Assinada por Cristián Mohaded e desenvolvida com os artesãos da marca, a linha parte da matéria-prima existente para explorar novas formas e narrativas no design
Publicado em 24 de abr. de 2026, 10:00

(Ruy Teixeira/CASACOR)
A ETEL escolheu a Milan Design Week 2026 como palco para lançar Entropia, coleção que sintetiza um encontro entre memória material e experimentação contemporânea. Assinada pelo designer argentino Cristián Mohaded — recentemente nomeado Designer do Ano pelo EDIDA —, a linha surge sob curadoria de Annalisa Rosso e marca a primeira colaboração do criador com a marca brasileira.
(Ruy Teixeira/CASACOR)
O ponto de partida do projeto não foi um desenho, mas o próprio acervo da marcenaria da ETEL: madeiras acumuladas ao longo de décadas, com diferentes espécies, densidades e veios. Em vez de buscar uniformidade, Mohaded optou por evidenciar essas diferenças. Por meio de entalhes e recomposições, os fragmentos ganham nova vida, transformando contrastes naturais em ritmo visual e estrutural.
(Ruy Teixeira/CASACOR)
O resultado se materializa em uma série de peças que transitam entre arte e design — totens, buffet, console, mesas, espelhos e luminária — todas marcadas por um forte caráter escultórico. Ainda assim, a funcionalidade permanece central, reforçando a proposta de um mobiliário que não abre mão do uso cotidiano, mesmo ao explorar uma linguagem mais experimental.
(Ruy Teixeira/CASACOR)
A construção formal das peças revela um processo pouco impositivo. Em vez de partir de uma ideia pré-definida, a coleção nasce do diálogo direto entre o designer e os artesãos da ETEL, cuja leitura sensível das fibras da madeira orienta decisões e caminhos. Essa troca constante levou a uma autoria compartilhada, em que técnica e intuição se equilibram.
(Ruy Teixeira/CASACOR)
O nome Entropia, emprestado da física, reforça esse raciocínio. O conceito descreve a forma como sistemas se reorganizam a partir de transformações internas — uma lógica que, aplicada ao design, sugere que a forma não é imposta, mas emerge das relações já presentes na matéria. Nesse contexto, o projeto propõe uma inversão: em vez de controlar o material, o designer passa a escutá-lo.
(Ruy Teixeira/CASACOR)
Paralelamente ao lançamento da coleção, a ETEL também participa da semana com a exposição Warsaw – São Paulo – Milano: Jorge Zalszupin's Brazilian Modernism, dedicada ao legado de Jorge Zalszupin. Realizada na icônica Torre Velasca, a mostra — com curadoria de Federica Sala e Anna Maga — traça um percurso entre Europa e Brasil, ampliando a presença da marca na cidade e conectando diferentes gerações do design em um mesmo momento.