Entre documentos raros e reconstruções espaciais, exposição apresenta a Eames House como um laboratório contínuo de experimentação
Publicado em 24 de abr. de 2026, 12:22

(Triennale/CASACOR)
A Milan Design Week ganha um de seus eixos mais consistentes dentro da Triennale Milano, que nesta edição de 2026 apresenta uma programação que combina pesquisa histórica, reflexão crítica e experimentação contemporânea. No centro dessa agenda está a mostra dedicada à Eames House, que reposiciona a icônica residência como um laboratório vivo de ideias.
(Triennale/CASACOR)
Concebida por Charles e Ray Eames, a casa é apresentada não apenas como marco da arquitetura moderna, mas como síntese de um pensamento que atravessa design, arte e indústria. A exposição investiga a lógica de montagem, o uso de componentes pré-fabricados e a relação entre interior e exterior, revelando como o projeto antecipou discussões atuais sobre flexibilidade, sustentabilidade e modos de habitar.
(Triennale/CASACOR)
Na Triennale, essa leitura ganha corpo por meio de uma montagem que combina maquetes, fotografias originais, filmes e documentos raros do escritório dos Eames, além de reconstruções parciais que evidenciam o sistema construtivo da casa. O percurso expositivo enfatiza o caráter quase cenográfico do interior, onde objetos, obras de arte e peças de design coexistem em camadas, refletindo o modo como o casal entendia o espaço doméstico como uma composição em constante transformação — mais próxima de um estúdio criativo do que de uma residência convencional.
Ao redor desse eixo, a Triennale organiza outras mostras que ampliam o debate. Entre elas, está “Barber Osgerby. Alphabet”, que revisita a trajetória da dupla Edward Barber e Jay Osgerby ao longo de mais de três décadas, evidenciando a construção de uma linguagem que oscila entre experimentação formal e inovação industrial.
Outro eixo importante é “Andrea Branzi by Toyo Ito. Continuous Present”, que apresenta uma leitura curatorial da obra de Andrea Branzi a partir da interpretação de Toyo Ito, reforçando sua relevância no pensamento do design radical e na crítica ao projeto contemporâneo. A programação se completa com “Lella and Massimo Vignelli. A Language of Clarity”, que revisita o legado da dupla italiana por meio de sistemas gráficos, objetos e projetos editoriais marcados pela síntese e pelo rigor visual.
(Marco Sammicheli/CASACOR)
A Triennale também mantém ativa a visitação à Casa Lana de Ettore Sottsass, ampliando o diálogo com a arquitetura radical italiana, e apresenta projetos como “Casa Ultrapiega” e “HYLEtech lab Light in Matter”, que exploram novas relações entre matéria, linguagem e espaço.
Além das exposições, talks e encontros com curadores e designers aprofundam os temas apresentados, enquanto visitas guiadas oferecem leituras mais próximas das mostras.