Muxarabi ou cobogó? Os elementos vazados transformam luz, ventilação e privacidade de maneiras diferentes nos ambientes
Publicado em 11 de mai. de 2026, 13:43

Sebastian Gomez Arquitetura - Loft Essência. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2025. (André Nazareth/CASACOR)
Elementos vazados têm ocupado um espaço cada vez maior na arquitetura contemporânea por permitirem integração entre ambientes sem eliminar completamente os limites visuais. Entre as soluções mais utilizadas, a escolha entre muxarabi ou cobogó aparece em projetos que buscam equilíbrio entre ventilação, iluminação natural e sensação de privacidade.
Projeto de Andrea Chicharo. (Gui Morelli/CASACOR)
Embora os dois recursos compartilhem a proposta de criar permeabilidade nos espaços, cada um produz efeitos bastante diferentes na arquitetura e na decoração. Ao entender as características de muxarabi ou cobogó, torna-se mais fácil identificar qual solução responde melhor às necessidades do ambiente e à atmosfera desejada.
O muxarabi tem origem na arquitetura árabe e tradicionalmente é formado por estruturas vazadas em madeira com desenhos geométricos detalhados. Seu principal objetivo é permitir circulação de ar e entrada de luz sem expor completamente os ambientes, criando uma relação mais filtrada entre interior e exterior.
Sonho de Banheiro: Sala de Banho São Geraldo, por Palloma Meneghello / (Haruo Mikami/CASACOR)
Nos projetos contemporâneos, o muxarabi aparece em painéis fixos, portas deslizantes, divisórias e fechamentos leves. A delicadeza dos desenhos e a presença da madeira ajudam a criar ambientes mais acolhedores e sofisticados, especialmente em interiores que valorizam materiais naturais e uma atmosfera mais silenciosa visualmente.
O cobogó surgiu no Brasil e rapidamente se tornou um dos elementos mais marcantes da arquitetura modernista nacional. Produzido em concreto, cerâmica ou cimento, ele é composto por blocos vazados que criam padrões geométricos e permitem ventilação constante entre os espaços.
Sala de Jantar - Naomi Abe. Projeto da CASACOR São Paulo 2018. (Divulgação/CASACOR)
Diferente da leveza visual do muxarabi, o cobogó possui presença mais estrutural e escultórica. Além de funcionar como divisória, ele também cria jogos de luz e sombra bastante marcantes ao longo do dia. Nos interiores, costuma aparecer em fachadas, corredores, cozinhas e áreas de transição entre ambientes internos e externos.
A escolha entre os dois elementos depende da função desejada no ambiente, da estética do projeto e da forma como luz e ventilação serão trabalhadas.
Entre muxarabi ou cobogó, o muxarabi costuma ser mais indicado quando a prioridade é preservar privacidade sem pesar visualmente o ambiente. As tramas vazadas filtram a visão de maneira mais delicada, funcionando bem em quartos, varandas e divisões internas.
Hannah Cabral e Monique Pampolha - Suíte Oriel. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2023. (André Nazareth/CASACOR)
O cobogó tende a assumir maior protagonismo visual dentro dos ambientes. Seus módulos criam textura, profundidade e ritmo nas superfícies, tornando-o uma escolha interessante para paredes de destaque, fachadas e áreas externas.
GF Arquitetos – Beto Gebara e Marila Filátiga e Terraço Paisagismo – Rodrigo Gheller - “Eu sou daqui, eu não sou de Marte”. Projeto da CASACOR Santa Catarina 2022. (Mariana Boro/CASACOR)
Projetos com estética mais natural e intimista costumam dialogar melhor com o muxarabi. A presença da madeira ajuda a suavizar os espaços e reforça uma sensação de aconchego sem comprometer a ventilação.
Projeto de Fabiano Ravaglia. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
O cobogó favorece ventilação constante por conta dos vazados mais amplos. Em regiões quentes ou áreas que precisam de maior troca de ar, como lavanderias e cozinhas, ele funciona como uma solução eficiente e integrada à arquitetura.
(Divulgação/CASACOR)
O muxarabi aparece frequentemente em painéis móveis e divisórias deslizantes, permitindo reorganizar os ambientes conforme a necessidade. Essa característica faz diferença em apartamentos integrados ou espaços compactos.
Projeto de Mariana Monnerat. (Daniela Magario/CASACOR)
Apesar da comparação entre muxarabi ou cobogó, os dois recursos podem coexistir dentro do mesmo projeto quando utilizados de forma equilibrada. O segredo está em compreender a função de cada elemento e distribuir suas aplicações de maneira coerente nos ambientes.
Sebastian Gomez Arquitetura - Loft Essência. (André Nazareth/CASACOR)
Enquanto o muxarabi costuma funcionar melhor em divisões internas mais leves e acolhedoras, o cobogó pode assumir áreas de maior destaque arquitetônico ou transição entre interior e exterior. Quando combinados com atenção à proporção e à materialidade, os dois elementos ajudam a criar espaços mais ventilados, iluminados e visualmente dinâmicos.
CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Milena Garcia.