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Gastronomia

472 anos de São Paulo: 6 pratos clássicos para celebrar

Conheça pratos clássicos que nasceram em São Paulo e ajudam a contar a história da cidade por meio da gastronomia, em celebração aos seus 472 anos

Por CASACOR Publisher

Publicado em 25 de jan. de 2026, 14:00

08 min de leitura
Arroz Biro-Biro.

Arroz Biro-Biro. (Empório Sao João/Divulgação)

São Paulo não é apenas o principal polo gastronômico do país — é também um território onde histórias, culturas e afetos se encontram à mesa. Em meio à rotina acelerada da metrópole, entre bares, cantinas familiares, restaurantes tradicionais e lanchonetes que atravessam madrugadas, surgiram pratos que ajudaram a contar a trajetória da cidade.

São Paulo - vista da Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira - cartão postal

São Paulo - vista da Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira - cartão postal (Denilson Santos de Oliveira/Divulgação)

Receitas pensadas para saciar a fome do cotidiano, acolher trabalhadores, celebrar encontros ou aproveitar ingredientes disponíveis acabaram atravessando décadas e conquistando o status de clássicos. Mais do que uma lista de receitas, é um passeio pela memória paulistana e um convite para celebrar, no aniversário da cidade, sabores que ajudaram a definir a identidade gastronômica da maior metrópole brasileira.

1. Cuscuz Paulista


Símbolo da cozinha afetiva paulista, o cuscuz paulista é fruto direto do encontro entre culturas que moldaram a mesa do estado. Herdeiro do cuscuz de origem árabe — trazido pelos portugueses e adaptado no Brasil colonial —, ganhou identidade própria a partir do uso do milho, ingrediente abundante no interior de São Paulo. Ao longo do tempo, a receita incorporou elementos da culinária caiçara e tropeira, como camarão, ovos, sardinha e legumes, refletindo tanto a vida no litoral quanto os caminhos do interior.

Cuscuz Paulista.

Cuscuz Paulista. (Hospedaria/Divulgação)

“Mais do que uma receita, o cuscuz paulista é memória afetiva em forma de comida. Ele carrega a miscigenação brasileira e está sempre presente nos almoços de família, nas festas populares e nas mesas de domingo, onde a tradição segue viva”, afirma o chef Fellipe Zanuto, do restaurante Hospedaria, no Itaim Bibi.

2. Virado à Paulista


Nascido das necessidades práticas dos bandeirantes durante o período colonial, o virado à paulista é um dos pratos mais emblemáticos da culinária de São Paulo. Criado como refeição para longas expedições, reunia ingredientes simples e resistentes ao transporte, como feijão, farinha e carnes, que acabavam misturados e “virados” durante o caminho — origem do nome que atravessou séculos.

Virado à Paulista do restaurante Pirajá.

Virado à Paulista do restaurante Pirajá. (Mário Rodrigues/Divulgação)

Com o tempo, a preparação evoluiu para a versão completa que conhecemos hoje, com feijão virado na farinha, couve refogada, ovo frito, torresmo e bisteca. Tradicionalmente servido às segundas-feiras, o prato segue como um ritual gastronômico na cidade, presente tanto em bares históricos quanto em restaurantes, como o servido no Pirajá, que reinterpretam a receita sem perder sua essência.

3. Arroz Biro-Biro


Clássico que nasceu da informalidade, o arroz biro-biro é um exemplo de como a criatividade do cotidiano pode se transformar em tradição. Criado na antiga Churrascaria Rodeio, a receita surgiu quando um cliente pediu um arroz mais elaborado para acompanhar o contrafilé. A partir daí, o prato foi ganhando novos elementos — ovo, batata palha, cebola, cebolinha e bacon — até se tornar um acompanhamento icônico.

Bife de chorizo com arroz birô birô, vinagrete de feijão manteiga e demiglacê de tucupi, do restaurante Varanda D.inner.

Bife de chorizo com arroz birô birô, vinagrete de feijão manteiga e demiglacê de tucupi, do restaurante Varanda D.inner. (Henrique Peron/Divulgação)

“O nome foi dado pelo maître Cecílio, que achou que a mistura lembrava o cabelo loiro e encaracolado do jogador de futebol Biro-Biro”, conta Sylvio Lazzarini, à frente do Grupo Varanda. Popularizado entre os frequentadores, o preparo passou a figurar no cardápio de restaurantes tradicionais da cidade, consolidando seu lugar na memória gastronômica paulistana.

4. Beirute


Lar da maior comunidade libanesa fora do Líbano, São Paulo incorporou profundamente os sabores dessa imigração à sua cultura alimentar. Esfihas, quibes e pastas já fazem parte do repertório cotidiano da cidade — e, entre eles, o beirute ocupa um lugar especial. Embora leve o nome da capital libanesa, o sanduíche no pão sírio é uma criação paulistana.

Beirute do restaurante Sabah.

Beirute do restaurante Sabah. (Sabah/Divulgação)

Segundo Bruno Sabbag, sócio do restaurante árabe Sabah, o beirute surgiu na capital nos anos 1950. “O nome foi dado apenas como uma homenagem a Beirute”, explica. Recheado com carnes, queijos e acompanhamentos típicos, o sanduíche se espalhou por padarias, lanchonetes e restaurantes, tornando-se um símbolo da adaptação cultural que marca a gastronomia da cidade.

5. Coxinha


Poucos salgados representam tão bem o Brasil quanto a coxinha — e São Paulo tem papel central em sua história. De origem controversa, a versão mais difundida remonta ao interior paulista, na Fazenda Morro Azul, em Limeira, onde a receita teria sido criada no final do século XIX para atender a uma necessidade improvisada da cozinha imperial.

Coxinha do Bar Original.

Coxinha do Bar Original. (Bar Original/Divulgação)

Modelada no formato de uma coxa de frango e feita com massa à base de batata e recheio de frango desfiado, a coxinha se popularizou rapidamente, atravessando classes sociais e se tornando presença obrigatória em bares, padarias e festas. Hoje, segue sendo reinterpretada, sem perder seu caráter afetivo e democrático.

6. Bolovo


Um ovo cozido envolto em carne moída, empanado e frito: simples na forma, intenso no sabor. O bolovo, espécie de primo brasileiro do scotch egg britânico, ganhou popularidade nos botecos paulistanos, especialmente a partir dos anos 2000. A receita conquistou espaço pela combinação direta e reconfortante, perfeita para acompanhar conversas despretensiosas de bar.

Bolovo servido no bar Câmara Fria.

Bolovo servido no bar Câmara Fria. (Mário Rodrigues/Divulgação)

Nos últimos anos, o quitute também passou por releituras mais elaboradas, surgindo em cardápios contemporâneos, como o do Câmara Fria, que ressignificam a comida de boteco sem apagar suas origens. Um exemplo claro de como a culinária paulistana consegue transitar entre o popular e o sofisticado com naturalidade.

CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.