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Maximalismo latino: casas que revelam memórias, cores e identidade

O maximalismo latino transforma casas em cenários de memória, afeto e cores, misturando texturas, plantas e objetos para criar espaços vivos e autênticos

Por Chrys Hadrian

Publicado em 11 de set. de 2025, 8:00

10 min de leitura
O maximalismo latino transforma casas em cenários de memória, afeto e cores, misturando texturas, plantas e objetos para criar espaços vivos e autênticos

O maximalismo latino transforma casas em cenários de memória, afeto e cores, misturando texturas, plantas e objetos para criar espaços vivos e autênticos (Divulgação/Divulgação)

O maximalismo latino é uma celebração da vida. Longe de buscar o vazio e a neutralidade, ele enaltece a presença: das cores, dos objetos e das histórias que atravessam gerações. Ao entrar em um espaço maximalista latino, sentimos que cada detalhe tem algo a dizer — do pano de prato bordado ao quadro herdado da avó.

Casa da artesã e pintora argentina Consuelo Vidal. decor-maximalista-casa-de-vó-casa-brasileira

Casa da artesã e pintora argentina Consuelo Vidal. (@lifebylufe/Instagram/Divulgação)

Diferente do minimalismo, que preza pela redução ao essencial, o maximalismo abraça o “mais é mais”, criando um ambiente que vibra com a identidade de quem mora ali.

Casa Azul, na Cidade do México, onde viveu a artista mexicana Frida Kahlo.

Casa Azul, na Cidade do México, onde viveu a artista mexicana Frida Kahlo. (Homme Studio/Divulgação)

A Casa Azul de Frida Kahlo, no México, é um dos exemplos mais notáveis: paredes intensamente azuis, móveis simples, arte popular e lembranças que compõem um verdadeiro autorretrato de sua vida.

Casa da artista chilena Violeta Parra, na comuna de La Reina, Chile.

Casa da artista chilena Violeta Parra, na comuna de La Reina, Chile. (Jorge Brantmayer Barrera/Revista Universitaria UC/Divulgação)

Essa estética também se vê na casa de Violeta Parra, em La Reina, no Chile, com seus tecidos bordados, cores quentes e memórias musicais.

Casa da Dona Nenê e Lineu, cenário da série

Casa da Dona Nenê e Lineu, cenário da série "A grande família". (Casa Aberta/Divulgação)

Nas casas brasileiras, retratadas em séries como A Grande Família, o sofá coberto por manta de crochê, as cortinas floridas e as mesas cheias de adornos reforçam essa atmosfera afetiva. É um estilo que se conecta ao coração, trazendo aconchego, nostalgia e a sensação de lar.

O que caracteriza o maximalismo latino-americano?


Maurício Arruda - Casa Coral – Cores do Parque. Projeto da CASACOR São Paulo 2025.

Maurício Arruda - Casa Coral – Cores do Parque. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Chrys Hadrian/Divulgação)

O maximalismo latino-americano é marcado pela abundância e pelas camadas de histórias sobrepostas. Cada objeto é uma peça de uma narrativa maior, e nada é colocado ali por acaso. Quadros, fotografias, tapetes, cerâmicas e lembranças de viagem convivem lado a lado, criando um mosaico afetivo.

Urban Jungle - Isabela Capeto. Juliano Colodeti

Projeto é assinado por Anna Luiza Rothier. (MCA Estúdio/Divulgação)

O ambiente parece sempre habitado, vivo, pulsante. Há uma fusão de heranças coloniais, indígenas, africanas e das diversas diásporas que chegaram ao continente, resultando em uma estética rica e complexa.

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Casa da artesã e pintora argentina Consuelo Vidal. (@lifebylufe/Instagram/Divulgação)

Diferente de outros maximalismos, o latino carrega a energia do improviso e da mistura, como se fosse construído aos poucos, em camadas que representam diferentes momentos da vida da família. Esse “excesso” não é caótico, mas orgânico.

Andressa Mâtos Psicoarquitetura - Lavabo Terra e Sal. Projeto da CASACOR Bahia 2025.

Andressa Mâtos Psicoarquitetura - Lavabo Terra e Sal. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Camila Santos/Divulgação)

É comum encontrar prateleiras abarrotadas de livros, mantas de tricô ou crochê, imagens religiosas, móveis de madeira maciça e utensílios artesanais.

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(Cafofo do Dani/Pinterest/Divulgação)

Há também espaço para a experimentação — pintar uma porta de vermelho, pendurar um quadro de moldura barroca ao lado de uma gravura moderna — tudo se soma para criar um ambiente singular e expressivo.

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(@lifebylufe/Instagram/Divulgação)

As plantas são presença obrigatória: samambaias, jiboias e antúrios preenchem cantos, trazendo frescor e tropicalidade. A estética abraça o imperfeito — vasos de barro com pequenas lascas, móveis de madeira com marcas do tempo, colchas de retalho que parecem juntar memórias de muitas casas.

Projeto de Beto Figueiredo, da Ouriço Arquitetura e Design.

Projeto de Beto Figueiredo, da Ouriço Arquitetura e Design. (André Nazareth/Editora Globo/Divulgação)

O resultado é um ambiente que inspira alegria e pertencimento, onde cada objeto contribui para um todo que é maior que a soma das partes. É um convite a celebrar o que é nosso: nossas raízes, nossa cultura e a beleza que existe no cotidiano.

Afetividade e história


Estúdio Adriana Barra.

Estúdio Adriana Barra. (Divulgação/Divulgação)

Mais do que estética, esse estilo é carregado de memória. O maximalismo latino transforma a casa em um álbum de recordações, um museu íntimo onde o passado encontra o presente.

Amanda Miranda - Cozinha do Chef - Raízes. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2023.

Amanda Miranda - Cozinha do Chef - Raízes. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2023. (André Nazareth/Divulgação)

A toalha de mesa bordada pela mãe, a fotografia de família na parede — tudo carrega valor sentimental. Essa afetividade traz um conforto imediato, como se a casa nos abraçasse. É o que faz tantas pessoas associarem esse estilo à “casa de vó”: há sempre um cheiro de bolo no forno, uma planta na janela e um canto que parece nos esperar para uma boa conversa.

Decoração de apartamento feita pelo fotógrafo Lufe Gomes.

Decoração de apartamento feita pelo fotógrafo Lufe Gomes. (@lifebylufe/Instagram/Divulgação)

Essa característica é tão marcante que até as novelas brasileiras retrataram esse tipo de lar, tornando-o parte do imaginário coletivo. Ao valorizar o que é feito à mão, o maximalismo latino resgata técnicas tradicionais como o bordado, o crochê, cerâmica e a marcenaria artesanal, mantendo vivas tradições que poderiam se perder no mundo contemporâneo.

Identidade cultural


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Projeto Nathália Moraes. (André Nazareth/Divulgação)

Um ponto essencial para entender o maximalismo latino é reconhecer o que os países da região têm em comum. A América Latina foi moldada por uma intensa miscigenação, resultado do encontro entre diferentes culturas.

Rose Araujo e Eloisa Mondi - Cozinha do Chef. Projeto da CASACOR RIbeirão Preto 2025.

Rose Araujo e Eloisa Mondi - Cozinha do Chef. Projeto da CASACOR RIbeirão Preto 2025. (Felipe Cuine/Divulgação)

Essa mistura se traduziu não apenas nas pessoas, mas também nas casas: a arquitetura colonial se mesclou com técnicas construtivas locais, e os objetos do dia a dia ganharam cores, formas e usos que revelam a busca por identidade própria.

Júnior Ordoñez - Gazebo Mangará. Projeto da CASACOR Sergipe 2024.

.Júnior Ordoñez - Gazebo Mangará. Projeto da CASACOR Sergipe 2024. (Gabriela Daltro/Divulgação)

A maximalista latina é um reflexo da história — um gesto de afirmação cultural que abraça o sincretismo e transforma cada lar em um manifesto visual. Ao exibir peças de barro, artesanato indígena, móveis herdados e lembranças de família, essas casas contam uma narrativa coletiva, em que o passado colonial é ressignificado e a cultura local é celebrada.

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(Pinterest/Divulgação)

Esse texto foi feito com o apoio de CASACOR Publisher, um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.