(Fabio Montarroios/CASACOR)
O
IMS Paulista acaba de ganhar um novo espaço de convivência relacionado à exposição
Xingu: contatos, em cartaz no centro cultural. Localizado no 9º andar do IMS e já aberto ao público, o espaço traz uma seleção de livros e filmes de autoria sobretudo indígena. As publicações estão disponíveis para leitura e manuseio e os curtas-metragens são projetados em uma tela. Há ainda um mural composto por ilustrações e palavras em kuikuro, com o qual o público pode interagir. Com pufes e tapetes espalhados pelo chão, o espaço é um local de acolhimento para que adultos e crianças possam fruir o tempo e conhecer um pouco mais sobre as culturas dos povos originários.
Aberto até 9 de abril, quando encerra a exposição, o espaço foi concebido pelo IMS em parceria com a Associação Vaga Lume, organização da sociedade civil dedicada à implantação e manutenção de bibliotecas em comunidades tradicionais da Amazônia Legal, entre elas territórios indígenas e quilombolas, ribeirinhos e de beira de estrada. (Fabio Montarroios/CASACOR)
Entre os livros apresentados, estão obras de autoria de
Daniel Munduruku, Cristino Wapichana, Julie Dorrico e
Eliane Potiguara, entre outros. Já os curtas-metragens exibidos incluem títulos como
Mãtãnãg, a Encantada, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho, O Verbo se Fez Carne, de Ziel Karapotó, e A História da Cutia e do Macaco, de Wisio Kawaiwete e do Coletivo das Cineastas Xinguanas. Os curtas contam com recursos de acessibilidade, como Libras, legendas em português e audiodescrição. Para que o público possa se aproximar do vocabulário kuikuro, uma das línguas indígenas faladas no território do Xingu, há ainda um mural composto por palavras e ilustrações. As peças do painel têm dois lados, podendo ser giradas e manuseadas. Em uma das faces, há uma ilustração feita pela artista danirampe e, na outra, a palavra correspondente em kuikuro, português e braille.
Sobre a parceria, a
Associação Vaga Lume afirma: "Estamos no chão das bibliotecas comunitárias da Amazônia há mais de 20 anos e podemos perceber o impacto da leitura na vida de crianças a mais velhos, acessar a literatura de autoria indígena é ampliar leitura de mundo e conhecer o que há de mais rico da cultura originária e contemporânea." O espaço conta com mediadores disponíveis para conversar com o público e incentivar a fruição, leitura e interação.
(Fabio Montarroios/CASACOR)
Exposição Xingu: contatos
Em cartaz desde novembro de 2022, a mostra revisita a trajetória de lutas e resistências do Xingu, primeiro grande território indígena demarcado no Brasil, em 1961. Exibida no 7º e no 8º andar do centro cultural, a exposição apresenta múltiplas narrativas e olhares em torno do território, tendo como destaque a produção audiovisual indígena contemporânea, que tem no Xingu um de seus principais pólos.
O conjunto inclui seis curtas-metragens, feitos especialmente para a exposição, de autoria de Divino Tserewahú, Kamatxi Ikpeng, Kamikia Kisêdjê, Kujãesage Kaiabi, Piratá Waurá e do Coletivo Kuikuro de Cinema. A mostra traz ainda um trabalho inédito do artista Denilson Baniwa, fotografias produzidas pelos comunicadores indígenas da Rede Xingu +, e um mural, com grafismos alto-xinguanos, criado pelo artista Wally Amaru na empena de um prédio na rua da Consolação. Em diálogo, são exibidos imagens, reportagens e outros documentos produzidos no Xingu por não indígenas desde o final do século 19. A equipe de curadoria é formada pelo cineasta
Takumã Kuikuro, diretor de documentários como As hiper mulheres (2011), pelo jornalista
Guilherme Freitas, editor-assistente da serrote, revista de ensaios do IMS, e pela assistente de curadoria
Marina Frúgoli.
Serviço
Espaço de convivência - leituras, filmes e mural de ilustrações e palavras em kuikuro 9º andar do IMS Paulista Visitação: até 9 de abril de 2023
Xingu: contatos 7º e 8º andar do IMS Paulista Visitação: até 9 de abril de 2023
IMS Paulista Avenida Paulista, 2424 São Paulo, SP Entrada gratuita
Horário de funcionamento: Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h