Pesquisa da WGSN aponta que os olhos do mundo devem se voltar para a cultura latina em busca de autenticidade
Publicado em 22 de dez. de 2025, 10:00

A América Latina será a bola da vez no universo criativo nos próximos anos. (divulgação/CASACOR)
Depois da onda de minimalismo, quiet luxury e outras tendências estéticas que estão mais alinhadas à cultura europeia e oriental do que ao restante do mundo, é bastante provável que veremos o renascimento da latinidade nos próximos anos. De acordo com a WGSN — empresa especializada em pesquisas de tendências de comportamento e consumo — , a América Latina se tornará um dos principais centros mundiais de inovação cultural e criativa, impactando diferentes áreas, que vão desde a moda e design de interiores até alimentos e bebidas.
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A razão desse movimento está no período de incertezas que estamos atravessando mundialmente. As instabilidades são muitas! De cenários políticos tensos às transições tecnológicas frenéticas, os cenários complexos nos impulsionam a buscar sentimentos de pertencimento, autenticidade e propósito. Segundo o estudo da WGSN, é por isso que a América Latina está se consolidando como fonte de inspiração para o mundo inteiro. E isso não se deve apenas pela criatividade natural dos latinos, mas também pela sua capacidade de inovar diante de desafios, promover inclusão e sustentabilidade, além de criar experiências autênticas.
A WGSN aponta, ainda, que assim como o Renascimento Europeu (do século XIV ao XVI) marcou uma era de transformação intelectual e artística, veremos daqui pra frente o fortalecimento — ou renascimento — latino, fazendo com que criativos do mundo todo deixem de focar no eurocentrismo e se abram para vozes plurais, histórias de raízes profundas e estéticas autênticas. E temos tudo isso por aqui. Além disso, vamos presenciar também um aumento no desenvolvimento de produtos e estratégias de marketing voltadas para a América Latina.
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Uma série de fatores culturais e estratégicos identificados pela WGSN impulsionam essa mudança. Entre eles, podemos destacar:
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Essa mudança dos holofotes para a América Latina como uma potência criativa já começou a impactar diversos setores, como o design, tecnologia, gastronomia, moda e economia criativa. Na moda, por exemplo a renomada plataforma Business of Fashion (BoF) incluiu a brasileira Kátia Barros, diretora criativa da Farm, e o colombiano Sebastián Díez, presidente da Inexmoda, na prestigiada lista que destaca as personalidades mais influentes da indústria de moda global. Já na gastronomia, o restaurante peruano Maido e o mexicano Quintonil foram reconhecidos entre os The World’s 50 Best Restaurants, um dos rankings mais respeitados do setor.
No cinema, esse movimento de mudança e foco é ainda mais forte. Em 2019, o filme mexicano Roma, de Alfonso Cuarón, conquistou três Oscars e apresentou ao mundo Yalitza Aparicio, primeira mulher indígena mexicana indicada a Melhor Atriz, o que simbolizou o poder de narrativas locais em impacto universal. Já o Brasil voltou a ganhar destaque com o filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional de 2025, e o reconhecimento da atriz Fernanda Torres ao redor mundo. Enquanto o novo filme de Wagner Moura, o Agente Secreto, surge como uma promessa para as próximas premiações.
Agora, basta sintonizar nossas antenas para assistir como esse movimento de valorização da América Latina será traduzido no universo da arquitetura e do design de interiores. A tendência é que veremos muitas cores, estampas e regionalidades por aí.