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Cultura

Autoras mulheres: conheça as leituras obrigatórias para a FUVEST 2027

Veja a lista de leituras obrigatórias da FUVEST 2027, com foco em autoras mulheres e temas relevantes como identidade e política

Por Chrys Hadrian

Publicado em 8 de abr. de 2026, 17:30

08 min de leitura
Autoras mulheres: conheça as leituras obrigatórias para a FUVEST 2027

(Freepik/Divulgação)

A lista de leituras obrigatórias da FUVEST 2027 traz um recorte potente e necessário da literatura em língua portuguesa: o protagonismo de autoras mulheres. Ao reunir obras que atravessam diferentes épocas, estilos e contextos sociais, a seleção convida os estudantes a refletirem sobre questões como identidade, gênero, política, memória e subjetividade.

livros; leitura

(Freepik/Divulgação)

Mais do que cumprir uma exigência do vestibular, ler essas obras é uma oportunidade de mergulhar em narrativas que ajudaram a moldar o pensamento crítico e literário ao longo dos séculos. A seguir, conheça melhor cada um dos títulos selecionados e suas autoras.

1. Opúsculo Humanitário (1853), de Nísia Floresta


Publicado em meados do século XIX, Opúsculo Humanitário é uma obra fundamental para compreender os primeiros debates sobre educação e direitos das mulheres no Brasil. O texto reúne reflexões críticas sobre a formação feminina, denunciando a desigualdade de acesso ao conhecimento e defendendo que mulheres devem ter uma educação intelectual sólida. Com linguagem direta e argumentativa, a obra antecipa discussões que hoje são centrais nos estudos de gênero.

Opúsculo Humanitário (1853), de Nísia Floresta

Opúsculo Humanitário (1853), de Nísia Floresta. (Penguin/Companhia das Letras/Divulgação)

Nísia Floresta foi uma das pioneiras do feminismo no país, atuando como educadora, escritora e tradutora. Influenciada por ideias iluministas, ela lutou pela valorização da mulher na sociedade e fundou escolas voltadas à educação feminina. Sua produção intelectual teve grande impacto em sua época e segue relevante até hoje.

2. Nebulosas (1872), de Narcisa Amália


Nebulosas reúne poemas que transitam entre o lirismo e o engajamento social, refletindo tanto a sensibilidade da autora quanto sua postura crítica diante das injustiças do século XIX. A obra aborda temas como liberdade, amor e abolicionismo, trazendo uma voz feminina forte em um cenário literário dominado por homens. A escrita é marcada por intensidade emocional e imagens poéticas marcantes.

Nebulosas (1872), de Narcisa Amália.

Nebulosas (1872), de Narcisa Amália. (Editora 34/Divulgação)

Narcisa Amália foi jornalista, professora e uma das primeiras mulheres a conquistar destaque na imprensa brasileira. Defensora da abolição da escravidão e dos direitos femininos, utilizou a literatura como ferramenta de transformação social, consolidando-se como uma figura importante do romantismo brasileiro.

3. Memórias de Martha (1899), de Júlia Lopes de Almeida


Em Memórias de Marta, acompanhamos a trajetória de Martha, uma mulher que enfrenta os desafios impostos por uma sociedade patriarcal e moralista. A narrativa revela conflitos familiares, expectativas sociais e limitações impostas às mulheres, oferecendo um retrato crítico da época. Com forte influência realista, a obra constrói personagens complexos e situações que evidenciam desigualdades de gênero.

Memórias de Martha (1899), de Júlia Lopes de Almeida.

Memórias de Martha (1899), de Júlia Lopes de Almeida. (Penguin/Companhia das Letras/Divulgação)

Júlia Lopes de Almeida foi uma das escritoras mais importantes do Brasil no final do século XIX e início do XX. Atuante na cena literária e cultural, participou ativamente de debates sociais e chegou a ser cogitada para integrar a Academia Brasileira de Letras, embora tenha sido excluída por ser mulher — fato que evidencia as barreiras enfrentadas por autoras da época.

4. Caminho de pedras (1937), de Rachel de Queiroz


Caminho de pedras apresenta uma narrativa marcada por tensões políticas e sociais, acompanhando personagens envolvidos em movimentos ideológicos e conflitos internos. A obra reflete o contexto de transformações do Brasil nos anos 1930, explorando temas como militância, desilusão e relações humanas em meio a cenários de instabilidade.

Caminho de pedras (1937), de Rachel de Queiroz.

Caminho de pedras (1937), de Rachel de Queiroz. (José Olympio/Divulgação)

Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Sua produção literária é reconhecida pela abordagem de questões sociais, especialmente no Nordeste brasileiro, e por sua capacidade de construir personagens fortes e realistas.

5. A paixão segundo G. H. (1964), de Clarice Lispector


Considerado um dos romances mais desafiadores da literatura brasileira, A paixão segundo G. H. mergulha na experiência interior de sua protagonista. A narrativa acompanha um processo de ruptura existencial desencadeado por um acontecimento aparentemente banal, levando a personagem a confrontar sua própria identidade e os limites da linguagem.

A paixão segundo G. H. (1964), de Clarice Lispector.

A paixão segundo G. H. (1964), de Clarice Lispector. (Rocco/Divulgação)

Clarice Lispector é uma das autoras mais importantes do século XX. Sua escrita inovadora, marcada pela introspecção e pela experimentação, rompe com padrões tradicionais e influenciou gerações de leitores e escritores.

6. Geografia (1967), de Sophia de Mello Breyner Andresen


Em Geografia, a poesia se constrói a partir da relação entre espaço, memória e identidade. Os poemas exploram paisagens físicas e simbólicas, criando uma conexão entre o mundo exterior e a experiência subjetiva. A obra se destaca pela linguagem clara e pela profundidade filosófica.

O Cristo cigano e Geografia - Sophia de Mello Breyner Andresen.

O Cristo cigano e Geografia - Sophia de Mello Breyner Andresen. (Companhia das Letras/Divulgação)

Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma das maiores poetas de Portugal. Sua obra é marcada pelo compromisso com valores como justiça, liberdade e harmonia, além de forte ligação com a cultura clássica e o mar.

7. Balada de amor ao vento (1990), de Paulina Chiziane


A obra Balada de amor ao vento narra uma história de amor atravessada por conflitos culturais e sociais em Moçambique. Ao abordar tradições, papéis de gênero e relações afetivas, o romance revela tensões entre modernidade e costumes ancestrais, oferecendo uma perspectiva rica e pouco explorada no cânone brasileiro.

Balada de amor ao vento (1990), de Paulina Chiziane.

Balada de amor ao vento (1990), de Paulina Chiziane. (Companhia das Letras/Divulgação)

Paulina Chiziane foi a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique. Sua escrita destaca questões femininas e culturais, trazendo visibilidade para vozes africanas e ampliando o alcance da literatura em língua portuguesa.

8. Canção para ninar menino grande (2018), de Conceição Evaristo


Em Canção para ninar menino grande, a narrativa acompanha um homem e suas relações afetivas, revelando fragilidades, memórias e construções de masculinidade. A obra se destaca pela sensibilidade ao tratar de emoções e pela crítica social presente nas entrelinhas.

Canção para ninar menino grande (2018), de Conceição Evaristo.

Canção para ninar menino grande (2018), de Conceição Evaristo. (Pallas/Divulgação)

Conceição Evaristo é uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Sua escrita, marcada pela “escrevivência”, conecta experiências pessoais e coletivas, especialmente da população negra, ampliando debates sobre identidade e desigualdade.

9. A visão das plantas (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida


A narrativa de A visão das plantas acompanha a história de um homem marcado pelo passado colonial, explorando temas como memória, culpa e deslocamento. Com linguagem delicada e simbólica, o romance constrói uma reflexão profunda sobre identidade e pertencimento.

A visão das plantas (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida.

A visão das plantas (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida. (Todavia/Divulgação)

Djaimilia Pereira de Almeida é uma escritora contemporânea reconhecida por sua abordagem sensível de temas históricos e sociais. Sua obra dialoga com questões pós-coloniais e tem ganhado destaque na literatura de língua portuguesa.