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Rossana Orlandi transforma a porta em linguagem e manifesto na MDW 2026

RoCollectible toma a porta como gesto e símbolo em uma exposição que tensiona limite, matéria e imaginação

Por Redação

Publicado em 24 de abr. de 2026, 11:43

03 min de leitura
Rossana Orlandi transforma a porta em linguagem e manifesto na MDW 2026

(Divulgação/CASACOR)

A Milan Design Week 2026 encontra, no percurso proposto por Rossana Orlandi, um ponto de inflexão mais conceitual do que expositivo. Em RoCollectible, a galeria se transforma em um campo de investigação onde o design deixa de operar apenas como forma e passa a atuar como linguagem — e, sobretudo, como passagem.


O eixo da edição de 2026 é direto e, ao mesmo tempo, inesperado: a porta. Tratada como arquétipo, ela estrutura toda a narrativa da mostra, convocando designers, artistas e arquitetos a reimaginar um elemento frequentemente relegado à neutralidade. Aqui, o que antes era limite técnico reaparece como dispositivo simbólico, capaz de condensar ideias de transição, intimidade e exposição.

Rossana Orlandi transforma a porta em linguagem e manifesto na MDW

Elianto Door, Patricia Urquiola (2026). (Divulgação/CASACOR)

Com curadoria de Orlandi ao lado de Nicoletta Brugnoni, a exposição se desenha como uma cartografia plural que reúne mais de 70 vozes internacionais. Entre nomes emergentes e autores estabelecidos, o conjunto propõe uma leitura polifônica do contemporâneo, atravessando pesquisa material, experimentação formal e narrativas sensíveis.

Rossana Orlandi transforma a porta em linguagem e manifesto na MDW

Collage story, Kiki van Eijk (2026). (Kiki van Eijk/CASACOR)

Ao deslocar a porta de sua função utilitária, RoCollectible a reposiciona como experiência. Escalas distorcidas, superfícies táteis, jogos de luz e som e soluções híbridas reconfiguram o gesto cotidiano de atravessar — abrindo espaço para uma percepção mais lenta, quase coreografada, do movimento entre dentro e fora. Nesse contexto, o limiar deixa de ser apenas passagem e passa a ser permanência, um intervalo onde o design se torna consciência.

Rossana Orlandi transforma a porta em linguagem e manifesto na MDW

Door Project, Cengiz Hartmann (2026). (Divulgação/CASACOR)

Há também um comentário implícito sobre o presente: em um cenário dominado pela padronização e pela eficiência, a porta surge como território de singularidade. Trabalhada como peça colecionável, ela absorve camadas de identidade — seja por meio de técnicas artesanais, materiais reaproveitados ou construções narrativas que evocam memória e ficção.

Rossana Orlandi transforma a porta em linguagem e manifesto na MDW

What we are, Alice Baker (2025). (Noah Kasanardjo/CASACOR)

Espalhada pelos ambientes da galeria na Via Matteo Bandello, a exposição assume uma lógica quase cinematográfica, em que cada obra funciona como enquadramento e cada abertura sugere uma nova sequência. Entre colagens, objetos escultóricos e estruturas habitáveis, RoCollectible 2026 não apenas apresenta peças, mas ensaia perguntas: o que separa e o que conecta? E, sobretudo, o que ainda pode emergir quando se decide atravessar.