Saiba como o Feng Shui pode transformar a energia da sua casa com dicas práticas para posicionar móveis e equilibrar os ambientes com propósito
Publicado em 8 de ago. de 2025, 13:30

Mariana Maisonnave - Origem. Projeto da CASACOR Santa Catarina | Florianópolis 2024. (Lio Simas)
A busca por equilíbrio energético em casa vai além da estética: é uma resposta necessária ao ritmo acelerado da vida moderna. Nesse cenário, o Feng Shui se destaca como uma filosofia chinesa milenar que propõe a harmonização dos espaços para promover bem-estar, saúde e prosperidade.
Cada móvel, objeto e elemento arquitetônico interfere na energia que circula pelos ambientes — e pequenos ajustes, como o posicionamento da cama ou a inclusão de plantas, já podem fazer diferença. Sem exigir mudanças radicais, o Feng Shui pode ser adotado de forma prática, respeitando o estilo de vida de cada morador.
(Fotos: Denilson Machado, do MCA Estúdio | Produção: Andrea Brito Velho/Divulgação)
O termo Feng Shui pode ser traduzido como “vento” (feng) e “água” (shui), dois elementos que, na filosofia chinesa, representam o fluxo constante da natureza. Com mais de 4 mil anos na China, o Feng Shui é uma prática que busca harmonizar os indivíduos com o ambiente que os cerca, observando a interação entre formas, cores, direções e elementos naturais. Com raízes no Taoismo, essa sabedoria tradicional entende que tudo está interligado — e que o lugar em que vivemos é um reflexo da nossa vida interna.
(h3ct02/iStock/Divulgação)
Originalmente, o Feng Shui era usado para escolher locais ideais para construção de templos, túmulos e palácios imperiais, sempre levando em conta aspectos do relevo, da vegetação e da incidência solar. Ao longo dos séculos, a técnica se adaptou às cidades e interiores, ganhando novas abordagens e interpretações, mas sem perder o foco na energia que circula em cada espaço. Hoje, ela está presente em projetos arquitetônicos, reformas residenciais e até no design de interiores.
O baguá é o mapa energético do feng shui: com base nos pontos cardeais, ele ajuda a identificar as áreas da casa relacionadas à saúde, prosperidade, amor e outras dimensões da vida. (Brasil Esotérico/Divulgação)
Entre os pilares do Feng Shui estão os cinco elementos (madeira, fogo, terra, metal e água), o uso do baguá (uma espécie de mapa energético) e a orientação em relação aos pontos cardeais.
Cada um desses elementos representa uma área da vida (como carreira, saúde, relacionamentos) e deve estar em equilíbrio para que a energia do lar flua positivamente.
Marice Gandin - Apartamento Refúgio Natural. Projeto da CASACOR Santa Catarina | Itapema 2025. (Lio Simas/CASACOR)
A aplicação pode parecer complexa num primeiro momento, mas o Feng Shui moderno permite abordagens mais acessíveis e simbólicas, que se encaixam bem no cotidiano e na realidade dos lares contemporâneos.
Adotar o Feng Shui na decoração começa com intenção e consciência. Cada ambiente da casa tem uma função energética, e o primeiro passo é observar como você se sente ao transitar pelos espaços. Cômodos cheios, escuros ou desorganizados podem bloquear o fluxo do chi, a energia vital. Por isso, recomenda-se manter a casa limpa, iluminada e livre de obstáculos, especialmente na entrada, considerada a “boca do chi”, por onde a energia entra.
Projeto de Erica Salguero. (Renato Navarro/Divulgação)
Com o auxílio do baguá, é possível mapear a casa e relacionar cada setor a aspectos da vida — como saúde, prosperidade ou relacionamentos —, ativando essas áreas com os elementos certos: madeira, fogo, terra, metal ou água. Aplicar o Feng Shui pode ser simples e simbólico: uma planta no canto da prosperidade, objetos vermelhos para atrair sucesso ou espelhos bem posicionados para estimular a fluidez. Mais do que estética, trata-se de transformar a casa em um espaço de bem-estar e propósito.
Bruno Carvalho - Casa Toushi Duratex. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
O Feng Shui considera o posicionamento dos móveis como um dos fatores mais determinantes para o equilíbrio do ambiente. Móveis bem posicionados favorecem a circulação do chi, geram conforto visual e funcional, e ajudam a trazer mais segurança emocional. Um conceito importante é a “posição de comando”, que diz respeito ao lugar onde a pessoa se sente segura e no controle. Essa posição deve ser aplicada a móveis como cama, escrivaninha e sofá — os principais pontos de permanência nos ambientes. Na prática, estar em “posição de comando” significa ter visão da porta sem estar diretamente de frente para ela.
Quarto e Escritório
Projeto de Tetriz Arquitetura. (Fernando Crescenti/Divulgação)
No quarto, por exemplo, a cama idealmente deve estar apoiada em uma parede sólida, sem janelas atrás, e posicionada de modo que se veja a entrada do cômodo. Evitar prateleiras ou armários pesados sobre a cama também é fundamental, já que eles criam sensação de pressão e ansiedade. No escritório, a mesa de trabalho deve seguir a mesma lógica: visão ampla e costas protegidas.
Rodolfo Consoli - Home Office. Projeto da CASACOR São Paulo 2024. (MCA Estúdio/CASACOR)
Sala de estar
No caso da sala, o sofá não deve estar com as costas voltadas para a porta principal — isso indica vulnerabilidade. Posicione-o de forma que as pessoas que estiverem sentadas tenham boa comunicação entre si e consigam ver quem entra. Evite deixar móveis obstruindo o caminho entre os cômodos, pois isso interrompe o fluxo energético e pode gerar sensação de estagnação.
Coleção de arte guia reforma de apartamento brasiliense da década de 1960. Projeto de BLOCO Arquitetos. Na foto. sala com sofá e quadros. (Joana França/Divulgação)
Outro aspecto interessante é observar a simbologia dos objetos: uma poltrona sozinha no canto pode sugerir isolamento, enquanto duas cadeiras lado a lado estimulam o convívio. Quadros e obras de arte também devem transmitir boas sensações. Prefira imagens que tragam leveza, beleza ou representem algo que você deseja para sua vida. Afinal, segundo o Feng Shui, tudo comunica — e os móveis, mais do que elementos funcionais, são verdadeiros mediadores da energia do lar.
Fichberg Arquitetura e Interiores - Déjà Vu. Os sócios Eloy e Felipe Fichberg combinam memórias do estilo art nouveau com a exuberância da fauna, flora e cultura brasileiras em um recanto contemplativo de 49 m². Na área do banheiro, chamam a atenção os vitrais que retratam povos indígenas e a Mata Atlântica. Já o piso de mosaico, produzido com porcelanato reutilizado, exibe figuras de frutas tropicais, como cacau, açaí, abacaxi, jabuticaba e caju. Na sala, os profissionais fazem uma ponte entre passado e presente com a mistura de móveis clássicos e exemplares de design contemporâneo. Uma reflexão sobre representatividade feminina vem à tona por meio da obra da artista Silvana Mendes. (Bia Nauiack/CASACOR)