Explore os elementos clássicos da casa brasileira e descubra como eles transformam diferentes ambientes com memória, afeto e identidade cultural
Publicado em 12 de set. de 2025, 10:00

Rose Araujo e Eloisa Mondi - Cozinha do Chef. (Felipe Cuine)
A casa brasileira é repleta de símbolos que atravessam gerações e contam histórias de famílias, hábitos e costumes regionais. Muitos desses objetos, além de funcionais, carregam forte valor afetivo e cultural, sendo transmitidos de pais para filhos ou mantidos como parte da memória coletiva.
Dos utensílios de cozinha às peças decorativas, os elementos clássicos da casa brasileira ajudam a criar ambientes acolhedores e cheios de identidade. A seguir, conheça alguns desses itens que continuam presentes no cotidiano, mesmo diante das transformações do design e da arquitetura contemporânea.
Instalação "Ocupação Terreiro" de Alexandre Salles na CASACOR São Paulo 2024. (Bia Nauiack/CASACOR)
O conceito de design afetivo parte da ideia de que os objetos carregam memórias e despertam emoções, ultrapassando sua função prática. Nas casas brasileiras, essa noção é evidente em itens que nos remetem a infância, aos almoços de família e aos hábitos cotidianos que moldam nossa identidade.
Amanda Miranda - Cozinha do Chef - Raízes. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2023. (André Nazareth/CASACOR)
Essa dimensão emocional explica por que tantos elementos tradicionais permanecem vivos, mesmo em meio a tendências de decoração contemporâneas. Incorporar essas peças ao lar é valorizar não apenas o estilo, mas também a história e o vínculo cultural que cada objeto carrega.
Gabriel Fernandes - Casa Veredas Simonetto. Projeto da CASACOR São Paulo 2024. (MCA Estúdio/CASACOR)
O filtro de barro é um dos itens mais icônicos da cozinha brasileira. Reconhecido pela sua capacidade de manter a água fresca e com sabor puro, ele representa um costume enraizado no interior e também nas cidades. Mais do que um utensílio, tornou-se símbolo de tradição e saúde, já que sua filtragem natural é eficaz e sustentável, reconhecida internacionalmente.
(Tua casa/Divulgação)
Presente em milhares de mesas pelo Brasil, os itens da Duralex ganharam status de clássico pela durabilidade, resistência e pela memória afetiva ligada às refeições em família. Produzido em vidro temperado, é praticamente indestrutível, tornando-se companheiro inseparável de almoços e jantares. Sua estética simples e funcional combina com diferentes estilos de cozinha, do rústico ao contemporâneo.
(Pinterest/Divulgação)
As cortinas de porta feitas de miçangas, contas plásticas ou tiras de tecido colorido se popularizaram como divisórias leves e cheias de charme. Elas marcam ambientes como cozinhas e áreas externas, trazendo movimento e sonoridade ao espaço. Ao mesmo tempo, são peças acessíveis e criativas, que traduzem a informalidade acolhedora da casa brasileira.
Kesley Santiago - Quarto Njinga. Projeto da CASACOR São Paulo 2024. (Bia Nauiack/CASACOR)
Símbolo de descanso e acolhimento, a cadeira de balanço está presente em varandas e salas de estar desde o período colonial. Seja em madeira torneada ou em versões mais modernas, o móvel remete à vida desacelerada, ao aconchego e às conversas de fim de tarde. É um clássico que atravessa gerações sem perder sua relevância.
Projeto de Brise Arquitetura. (Juliano Colodeti, do MCA Estudio/CASACOR)
Os cestos de fibras naturais, como palha ou vime, sempre tiveram lugar de destaque nas casas brasileiras, sobretudo em regiões rurais e litorâneas. Multifuncionais, elas servem para guardar frutas, pães, roupas ou utensílios, unindo praticidade e beleza em um só objeto. Mais do que peças utilitárias, a cestaria artesanal se transformou em elemento decorativo: pode ser pendurada em paredes como composição, usada em prateleiras ou como suporte para plantas. Além de valorizar o trabalho manual de comunidades tradicionais, confere textura, leveza e um toque de naturalidade aos espaços.
Fichberg Arquitetura e Interiores - Déjà Vu. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Bia Nauiack/Divulgação)
Os azulejos coloridos, frequentemente estampados com flores, arabescos ou cenas do cotidiano, são uma marca registrada das casas brasileiras. Usados em cozinhas, banheiros e fachadas, eles remetem à herança portuguesa e conferem identidade visual única aos ambientes. Hoje, continuam sendo resgatados em projetos contemporâneos com forte apelo estético.
Gabriel Fernandes - Casa Veredas Simonetto. Projeto da CASACOR São Paulo 2024. (MCA Estúdio/CASACOR)
Os banquinhos fazem parte da identidade da casa brasileira: simples, funcionais e presentes em cozinhas, varandas e quintais, eles sempre foram usados para o dia a dia ou para receber visitas. Entre eles, o banco pé bandeira se destaca. Feito de madeira maciça (normalmente de demolição), é muito comum em varandas e cozinhas de casas brasileiras. Seu nome vem do formato robusto dos pés, que lembram estacas firmes, garantindo estabilidade e durabilidade. Mais do que um assento, ele servia como ponto de encontro, onde vizinhos e familiares se reuniam para conversar ou descansar no fim da tarde. Hoje, aparece ressignificado em projetos de interiores, inclusive em novos materiais, trazendo rusticidade, memória afetiva e autenticidade para diferentes ambientes.
Casa Santa Magdalena. Projeto e casa do arquiteto argentino Luis Laplace. (Daniel Schäfer/Divulgação)
A cortina de pia, feita de tecidos leves e estampados, é outro clássico da cozinha brasileira. Usada para esconder o espaço sob a bancada, ela substitui portas convencionais de armários, trazendo um ar simples, funcional e cheio de charme. Em estampas florais, quadriculadas ou bordadas, essa peça é sinônimo de aconchego e tradição no dia a dia.
Tapete Bolas Cru da marca Señorita Galante. (Srta. Galante/Boobam/Divulgação)
Feitos artesanalmente, os tapetes de crochê enfeitam cozinhas, banheiros, varandas e quartos. Produzidos em cores vivas ou neutras, eles conferem conforto, aconchego e personalidade ao espaço. Além disso, representam a habilidade manual de muitas artesãs brasileiras, que transformam linhas em verdadeiras obras de arte para o lar.
Projeto é assinado por Anna Luiza Rothier. (MCA Estúdio/CASACOR)
A colcha de retalhos é um exemplo de sustentabilidade e afeto. Produzida a partir de sobras de tecidos, cada peça é única e carrega memórias de roupas antigas, tecidos guardados e histórias de família. Em camas e sofás, traz calor, textura e uma atmosfera nostálgica que resgata a simplicidade da vida no interior.
Maurício Arruda - Casa Coral – Cores do Parque. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Chrys Hadrian/CASACOR)
As esculturas ou enfeites de galo e galinha são figuras muito presentes em cozinhas e áreas externas. Além de representarem a vida no campo e o cotidiano rural, carregam significados de fartura e prosperidade. Em cerâmica, madeira ou metal, esses adornos trazem alegria, cores vibrantes e reforçam a atmosfera acolhedora da casa brasileira.
(Pinterest/Divulgação)
As panelas penduradas em ganchos ou suportes aéreos representam um costume simples e funcional das cozinhas brasileiras. Além de facilitar o uso diário, essa disposição valoriza o brilho do alumínio, do ferro ou do cobre, transformando utensílios comuns em parte da decoração. É uma forma prática de unir estética e funcionalidade, mantendo viva a atmosfera acolhedora das cozinhas familiares.
(Objekti/Divulgação)
O copo americano é um verdadeiro ícone do design popular brasileiro. Criado na década de 1940, tornou-se presença obrigatória em bares, botecos e lares do país. Seu formato facetado, simples e resistente, permite empilhar várias unidades sem ocupar espaço, o que o tornou prático para o uso cotidiano. Mais do que um objeto utilitário, carrega forte carga simbólica: evoca a memória afetiva de reuniões em família, refeições caseiras e conversas descontraídas nas mesas de bar. Hoje, é reconhecido como clássico do design nacional e resgata a identidade brasileira com autenticidade e charme.
(Lewe/Divulgação)
Clássicos da cozinha brasileira, o bule e as xícaras esmaltados evocam a simplicidade das casas do interior e o aconchego das refeições em família. Resistentes e de estética atemporal, eles costumavam ser usados para servir café, chá ou leite, sempre com aquele charme rústico característico do esmalte colorido, geralmente em tons de branco, azul ou vermelho. Mais do que utilitários, tornaram-se símbolos de hospitalidade e afeto, presentes em cafés da manhã demorados e rodas de conversa à mesa.
Instalação "Ocupação Terreiro" de Alexandre Salles na CASACOR São Paulo 2024. (Bia Nauiack/CASACOR)
As peças de barro sempre marcaram presença na casa brasileira, tanto na cozinha quanto na decoração. Panelas, travessas e moringas mantêm a comida aquecida e a água fresca, enquanto vasinhos, potes e esculturas artesanais trazem rusticidade e naturalidade aos ambientes. Produzidas manualmente, essas peças valorizam a tradição popular e continuam sendo incorporadas em cozinhas, varandas e salas como símbolos de simplicidade e identidade cultural.
ARQTAB | Maycon Fogliene - A Casa do Ser. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Amanda Bibiano/CASACOR)
Criados no Brasil nos anos 1920, os cobogós se tornaram um marco da arquitetura nacional. Esses elementos vazados, geralmente em cimento ou cerâmica, foram pensados para permitir a entrada de luz e ventilação natural, tornando os ambientes mais frescos e agradáveis em um país de clima quente. Além da função prática, eles se destacam pela estética: os diferentes desenhos geométricos formam jogos de luz e sombra que enriquecem fachadas, varandas e interiores.
Projeto de Paola Zuin do DID | Studio. (Andres Borella/Divulgação)
Muito presente em quintais, varandas e áreas externas, o piso de caquinhos é feito a partir de sobras de cerâmica ou ladrilhos reaproveitados. Essa técnica simples e acessível se consolidou como uma solução sustentável e cheia de personalidade para as casas brasileiras. Além de resistente e durável, cria composições únicas, já que cada desenho é formado de maneira artesanal. O resultado são superfícies coloridas e irregulares que marcam memórias de infância, brincadeiras ao ar livre e momentos de convivência em família. Hoje, o piso de caquinhos deixou de ser exclusivo das áreas externas e passou a ocupar também os espaços internos das casas, valorizado pela sua estética singular e pelo forte vínculo afetivo que carrega.
Apartamento de 98 m² ganha décor contemporâneo, mas com toques de brutalismo. Projeto Hugo Rapizo. (Rafael Salim/CASACOR)
O piso de taco é um dos revestimentos mais tradicionais das casas brasileiras, marcado pela disposição de pequenas peças de madeira em padrões variados, como espinha de peixe ou escama de peixe. Popularizado a partir da metade do século XX, tornou-se sinônimo de sofisticação e aconchego. Sua durabilidade é uma das principais características: muitos pisos de taco resistem por décadas, passando apenas por restaurações e polimentos para recuperar o brilho original. Além de aquecer os ambientes, ele traz identidade e memória, remetendo a salas de estar e quartos de antigas residências urbanas.
Rose Araujo e Eloisa Mondi - Cozinha do Chef. (Felipe Cuine/CASACOR)
As samambaias são plantas que marcaram presença em muitas casas brasileiras, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, quando se tornaram verdadeiras protagonistas da decoração. Tradicionalmente penduradas em vasos de ferro ou plástico, costumam ocupar varandas, áreas de serviço e salas de estar, trazendo frescor e vitalidade. Além da estética ornamental, carregam forte valor afetivo, remetendo às casas das avós e aos jardins suspensos típicos de apartamentos urbanos. Hoje, as samambaias estão de volta em projetos contemporâneos, sendo utilizadas tanto em ambientes internos quanto externos, valorizadas pela textura delicada e pela sensação de aconchego que proporcionam.
Christiane Boris - Estar - Lugar de Reencontro. Projeto da CASACOR Ceará 2021. (Esdras Guimarães/CASACOR)
A rede é um clássico brasileiro que ultrapassa gerações, associada ao descanso, à contemplação e à vida ao ar livre. Originalmente usada em varandas e quintais, passou a ocupar também áreas internas, como quartos e salas, sendo incorporada em projetos arquitetônicos que buscam conforto e identidade cultural. Mais do que um simples objeto de descanso, a rede carrega simbolismo: remete à hospitalidade, ao ritmo desacelerado e à conexão com tradições nordestinas e indígenas. Hoje, aparece em diferentes versões — de algodão cru a tecidos coloridos com franjas — compondo ambientes que unem rusticidade, afetividade e estilo contemporâneo.
Esse texto foi feito com o apoio de CASACOR Publisher, um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.