética natural, que respeita o ecossistema local. Ao adotar o xeropaisagismo, é possível aliar funcionalidade, beleza e consciência ambiental, criando espaços duradouros e bem adaptados às variações climáticas.
CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.