O uso criativo das
cores e a diversidade de
materiais são características importantes nos ambientes das mostras da
CASACOR 2025. A mistura de elementos como
pedras,
madeira, tecidos e chapas metálicas, além de superfícies espelhadas se destacam e ajudam a impulsionar a narrativa dos sonhos, buscando brincar com a percepção para transportar os visitantes a outros mundos. Dessa forma, chamam a atenção os
espaços imersivos – uma tendência crescente no design de interiores, de acordo com as pesquisas da WGSN. Seja para estimular a imaginação ou oferecer um respiro ao cotidiano conturbado, a necessidade de escapismo inspirou os arquitetos e designers participantes. Confira, abaixo, uma seleção de ambientes imersivos!
Casa templo
João Panaggio - Claro na Casa Paulistana. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Projetada a partir de um triângulo irregular, a planta da casa assinada pelo arquiteto
João Panaggio organiza e integra os ambientes de forma fluida. Em uma clima restaurador, a
luz natural conduz o espaço ao longo do dia, filtrada por claraboias e aberturas estrategicamente posicionadas. “Essa estrutura, com um grande vão livre de 20 metros, faz referência às utopias do
modernismo brasileiro e permite múltiplas possibilidades de uso – uma ideia que se relaciona diretamente à essência mutável do ser humano, refletida na arquitetura”, completa Panaggio. O projeto também reverbera o movimento do modernismo tropical, tanto na escolha de materiais, como pedras naturais e painéis de madeira de demolição, quanto na presença de espécies nativas no paisagismo, assinado por Pedro Rabelais.
Jardim contemplativo
Kawai Paisagismo - Jardim Simbiose. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Camila Santos/CASACOR)
O escritório liderado por
Vitor Kodama criou um projeto que reflete a biodiversidade e a beleza espontânea da natureza. Por isso, foi escolhido para abrigar esculturas da série Agglomerations, da artista curitibana Bruna Mayer. Volumetrias variadas, contrastes de folhagens e combinações cromáticas sugerem uma imersão num
jardim tropical, ao passo que o caminho moldado com ripas de madeira denota a interação entre o ambiente construído e o natural.
Ares de santuário
Gabriel Rosa - Adega Legado. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Vitor Guilherme/CASACOR)
No imaginário coletivo, o vinho é geralmente vinculado à herança europeia. Não nesta
adega, onde o arquiteto
Gabriel Rosa desafia essa concepção preestabelecida e enfoca o consumo da bebida no continente africano. “Esse resgate transforma o ato de celebrar em um gesto de resistência e pertencimento”, explica. O projeto de 33 m² evoca um santuário graças a recursos como o vitral de cores vibrantes e os arcos na arquitetura.
Pausa para o café
Daniela Andrade - Café com Tempo. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Camila Santos/CASACOR)
A mesa Célula, desenvolvida pela arquiteta
Daniela Andrade especialmente para a CASACOR São Paulo, gera inúmeros arranjos graças a seu formato. A
iluminação intimista e as cerâmicas artesanais são dignas de nota, bem como o teto: uma
superfície metálica ondulada criada pelo artista Ivan Coelho para se parecer com uma pele líquida flutuante. “E se o inconsciente, as emoções, o fluxo da memória, frequentemente associados à água, pairassem sobre nós, como um céu interior?”, questiona a autora.
Trilha natural
Traço 8 Arquitetura - Trilha Onírica. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Israel Gollino/CASACOR)
O papel de parede pintado à mão por Dominique Jardy compõe o pano de fundo artístico neste
banheiro, fartamente iluminado pelas aberturas em arco do edifício, criado pelo escritório
Traço 8 Arquitetura. Ao ocupar grande parte do ambiente,
plantas purificam o ar e regulam a umidade, como se a vida brotasse da construção. Na parede, pousa a Abelha, de Rapha Preto. A
escultura dourada em escala aumentada nos instiga, assim como uma trilha na natureza, que muitas vezes conduz ao inesperado.
Atmosfera oriental
Bruno Carvalho - Casa Toushi Duratex. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Trazer à tona um novo entendimento sobre a história dos povos da China por meio de símbolos da cultura e do morar é o intuito deste projeto assinado pelo arquiteto
Bruno Carvalho. Para isso, ele considerou elementos como equilíbrio, espiritualidade, memória e delicadeza num layout setorizado em living, casa de chá, quarto e banho. O maior chamariz fica no teto: uma estrutura de MDF homenageia as
volumetrias acentuadas da arquitetura asiática.
Refúgio restaurador
Casa Nord Arquitetos - Suíte Alma. Projeto da CASACOR Santa Catarina | Itapema 2025. (Lio Simas/CASACOR)
Criada pelo escritório
Casa Nord Arquitetos, esta suíte é um espaço dedicado à essência interior. Cada elemento é pensado para nutrir a mente e o espírito. Desse modo, o desenho minimalista,
curvas suaves e materiais naturais criam uma atmosfera de leveza e tranquilidade para recarregar as energias e criar um ciclo constante de renovação.
Referências culturais
Andressa Mâtos Psicoarquitetura - Lavabo Terra e Sal. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Camila Santos/CASACOR)
Este lavabo assinado pela arquiteta Andressa Mâtos traduz em arquitetura a história da profissional, que tem raízes no Vale do São Francisco e uma conexão especial com Salvador. O projeto une permanência e movimento, calor e frescor, criando um espaço sensorial e poético. Paredes e piso de cimento queimado terracota remetem ao solo árido do sertão, enquanto teto e paredes azuladas evocam o mar e a arquitetura popular baiana. A bancada de forma simples e rústicas se une a elementos marcantes como carrancas, cobogó em formato de mandacaru, esculturas de barro e cordas náuticas, conectando assim dois biomas. Imersão nas artes
Neto Cunha Arquitetura - Café Lounge Florar. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
Criado por Neto Cunha, com curadoria de arte de Igor Vidor, este espaço combina café e galeria de arte. O arquiteto preservou elementos originais, como esquadrias e pisos, e incluiu elementos contemporâneos com suavidade. A iluminação cênica e os tons de azul compõem uma atmosfera acolhedora. Em destaque, uma flor gigante, criada por Vidor, simboliza resistência e florescimento. Arte digital e sustentabilidade
Wesley Lemos - Saleta d’Arte. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Denilson Machado/CASACOR)
O projeto elaborado pelo arquiteto Wesley Lemos apresenta uma concepção inovadora, que une arte digital e sustentabilidade, destacando a beleza das plantas brasileiras e a importância da ancestralidade. Com uma área de 38,31 m², o espaço é dividido em dois ambientes: um lounge interativo e uma área de estar contemplativa. A parceria do Estudo W+ e a Epson permite uma experiência digital imersiva, que traduz a preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade de forma artística e inovadora.