Ao percorrer os ambientes da
temporada de 2025 da CASACOR até agora, é possível constatar que o
estilo minimalista se tornou mais acolhedor e aparece com uma atmosfera restauradora e afetiva. Já o maximalismo ganhou ainda mais força com objetos e materiais repletos de significado e narrativas. Impulsionados por estas duas tendências, assim como na moda, elementos decorativos clássicos estão surgindo repaginados — impulsionados, principalmente, pelo retorno de tecidos e padronagens como listas, poás e florais, além de cores sólidas. É possível notar na maioria dos ambientes o uso de combinações de estampas, estéticas românticas e decorações exuberantes. Entre os destaques, estão os espelhos com formatos inusitados, luminárias inovadoras e objetos com as temáticas litorânea e náutica. Confira a seguir! Art nouveau
Fichberg Arquitetura e Interiores - Déjà Vu. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
Os arquitetos
Eloy e Felipe Fichberg resgataram memórias do estilo
art nouveau e a exuberância da fauna, flora e cultura brasileiras. Chamam a atenção os
vitrais que retratam povos indígenas e a Mata Atlântica e o
piso de mosaico, produzido com porcelanato reutilizado, exibindo figuras de frutas tropicais, como cacau, açaí, abacaxi, jabuticaba e caju.
Maximalista
Tufi Mousse Arquitetura - Casa Rumo. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Denilson Machado/CASACOR)
O arquiteto
Tufi Mousse celebrou a união entre o modernismo brasileiro e a inovação. No mobiliário, brilham ícones do
design modernista. Em contraponto, o laminado em preto e branco de Ettore Sottsass recobre paredes, mobiliário e a marcenaria da cozinha com a estética
maximalista dos anos 1980.
Vime contemporâneo
Armentano Arquitetura - Entre Copas Deca. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)
Assinado por
João Armentano, o projeto de 253 m² integra hospitalidade sofisticada com o conforto do lar, reinterpretando em diferentes patamares os diversos usos da cozinha – especialmente aqueles ligados à sociabilidade. No mobiliário, destaca-se o
banco Dois Irmãos, criado por
Fernando e Humberto Campana, com estrutura de arame coberto de
vime tramado, que une duas cadeiras de madeira. Trata-se de uma peça feita com técnicas manuais genuinamente brasileiras, que evoca a união, parceria e cumplicidade.
Uso inusitado
Léo Shehtman Arquitetura e Design - Tempo Presente. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Chrys Hadrian/CASACOR)
“Cada escolha exala experiências sensoriais: luz, cor, textura e forma trabalham a fim de acolher os sonhos de hoje e inspirar os de amanhã”, defende
Léo Shehtman, que assina este espaço. Com seu traço atemporal, o arquiteto resgatou a
estampa floral em uma paleta neutra para o estofado, que remete aos anos 1970, e ousou em uma composição com clássicas
bandejas de metal usadas de um modo inusitado na parede.
Perfume provençal
Fernanda Zulzke Interiores - Jardim de Inverno. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Israel Gollino/CASACOR)
O estilo clássico norteia o visual do ambiente criado por
Fernanda Zulzke, a começar pela pintura artística de
chinoiseries, móveis de madeira talhados à mão e vasos e luminárias de cerâmica moldados para o projeto. “Tudo enaltece a história da arquitetura local, com remissões às casas do
interior da França e à vida pulsante do Parque da Água Branca”, explica a designer de interiores.
Charme retrô
Bianca Rieg Arquitetura - Estar de Encantos DECA. Projeto da CASACOR Santa Catarina | Itapema 2025. (Fabio Jr. Severo/CASACOR)
A arquiteta Bianca Rieg combinou referências do maximalismo com estética retrô afetiva e um toque onírico, quase cenográfico. Destaca-se a composição inusitada de materiais, como o papel de parede aplicado no teto e revestimentos cerâmicos coloridos. Uma paleta ousada e contrastante, aliada à forte presença do design emocional e de um refúgio sensorial, guia a proposta do espaço. As referências visuais emergem de arquivos pessoais, revistas vintage, filmes e fotografias que remetem a um tempo mais sensível e desacelerado, conectados por uma curadaria intuitiva e afetiva.
Diálogo entre décadas
DB Arquitetos - Restaurante Massa by Vini Figueira. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Denilson Machado/CASACOR)
O restaurante assinado pelo arquiteto
David Bastos propõe uma síntese entre o clássico e o contemporâneo maximalista. O projeto valoriza os elementos originais da construção, a exemplo do piso de
ladrilho hidráulico, e propõe um diálogo visual com novas texturas, materiais e soluções arquitetônicas contemporâneas. “A paleta cromática em tons quentes intensifica essa atmosfera, criando um ambiente ao mesmo tempo envolvente e visualmente impactante”, avalia David.
Luz difusa
Karolinna Venturi - Banheiro Intimidade da Forma. Projeto da CASACOR Paraná 2025. (Eduardo Macarios/CASACOR)
Círculos remetem aos
cobogós e estão por todo o lado no ambiente projetado por
Karolinna Venturi. A luz difusa que entra pelas aberturas garante uma atmosfera de oásis neste espaço. Entre o mármore e a luz, este espaço transcende o cotidiano, erguendo-se como um altar inspirado no Renascimento.
Clima de montanha
Nando Nunes - Casa Novembro Essence. Projeto da CASACOR Goiás 2025. (Edgard Cesar/CASACOR)
Madeira bruta, pedras naturais e
tons terrosos compõem uma atmosfera acolhedora e atemporal, inspirada nas casas de montanha, como queria
Nando Nunes. A cozinha com estética de outros tempos, evoca o clima do interior, com
ladrilhos estampados na parede, além de um piso com visual rústico.
Cortina inusitada
Sammea Vilarinho - É tempo de Semear. Projeto da CASACOR Goiás 2025. (Edgard César/CASACOR)
Cores vivas, texturas aconchegantes e luz natural compõem o ambiente criado por
Sammea Vilarinho. Destaque para a
cortina de tecido que cobre a parte inferior da bancada, lembrando as cozinhas de antigamente. O recurso aparece em uma aplicação revisitada, combinando com a proposta criativa do espaço.