Ranking aponta quais cidades brasileiras se destacam em qualidade de vida em 2026 e revela desigualdades regionais no país.
Publicado em 21 de mai. de 2026, 11:50

Gavião Peixoto conquistou a melhor nota em ranking de qualidade de vida no país. (Fabiana Assis/g1/Divulgação)
Um novo levantamento sobre qualidade de vida no Brasil trouxe um retrato atualizado de como vivem os brasileiros em diferentes regiões do país. O Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026), divulgado pelo instituto Imazon em parceria com outras organizações, analisou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais, avaliando aspectos que vão muito além da economia. Diferentemente de índices que medem apenas a riqueza gerada, como o PIB, o IPS busca entender se essa riqueza se traduz em benefícios reais para a população, considerando fatores como moradia, saúde, segurança, educação, acesso à informação, inclusão social e qualidade ambiental. O resultado mostra que, apesar de uma leve melhora na média nacional, o país ainda convive com fortes desigualdades regionais e desafios importantes quando o assunto é desenvolvimento social.
Com pouco mais de 4 mil habitantes, Gavião Peixoto fica no interior paulista. (Parque Ecológico GPx/Facebook/Divulgação)
Pelo terceiro ano consecutivo, Gavião Peixoto (SP) aparece no topo do ranking como a cidade com a melhor qualidade de vida do Brasil, com 73,10 pontos em uma escala de 0 a 100. O município paulista, que tem cerca de 4,8 mil habitantes, superou cidades como Jundiaí, Osvaldo Cruz, Pompéia e Curitiba.
Entre as 20 melhores colocadas, 18 estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, reforçando um padrão de maior desenvolvimento social nessas áreas.
Além de São Paulo, estados como Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também aparecem entre os destaques, mostrando desempenho consistente em áreas como moradia, educação, segurança e meio ambiente.
Uiramutã, em Roraima, ficou na última posição do ranking em 2026. (Eu_Amo_Uiramutã/Facebook/Divulgação)
Na outra ponta do ranking, Uiramutã (RR) aparece como a cidade com pior qualidade de vida do Brasil em 2026, com 42,44 pontos.
Entre os 20 municípios com as menores notas, 19 estão localizados nas regiões Norte e Nordeste, o que evidencia a persistência de desigualdades históricas no país. Municípios como Jacareacanga (PA), Alto Alegre (RR), Portel (PA) e Amajari (RR) também aparecem nas últimas posições.
O levantamento mostra que problemas ligados ao acesso a serviços básicos, inclusão social, infraestrutura e indicadores ambientais ajudam a explicar o desempenho inferior dessas localidades, especialmente em áreas da Amazônia Legal.
Curitiba. (Divulgação/Divulgação)
Entre as capitais brasileiras, Curitiba (PR) lidera o ranking pelo segundo ano seguido, com 71,29 pontos, sendo a capital mais bem colocada do país.
Logo atrás aparecem Brasília, São Paulo, Campo Grande e Belo Horizonte. Segundo o estudo, o bom desempenho de Curitiba está relacionado a resultados equilibrados em diferentes áreas, com destaque especial para indicadores ligados à qualidade do meio ambiente, como presença de áreas verdes urbanas, menores emissões de CO2 e controle do desmatamento.
Mesmo assim, o relatório aponta que nenhuma cidade está livre de desafios, e a capital paranaense ainda apresenta fragilidades em questões relacionadas à inclusão social e à população em situação de rua.
(Arek Adeoye/Unsplash/Divulgação)
O Índice de Progresso Social (IPS Brasil) avalia a qualidade de vida a partir de 57 indicadores divididos em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.
Isso significa que o levantamento não mede apenas riqueza ou capacidade econômica, mas se a população consegue acessar direitos, serviços e condições dignas de vida.
Entre os componentes com melhor desempenho em 2026 está Moradia, com média nacional de 87,95 pontos. Já o pior resultado ficou em Direitos Individuais, com apenas 39,14 pontos. O índice também apontou avanço no acesso à informação e comunicação, impulsionado pelo crescimento do acesso à internet e a tecnologias, enquanto a área de inclusão social apresentou queda.
Praça dos Três Poderes. (Milena Garcia/Divulgação)
A média nacional do IPS Brasil em 2026 foi de 63,40 pontos, um crescimento discreto em relação aos anos anteriores, mostrando que o avanço foi considerado tímido.
O ranking estadual também evidencia a desigualdade: o Distrito Federal lidera com 70,73 pontos, seguido por São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Já os piores resultados aparecem em estados como Pará, Maranhão e Acre.
A diferença entre o primeiro e o último colocado chega a quase 15 pontos, revelando que a qualidade de vida ainda é bastante desigual entre as regiões brasileiras.
O estudo reforça que desenvolvimento social depende de avanços equilibrados em diversas áreas e que crescimento econômico, sozinho, não garante melhores condições de vida para a população.
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