De São Paulo a Manaus, moradores transformaram ruas e comunidades com projetos coletivos de decoração verde e amarela para celebrar a Copa do Mundo
Publicado em 17 de jun. de 2026, 11:30

Rua decorada para a Copa do Mundo 2026 (iStock/Divulgação)
A cada Copa do Mundo, ruas de diferentes regiões do Brasil ganham novos significados. Mais do que pontos de passagem, elas se transformam em espaços de encontro, celebração e expressão coletiva. Bandeiras, pinturas, mosaicos e instalações criadas pelos próprios moradores ajudam a construir cenários que refletem o entusiasmo em torno da competição.
Em muitas cidades, a tradição da decoração verde e amarela atravessa gerações e mobiliza comunidades inteiras. Entre mutirões, arrecadações e trabalho voluntário, moradores dedicam semanas à preparação das ruas, criando intervenções que unem arte popular, convivência e identidade local. Conheça alguns exemplos que estão chamando atenção durante a Copa do Mundo de 2026!
No Brasil, as regras variam de acordo com cada município, já que as vias públicas são bens administrados pelas prefeituras. Em geral, pinturas temporárias ligadas a eventos culturais e esportivos costumam ser toleradas ou até incentivadas, desde que não comprometam a circulação, a sinalização viária ou a segurança de pedestres e motoristas. Em algumas cidades, porém, é necessário solicitar autorização prévia aos órgãos responsáveis.
Antes de organizar um mutirão, os moradores devem verificar as normas locais e observar alguns cuidados básicos. É importante evitar a pintura sobre faixas de pedestres, placas, guias rebaixadas, sinalizações de trânsito e áreas destinadas à acessibilidade. Também é recomendável utilizar tintas adequadas para áreas externas e garantir que a intervenção não dificulte a visibilidade dos condutores.
No Jardim Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, a Rua Salgueiro do Campo ganhou uma transformação completa por meio de um grande mutirão comunitário. Bandeiras, símbolos ligados ao futebol, representações de jogadores e a frase “Rumo ao Hexa” passaram a ocupar a paisagem da via.
Rua Salgueiro do Campo (AkzoNobel/Divulgação)
As imagens aéreas revelam a dimensão da intervenção, marcada por um mosaico colorido que tomou as calçadas e o asfalto. A iniciativa reuniu moradores, artistas da comunidade, voluntários e pintores profissionais, além de contar com a participação do Bloco do Beco e da marca Coral.
Na região da Parada Inglesa, na zona norte da cidade, a Rua Capitão Siqueira Barbosa tornou-se um dos principais pontos de visitação para entrar no clima de Copa do Mundo. Os próprios moradores passaram a divulgar o local como "uma das ruas mais decoradas da capital" durante o Mundial.
Rua Capitão Siqueira Barbosa (Guia ZN/Divulgação)
Ao longo de aproximadamente 250 metros, a via recebeu pinturas e elementos temáticos que transformaram o espaço em um cenário dedicado ao torneio. Segundo os organizadores, mais de 325 litros de tinta base e corantes foram utilizados para dar vida aos desenhos.
Localizada em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, a Rua Jorge Rudge carrega uma longa relação com as comemorações da Copa do Mundo. Conhecida pelas decorações elaboradas, a via voltou a mobilizar moradores para criar uma nova intervenção coletiva em 2026.
Rua Jorge Rudge (TV Globo/Divulgação)
Um dos destaques está na cobertura aérea da rua, considerada uma marca registrada do local. Neste ano, guarda-chuvas coloridos foram incorporados à composição. A tradição tem histórico de reconhecimento: em 2002, a Jorge Rudge venceu uma competição de melhor decoração de Copa, ano em que o Brasil conquistou o pentacampeonato.
Na Rocinha, a Via Ápia se transformou em um grande corredor artístico graças ao trabalho conjunto de artistas locais e voluntários. A principal via da comunidade recebeu bandeiras, pinturas e referências ao universo do futebol.
Via Ápia (Diário do Rio/Divulgação)
Mais de 80 voluntários participaram da intervenção, que ocupou uma área superior a mil metros quadrados. A ação contou ainda com apoio da Associação de Moradores, responsável por auxiliar na organização dos trabalhos..
Localizada no bairro da Saúde, na região conhecida como Pequena África, a Rua Eduardo Jansen voltou a ganhar destaque durante a Copa do Mundo graças à sua tradicional decoração verde e amarela.
Rua Eduardo Jansen (Jéssica Evelin Araújo/g1/Divulgação)
O principal símbolo do local é a Escadaria Brasil, pintada com as cores e o desenho da bandeira nacional. Diferentemente de muitas intervenções criadas apenas para o período da competição, a escadaria permanece decorada ao longo de todo o ano e se tornou uma referência da região. Durante a Copa, os moradores complementam o cenário com novos elementos temáticos, fortalecendo ainda mais a atmosfera festiva que caracteriza o espaço.
Conhecida como Rua 13, a Rua Souza Uzel preserva uma tradição que atravessa gerações em Salvador. O local voltou a receber pinturas temáticas, desenhos inspirados no futebol e os tradicionais “tapetes aéreos” formados por bandeirolas suspensas sobre a via.
Rua Souza Uzel (Rua 13) (Maurício Reis/g1BA/Divulgação)
O corredor colorido se estende por cerca de 150 metros e representa o resultado de semanas de trabalho coletivo. Para os moradores, a decoração não se limita ao aspecto visual: ela simboliza uma prática comunitária construída ao longo de quase duas décadas de encontros, mobilização e participação dos vizinhos.
No bairro Monte Castelo, em Teresina, a Rua Ari Barroso abriga o chamado Quarteirão da Copa, iniciativa que se consolidou como uma referência local. Segundo os organizadores, o projeto começou em 1998 e segue sendo realizado regularmente desde então.
Rua Ari Barroso (Benonias Cardoso/Cidadeverde.com/Divulgação)
Para viabilizar a edição de 2026, os moradores promoveram rifas, bingos e campanhas de arrecadação. O envolvimento da comunidade é apontado como parte fundamental da proposta, que mantém viva uma tradição construída em torno da convivência entre os vizinhos e da paixão pelo futebol.
Em Manaus, a Rua Professora Isaura Barroncas integra o projeto Ruas da Copa, iniciativa que busca fortalecer a convivência comunitária durante o torneio. Além da decoração temática, a proposta inclui infraestrutura voltada à transmissão das partidas.
Rua Professora Isaura Barroncas (Semcom/Divulgação)
As localidades contempladas recebem apoio da prefeitura com palco, sistema de som, iluminação, telão e banheiros químicos. A iniciativa também busca estimular a economia local, criando oportunidades para comerciantes, empreendedores e trabalhadores dos próprios bairros envolvidos.
No município de Beruri, no interior do Amazonas, a Rua Francisco Miranda ganhou destaque nas redes sociais ao apresentar uma decoração temática construída sobre uma via sem pavimentação. A iniciativa foi desenvolvida pelos próprios moradores do bairro São Pedro.
Rua Francisco Miranda (Divulgação/Divulgação)
Além de um portal decorado instalado na entrada da rua, o espaço recebeu pinturas diretamente no chão de terra com referências ao Brasil e à Copa do Mundo. A ação integra um concurso promovido pela prefeitura para eleger a melhor decoração inspirada no torneio, com votação realizada pelas redes sociais.