Quando as filhas saíram de casa, a arquiteta
Ana Moura – do escritório
Ana Moura Ana Higino e elenco da
CASACOR Pernambuco – resolveu se mudar com o marido para um apartamento menor em Recife (PE). “Visitamos pelo menos 15 apartamentos até que, em outubro de 2020, encontramos este imóvel dos anos 1980, que estava fechado há 20 anos e tem vista lateral para o mar”, conta a arquiteta.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
O apê de
216 m² possui espaço suficiente para receber confortavelmente as filhas, parentes e amigos, especialmente nos meses de férias, quando a casa costuma ficar cheia. Mas precisou de uma boa reforma para ficar com a cara da família.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Originalmente, a
sala era bem escura e tinha piso acarpetado. Outro incômodo era a ausência de
lavabo e closet na suíte máster. Por outro lado, a arquiteta descobriu que havia sido aprovada na prefeitura a abertura de uma janela na sala para aumentar a entrada de luz natural, mas nunca chegou a ser executada, ideia que ela própria colocou em prática.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Com a reforma, a
varanda (onde hoje fica a sala de jantar) e a cozinha foram integradas à área social, a despensa foi transformada em lavabo, uma parte da área de serviço virou o closet da suíte do casal e ainda foram criadas duas suítes canadenses para receber as filhas. Além disso, as redes elétrica e hidráulica foram refeitas e todas as esquadrias foram trocadas, assim como os revestimentos de piso e parede e os forros de gesso.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Como a família morou por anos no Rio de Janeiro,
o estilo de decoração carioca permeia o apê, com uma base neutra e marcenarias claras, toques de cor nas obras de arte e em algumas peças de mobiliário. “Foi no Rio, inclusive, que iniciamos o nosso acervo, garimpando e pesquisando novos artistas e trazendo objetos de viagens, que traduzem a família que somos. Cada peça tem uma história ou uma lembrança afetiva. Nossa casa tem um pouco de cada lugar por onde passamos. Tenho três vasos azuis em cristal de Murano, por exemplo, que compramos separadamente em três viagens que fizemos à Veneza”, diz Ana Moura.
Na decoração, a mesa de jantar, as cadeiras e o carrinho da sala de jantar são novos e assinados pelo do designer
Jader Almeida. Já o sofá da italiana
Minotti, a poltrona Jangada (de
Jean Jillon), a poltrona Mole e as cadeiras Oscar (de
Sergio Rodrigues) e a poltrona Up (de
Gaetano Pesce, também conhecida como Mama ou Donna) vieram do apartamento antigo.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
“Na sala, um dos desafios foi posicionar a poltrona Up vermelha em um local de destaque, sem atrapalhar a circulação, pois a peça é bem volumosa”, lembra a arquiteta. “Em nossa estante, temos livros dos nossos avós, da nossa infância e da infância das meninas até a vida adulta”, diz ela. “Geralmente, cada obra de arte que adquirimos representa uma conquista, uma celebração. Não importa se é uma tela ou uma escultura em barro comprada de um artista pernambucano. Aqui, tudo ou quase tudo tem significado”, acrescenta.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Para a paleta de cores, como a casa está sempre mudando em função do colecionismo dos moradores, Ana Moura adotou uma base clara e neutra para realçar e valorizar as obras de arte – com destaque para as criações dos artistas
Cruz Diez, Miró, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão – e assim evitar que os espaços se tornassem visualmente poluídos ou pesados. Por isso, a opção foi pelo piso de placas cimentícias quase brancas, paredes brancas e marcenarias de laca fosca branca na sala, deixando em tom vibrante apenas a porta de entrada, que ganhou acabamento em laca vermelha.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Já a madeira natural aparece em alguns móveis antigos e modernos (brasileiros), esculturas, paredes do lavabo e piso dos quartos. “Também apliquei técnicas do
Feng Shui no projeto para estimular as boas energias. Não é à toa que as pessoas comentam que adoram estar em nossa casa e se sentem acolhidas”, informa Ana.