Instalada em um endereço simbólico de Salvador, a
CASACOR Bahia 2025 carrega um valor histórico inédito. O antigo
Convento Nossa Senhora das Mercês, fundado pelas Irmãs Ursulinas em 1735, foi aberto ao público pela primeira vez com uma proposta cultural e afetiva que vai além da arquitetura e do design. Sede de um colégio dedicado exclusivamente à educação de meninas até a década de 1980, o espaço permaneceu fechado ao público por quase três séculos. “Essa abertura representa um gesto potente de
conexão entre passado e presente”, afirma Mai Saraiva, diretora de marketing da mostra. Essa ideia reverberou na criação dos 43 ambientes da CASACOR Bahia, assinados por arquitetos e designers de interiores, que enalteceram a
arquitetura original do convento, mesclando inserções cuidadosas de elementos contemporâneos. Confira algumas dessas ideias na seleção logo abaixo!
Entrada triunfal
NN Arquitetos - AVE - Bilheteria. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Denilson Machado/CASACOR)
Logo na entrada da CASACOR Bahia, os visitantes se deparam com um bom exemplo de como o antigo e novo se encontram na mostra. A bilheteria, projetada pelo
NN Arquitetos,
propõe uma experiência sensorial com referências do estilo medieval e do estilo minimalista. Materiais naturais, luz difusa e paleta de cores serenas reforçam o caráter sagrado do espaço e evidenciam a estrutura do convento, que foi deixada à vista. Convivência harmônica
João Gabriel - Ateliê de Tebas. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
Assinado pelo arquiteto João Gabriel, este espaço ganhou uma ambientação que valoriza o tempo como o maior dos mestres. Ladrilhos hidráulicos, madeira e paredes de adobe foram preservados pelo profissional, que valorizou ainda mais estes elementos. Em vez de esconder as marcas, ele as usou como parte da narrativa. Além disso, a curadoria mistura peças de antiquário com objetos e móveis contemporâneos. Piso restaurado
Avelo Arquitetura - Living Vitória-Régia. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
No living criado pela
Avelo Arquitetura na CASACOR Bahia, os
pisos originais foram cuidadosamente preservados e restaurados, valorizando a história e a memória do espaço. O processo incluiu a limpeza para remoção de resíduos acumulados ao longo do empo, o nivelamento das peças danificadas e a aplicação de tratamento especial para realçar as cores e texturas naturais do material. Com isso, as arquitetas reforçaram o compromisso com a
sustentabilidade e a preservação do patrimônio. "Ao chegar aos antigos quartos que abrigavam freiras em clausura, nosso olhar foi imediatamente atraído por elementos originais que carregavam lembranças valiosas. Decidimos preservá-los para que a história do prédio servisse como base para contar a nossa”, contam as arquitetas Daniela Agulha e Luiza Gaspar.
Integração orgânica
Nath Veloso Arquitetura - Suíte Entrelaços. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Camila Santos/CASACOR)
A arquiteta
Nath Veloso também decidiu preservar e valorizar elementos originais da suíte que ela projetou para a mostra. "
Decidimos manter o piso, valorizando a história e a memória afetiva do ambiente", afirma. Feito de madeira, o piso exibe tonalidade quente e natural, o que contribuiu para a atmosfera de acolhimento que a profissional desejava criar. "Durante a obra, fizemos um trabalho cuidadoso de lixamento e revitalização, preservando ao máximo as características originais do material. Também aplicamos um acabamento protetivo para garantir durabilidade e realçar a textura natural da madeira", completa. Ao redor, a paleta de cores e materiais foram escolhidos para dialogar visualmente com o piso de madeira, a exemplo dos tons terrosos, fibras naturais, cordas e plantas. História à mostra
Hugo Ribeiro - Lounge da Renúncia. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Denilson Machado/CASACOR)
O espaço assinado pelo arquiteto e produtor visual
Hugo Ribeiro ocupa um antigo corredor, onde foram preservados elementos originais como o piso centenário e a
escadaria histórica. A inspiração vem das marcas de clausura ainda visíveis no local, traduzidas em uma curadoria de peças sacras, objetos de antiquário e obras contemporâneas. "Durante a obra descobrimos que além do piso, tínhamos também a oportunidade de trabalhar com um forro de madeira existente. Madeira é atemporal e fácil de harmonizar com qualquer outro material. Tivemos o cuidado apenas na decisão de cores e
revestimentos", afirma o profissional.
Piso bicolor
Gabriel Magalhães - Casa Madre. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Denilson Machado/CASACOR)
O projeto do arquiteto
Gabriel Magalhães na CASACOR Bahia preservou piso,
teto e paredes originais, agora descascadas, e estabeleceu uma síntese entre passado e futuro. "O piso original foi mantido em dois terços do ambiente, onde existia o taboado de madeira. Na outra parte, onde havia um desnível e cerâmica, o piso foi alterado. Durante a obra, lixamos para retirar as camadas anteriores de verniz em um processo que foi repetido três vezes. Ao final, aplicamos uma nova resina", explica. Além disso, o piso teve papel importante na idealização do ambiente. "Como tem duas cores alternadas de madeira, isso influenciou na marcenaria, que seguiu a mesma concepção bicolor", diz.
Vão em arco
Rodrigo Rodrigues Arquitetura - Estúdio Judite. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
Lembranças desenham o estúdio de 40m² criado por
Rodrigo Rodrigues em homenagem à mãe. O projeto ocupa dois antigos quartos do Colégio Nossa Senhora das Mercês, agora integrados por um
vão em arco, que preserva a arquitetura original. Mármore, madeira, vidro e tijolos aparentes compõem a paleta de materiais de tons claros e naturais.
Contrastes estéticos
Neto Cunha Arquitetura - Café Lounge Florar. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
O arquiteto
Neto Cunha projetou um café que foge de estereótipos. Ele preservou elementos originais, como esquadrias e
pisos de cerâmica, e apostou em uma iluminação cênica e tons de azul para criar uma atmosfera acolhedora. Além disso, essa base estética valoriza a seleção de obras de arte contemporânea, que reúne nomes como Flávia Bonfim, Marcos da Mata e Pedro Mariguella. "A ideia foi criar um ambiente de contrastes: do tom terroso do piso ao azul dos painéis de marcenaria, em uma referência à terra e ao céu, ao concreto e imaginário, criando assim uma narrativa visual que envolve o visitante com delicadeza e intenção", explica o profissional.
Espaço para receber
Erla Ribeiro Visco e Gabriela Giannotti - Living Gourmet. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Camila Santos/CASACOR)
"O ponto de partida do nosso projeto foi o piso. Dele, veio a ideia de trabalhar com o revestimento pau-ferro, que é um tom mais escuro e clássico da marcenaria", afirma Erla Ribeiro Visco, que assina este espaço ao lado de Gabriela Giannotti. O piso de taboado em madeira clara e escura foi restaurado durante a obra e recebeu um novo rejunte e cera de proteção. Inspirado na arte de receber, o ambiente integra funcionalidade e sofisticação e a iluminação suave, os tons delicados e os detalhes em bronze e vidro refletivo criam uma proposta contemporânea e confortável. Clima intimista
Mariana Souza - Adega Âmbar. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Camila Santos/CASACOR)
O
piso e a
escada presentes na
adega criada por
Mariana Souza na CASACOR Bahia foram mantidos e lixados e envernizados pela equipe da profissional. "Pensamos toda a composição para que a escada e o piso harmonizassem entre si, buscando um mesmo tom, mesmo que as madeiras sejam diferentes — tanto nas réguas do piso quanto nas peças do fechamento lateral da escada. Nosso esforço foi garantir unidade no acabamento e na cor, valorizando o que já existia", explica.
Diálogo visual
Cardoso Fattori Arquitetura - Cozinha Semente das Memórias. Projeto da CASACOR Bahia 2025. (Bia Nauiack/CASACOR)
Esta cozinha, criada pelo
Cardoso Fattori Arquitetura, celebra as raízes e os sonhos de família. O projeto une a estética contemporânea à funcionalidade e também contempla a sustentabilidade, por meio do
uso consciente dos materiais. Exemplo disso é o piso
original, que foi restaurado e surpreendeu as profissionais com uma paleta de tons quentes, que até então estava encoberta pela sujeira acumulada ao longo dos anos. O revestimento revelou nuances amareladas e marrons, que dialogam com os veios dourados do mármore escolhido para as bancadas e com o pendente da mesa. Já o tom bordô das portas e janelas estabelece um contraponto acolhedor, complementando a composição cromática do piso.