Entre os dias 28 de maio e 1 de junho, aconteceu a feira
MADE – Mercado, Arte, Design, em São Paulo, focada em design colecionável, além de dar destaque a designers e estúdios nacionais, revelar novos talentos e ampliar a cultura do setor para milhares de pessoas. Com o tema Substrato: da ideia à matéria, o evento apresentou trabalhos inéditos e originais de 50 estúdios e designers de diferentes partes do Brasil, entre veteranos e estreantes. Destacam-se a variedade de
materiais e
técnicas, além de inspirações em memórias afetivas e na natureza, como você pode conferir em nossa seleção logo abaixo!
Sutilezas de vidro
Luminária Selva, de Carol Gay (Marcos Cimardi/CASACOR)
Criada pela designer Carol Gay, a luminária Selva simboliza um chamado à consciência. Com um, três ou cinco pingentes, a peça propõe uma pausa para refletir sobre a urgência da preservação da Amazônia. A perda de biodiversidade, o avanço do desmatamento e a extinção iminente de inúmeras espécies tornam esse tema incontornável. Assim, as peças individuais representam a fauna e a flora brasileiras, especialmente da região amazônica com o objetivo de destacar a importância de preservar e manter a biodiversidade desse bioma. Como uma onda
Coleção Calmaria, por Ádamo Thiers (divulgação/CASACOR)
A linha Calmaria, de Ádamo Thiers, é composta de mesinhas de apoio, bancos e uma mesa de centro — todas pensadas em escala menor, com a proposta de tornar o transporte e a logística mais viável, além da intenção de propor móveis versáteis, que podem circular entre diferentes cômodos da casa. Algumas dessas peças, inclusive, compartilham a mesma base estrutural: um banco nasce a partir da base de uma mesa de jantar. As formas exploram as curvas, evocando os muitos humores do mar ao longo do dia. O visual delicado se deve à madeira tingida, pensada para manter os veios visíveis, permitindo que a natureza do material siga em evidência, ainda que sob novas cores. Os tons predominantes são os azuis e verdes – matizes que habitam o cotidiano do designer e se conectam com sua paisagem pessoal em Fortaleza. Curvas suaves
Banco Pupa, por Vinicius Siega (Guilherme Jordani/CASACOR)
Parte da coleção Sense of Self, assinada pelo designer Vinicius Siega, o banco Pupa é uma peça de contornos curvos, suaves ao toque da madeira maciça esculpida. A peça foi pensada como um registro suspenso da transformação entre estágios imaturos e maduros em que suas faces e frestas criam a sensação de que algo novo está prestes a surgir. É feito de tauari maciço e mede 48 cm x 45 cm x 45 cm. Mistérios do mar
Luminária Anêmona, da Dua.dsg e Una Ambientes (divulgação/CASACOR)
A luminária
Anêmona é fruto da colaboração criativa entre
dua.dsg e Una Ambientes e evoca um jardim submerso. Inspirada nas anêmonas-do-mar, seres que habitam os abismos, a criação transforma em forma e luz aquilo que há de mais delicado e vital na natureza. Cada elemento que a compõe carrega simbolismo. A base, em alumínio usinado, por exemplo, remete ao disco basal da anêmona — seu ponto de ancoragem. Sobre ela, vasos de cerâmica artesanal despontam como colunas orgânicas. Mas é nos pistilos de bronze que a peça revela realmente seu movimento poético. Fundidos pelo processo de cera perdida — como verdadeiras joias —, esses tentáculos metálicos parecem dançar em câmera lenta, conduzindo a luz com leveza. No interior, corações luminosos: lâmpadas de LED desenvolvidas exclusivamente para o projeto, com temperatura de cor quente, lembram o brilho interno das criaturas marinhas. Móvel-escultura
Mesa Pigmento, por Patricia Faragone (divulgação/CASACOR)
Expert na arte de criar com vidro, a designer
Patricia Faragone assina a coleção
Desdobramentos. A nova linha nasceu da experimentação e do domínio das técnicas de sopro e
casting em vidro e tingimento em tecido natural. A designer abusa de técnicas e estéticas presentes nos estilos art déco e barroco traduzindo essas linguagens para o mundo contemporâneo. Entre as novidades, está a mesa
Pigmento de formas arredondadas e que parece flutuar.
Assentos bordados
Linha Bordado, por Estúdio Pedro Luna (Pedro Ocanhas/CASACOR)
Extensão da linha Bordado, a série Boa Noite, do Estúdio Pedro Luna, faz uma homenagem ao bordado Boa Noite, uma preciosidade da arte popular brasileira. Cultivado há quase um século pelas bordadeiras da Ilha do Ferro, no sertão de Alagoas, essa técnica consiste em desfiar o linho branco e recompô-lo com delicados motivos florais. O resultado é um desenho rigorosamente geométrico, guiado pela própria trama do tecido, que dialoga diretamente com o trabalho do estúdio, conhecido por elaborar criações a partir de objetos de uso comum. Vida nova aos materiais
Coleção Escamas, por Sofia Venetucci (divulgação/CASACOR)
Assinada pela designer
Sofia Venetucci e produzida em parceria com a
Virô, a coleção
Escama alia o reaproveitamento de materiais à abordagem de novas possibilidades de uso têxtil no design de mobiliário. Com estrutura de metal, os bancos são revestidos de pedaços de
feltro, originalmente usados como forração temporária em eventos corporativos. A textura das peças é construída por meio do recorte de centenas de círculos de feltro agrupados. O resultado é uma superfície densa e tridimensional, que lembra a sobreposição orgânica de escamas.
Memórias afetivas
Fornada, por Marcus Camargo (divulgação/CASACOR)
O designer
Marcus Camargo buscou em suas memórias a inspiração para criar o gabinete
Fornada. A peça remete às formas de assar empadas — prato típico da cidade de Goiás Velho, terra natal do profissional — e homenageia os gestos repetidos das cozinheiras e ceramistas, onde moldar, assar e servir se entrelaçam em um gesto prático e afetivo. A
madeira compõe a estrutura, enquanto a
cerâmica aparece como relevo e textura, evocando a disposição dos tabuleiros de empadas recém-saídos do forno, além de servir também como puxadores.
Sertão e mar
O Sertão Vai Virar Mar, por FStudio (divulgação/CASACOR)
O
F.Studio levou à MADE a coleção
O Sertão Vai Virar Mar, que representa um diálogo poético entre a aridez do sertão e as águas deslizantes dos rios e oceano. Metal, pedra, madeira e vidro compõem as peças Barquinho, Peixinho, Horizonte, Coral, Equatorial e Cruzeiro do Sul, que desafiam a imaginação.
Planos geométricos
Poltrona Tangram, por André Grippi (divulgação/CASACOR)
Com planos geométricos que remetem ao quebra-cabeça, a poltrona Tangram, assinada por André Grippi, exibe barras transversais que se fixam por fora do assento estofado e uma superfície de apoio. Os pés traseiros se elevam até assumirem a função de encosto, e recebem a palha natural, formando um único plano transparente que contrasta com a forte presença da madeira.