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Decoração, Ambientes

CASACOR Goiás 2026 aponta para uma decoração mais pessoal, feita em camadas e cheia de significados

Projetos apostam em contrastes de texturas, cores e referências afetivas para criar espaços que refletem a identidade de quem vive neles

Por Giovanna Jarandilha

Publicado em 16 de jun. de 2026, 12:00

08 min de leitura
Mariana Carvalho - Camadas da Intuição. Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Mariana Carvalho - Camadas da Intuição. Projeto da CASACOR Goiás 2026. (Edgard César/CASACOR)

Os interiores estão ficando mais complexos — no melhor sentido da palavra. Tecidos, obras de arte, peças artesanais, objetos herdados e combinações cromáticas menos óbvias voltam a dividir espaço em projetos que trocam a uniformidade pela construção de identidade. Em vez de buscar a perfeição de uma composição controlada, muitos arquitetos têm apostado em ambientes que revelam camadas de histórias, referências e experiências pessoais.

Mariana Carvalho - Camadas da Intuição. Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Mariana Carvalho - Camadas da Intuição. Projeto da CASACOR Goiás 2026. (Edgard César/CASACOR)

A mudança reflete uma transformação que vai além da estética. "As pessoas estão começando a questionar se suas casas realmente representam quem elas são. Durante muito tempo, a ideia de elegância ficou associada à neutralidade. Hoje existe uma busca crescente por ambientes que contenham histórias e despertem emoções", afirma a arquiteta Mariana Carvalho, responsável pelo ambiente Camadas da Intuição, na CASACOR Goiás 2026.

Espaços construídos em camadas


Luísa Macedo - Estar Aqui e Agora. Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Luísa Macedo - Estar Aqui e Agora. Projeto da CASACOR Goiás 2026. (Edgard César/CASACOR)

Em muitos projetos, a personalidade surge justamente do encontro entre elementos de origens distintas. Obras de arte dividem espaço com peças artesanais, lembranças de viagem convivem com mobiliário garimpado e diferentes materiais se sobrepõem para criar ambientes que parecem ter sido construídos ao longo do tempo, e não montados de uma só vez.

Ana Maria Miller, Elisa Torres e Tainá Torres - PERMANE(SER). Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Ana Maria Miller, Elisa Torres e Tainá Torres - PERMANE(SER). Projeto da CASACOR Goiás 2026. (Edgard César/CASACOR)

Nesse contexto, a decoração deixa de ser entendida como um conjunto de peças coordenadas e passa a funcionar como uma narrativa construída em camadas. Cada elemento contribui para contar uma história, sem que isso signifique excesso ou falta de planejamento.


"Existe um equívoco em associar esse tipo de composição à bagunça. O que vemos hoje é exatamente o contrário. São ambientes altamente planejados, onde cada elemento tem uma intenção. O excesso não está na quantidade, mas na presença de identidade", explica Mariana.

Giordano Rogoski e Bibiana Rogoski - Rogoski Arquitetura - O (Re)Encontro do Imaginário. Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Giordano Rogoski e Bibiana Rogoski - Rogoski Arquitetura - O (Re)Encontro do Imaginário. Projeto da CASACOR Goiás 2026. (Edgard César/CASACOR)

A valorização do autoral acompanha um comportamento observado em diferentes áreas do consumo. Em um cenário marcado pela produção em série, cresce o interesse por aquilo que carrega memória, singularidade e conexão emocional. Essa tendência também se reflete na arquitetura, com o retorno de materiais táteis, contrastes marcantes e combinações que fogem das escolhas mais convencionais.

Quando os ambientes expressam histórias


Juliana Bessa - Instantes Sagrados. Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Juliana Bessa - Instantes Sagrados. Projeto da CASACOR Goiás 2026. (Edgard César/CASACOR)

Na CASACOR Goiás 2026, essa busca por significado aparece de diferentes formas. Em alguns projetos, ela surge na combinação de materiais e acabamentos; em outros, na presença de símbolos, referências culturais ou elementos ligados à trajetória de quem ocupa o espaço.

Gustavo Barone - Enter Eu e Você. Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Gustavo Barone - Enter Eu e Você. O ambiente é um quarto de casal de 36 m² que investiga a convivência como experiência sensível. O espaço traduz a dualidade entre individualidade e encontro por meio de uma arquitetura que equilibra matéria e emoção. Tijolo de barro e pedra orgânica evocam a origem do habitar, enquanto o mármore travertino vermelho introduz sofisticação e permanência. O mobiliário conduz a narrativa e os tecidos acrescentam expressão. Em uma atmosfera intimista, o ambiente revela que habitar a dois é, sobretudo, sentir e conectar. (Edgard César/CASACOR)

Mariana explora essa dimensão em seu ambiente na mostra, inspirado pelo universo do tarot. A referência não aparece de forma literal, mas serve como ponto de partida para a criação de atmosferas, sensações e narrativas que convidam o visitante a uma experiência mais sensorial.


O resultado são espaços que se afastam de soluções padronizadas e reforçam a relação entre arquitetura e identidade. "O maior luxo hoje não é seguir uma tendência. É ter coragem de construir um espaço que seja verdadeiramente seu", resume Mariana.