Sim, ainda estamos no primeiro semestre de 2025, mas as empresas especializadas no mapeamento de
tendências comportamentais dos consumidores já estão com a atenção voltada para o futuro. Recentemente, a WGSN, um dos principais nomes quando o assunto é estudos e pesquisa de tendências, revelou os principais
insights para a área de
interiores em 2026. Uma pista: as criações de
design serão cada vez mais abrangentes e a
tecnologia estará ainda mais sutil e integrada no dia a dia. A
head de novos negócios da WGSN América Latina Marianna Nolasco falou com exclusividade à CASACOR e compartilha mais detalhes a seguir!
Design sob demanda
Esse
insight revela que, em 2026, os consumidores esperarão que as marcas pensem de uma forma mais abrangente em relação às suas necessidades, com produtos e serviços que atendam a
diversos usos e pessoas, em vez de segmentos únicos e cada vez mais desatualizados. "À medida que os estereótipos etários vão sendo abandonados e a crononormatividade — que é a ideia de que todos nós seguimos a mesma linha do tempo — é questionada, as pessoas esperam que os produtos sejam adaptados às suas necessidades, e não ao seu nicho demográfico, em um mundo que está se tornando mais inclusivo e agnóstico em relação à idade", explica Marianna.
Tendências de design para ficar de olho em 2026. (divulgação/CASACOR)
A especialista afirma, ainda, que os consumidores também estão sendo afetados por uma
policrise, que é resultado de uma
hiperglobalização, que acaba afetando a
saúde mental e o aumento do custo de vida. "Temos um consumidor sobrecarregado, ansioso e com medo. Então, ele vai buscar se relacionar com marcas que atuam com
empatia e que ofereçam produtos serviços que proporcionem estabilidade". Nesse sentido, o conceito de
luxo, que está mudando há algum tempo, vai ser encontrado muito em produtos e serviços que tornam a vida mais fácil, leve e menos cansativa. Outra característica importante nessa tendência é a busca pelo
autocuidado e o cuidado do próximo e isso afeta a realação com a casa, que durante a pandemia, se tornou um lugar de refúgio e agora ganhou o status de
espaço de cura. Por isso, flexibilidade e adaptabilidade são qualidades que devem gerar valor em produtos pensados para casa em um futuro breve.
Eficiência otimizada
Tendências de design para ficar de olho em 2026. (divulgação/CASACOR)
Este tópico aborda a relação eficiente e simbiótica entre
humanos e
máquinas à medida que a
tecnologia avança rapidamente e se integra de maneira mais fluida à vida cotidiana. A ideia aqui é que os dispositivos tecnológicos sejam cada vez mais imperceptíveis e
silenciosos no dia a dia, mas tão eficientes que você nem perceba a existência deles. "Em 2026 a
tecnologia vai estar ainda mais integrada, trazendo eficiência e impactando todos os aspectos do desenvolvimento de produtos e serviços. Aqui, a tecnologia entra como um facilitador e acelerador de criatividade e produtividade. Ela vai ser uma ferramenta para possibilitar mapear e atender necessidades, assim como customizar e personalizar produtos e serviços", enfatiza Marianna. Ela lembra, ainda, que dentro desse contexto, a tecnologia será a protagonista no desenvolvimento de novos produtos e que ela será usada como uma camada adicional para o design e comunicação.
Apelo sensorial
A pesquisa da WGSN revela que ajudar as pessoas a sentirem mais, também as ajudará a se
sentirem melhor. Então, essa tendência vai abordar produtos
prazerosos, designs
multisensoriais e
micromomentos de alegria que chegam como antídoto para uma população que tem experimentado níveis recordes de fadiga, causada pelas mazelas do mundo contemporâneo. "Produtos sensoriais vão ajudar esse consumidor cansado, mas também vão possibilitar
diversão", diz Marianna.
Tendências de design para ficar de olho em 2026. (divulgação/CASACOR)
A especialista tem tendências explica que os produtos pensados em 2026 devem ser
fáceis de usar e que também pareçam um
mimo. "Essa tendência do presentear está muito forte e nessa ideia de apelo sensorial, estão produtos que possibilitam que as pessoas se recarreguem, mas que também possam cuidar dos outros. A ideia é que aqui o consumidor pense menos e sinta mais conforto, prazer, alegria e surpresa". Com tanto tempo gasto online, as pessoas vão querer ter experiências que
estimulem emoções e os seis sentidos: olfato, paladar, visão, tato, audição e até a intuição. A ideia promover os micromomentos de alegria em meio a uma rotina tão pesada. "A WGSN vem monitorando a alegria como um sentimento crítico do consumidor desde o início do surto de Covid-19. A
alegria será uma emoção cada vez mais poderosa nos próximos anos, à medida que os consumidores enfrentam desafios como a policrise e alta do custo de vida. As pessoas estão buscando alegria e risos por meio dos produtos e experiências que compram. As empresas podem desempenhar um papel fundamental em impulsionar esse estado emocional positivo e contribuir para melhorar o humor de seus públicos", completa Marianna.
Cores de 2026
E quando falamos de
tendências de design voltadas para o ambiente doméstico, não podemos deixar de abordar as
cores, que são essenciais para criar um universo sensorial. De acordo com Marianna, em 2026 veremos um mix de tons vibrantes, naturais
terrosos e tonalidades
calmantes.
Tendências de design para ficar de olho em 2026. (divulgação/CASACOR)
"Os
tons escuros continuarão importantes à medida que os consumidores recorrem às cores em busca de versatilidade, estabilidade e longevidade. Em particular, veremos a emergência de tons escuros conforme as pessoas encontram conforto em cores menos óbvias em meio às condições extremas de um planeta em aquecimento", explica. Ela também lembra que vamos ver a ascensão de
cores primárias e terrosas. "Pense em tons arenosos, empoeirados e queimados. Esses pigmentos terrosos também serão inspirados pela busca de maneiras mais sustentáveis para criar as cores, abrangendo desde
resíduos de café e cacau até corantes minerais", diz. E, por fim, com a demanda por tatilidade física em um mundo dominado pela
inteligência artificial,
tons pastel terapêuticos ganharão destaque. "Por outro lado, também veremos a ascensão de combinações de cores rebeldes e inesperadas, impulsionadas pela criatividade sintética e pela psicodelia, incluindo vibrantes digitais e neons sobrenaturais", conclui Marianna.