Assinado por Júnior Piacesi (do elenco CASACOR Minas Gerais), o projeto derrubou quase todas as paredes para conectar a arquitetura modernista de Niemeyer ao estilo de vida de um casal de médicas
Publicado em 24 de jun. de 2026, 20:45

Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
Carregar a responsabilidade de intervir em uma obra de Oscar Niemeyer exige respeito histórico e sensibilidade contemporânea. Foi exatamente esse o ponto de partida do arquiteto Júnior Piacesi, do escritório Piacesi Arquitetura e parte do elenco CASACOR Minas Gerais, ao assumir a reforma completa deste apartamento linear de 80 m², localizado no icônico Edifício JK, no bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte (MG). Projetado em 1951, o complexo é um dos maiores símbolos da chegada da arquitetura moderna à capital mineira, antes mesmo da fundação de Brasília.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
O imóvel foi adquirido por um casal de médicas anestesistas que reside em Salvador e buscava um refúgio acolhedor, fluido e bem localizado em Minas Gerais. Como as proprietárias já eram clientes de longa data do arquiteto, o processo de criação ganhou sintonia imediata. O desejo principal? Um lar quase sem barreiras, onde a brasilidade dialogasse harmoniosamente com o minimalismo.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
Para conquistar a amplitude desejada pelas moradoras, a planta original passou por uma mudança radical. Um dos dormitórios foi completamente eliminado para abrir espaço para a sala de TV, que agora se integra visualmente à área social. Cozinha e área de serviço também foram abertas, promovendo uma circulação contínua, melhor ventilação cruzada e farta entrada de iluminação natural. Apenas a suíte do casal manteve sua privacidade resguardada.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
"A reforma removeu praticamente todas as divisórias internas, mantendo apenas a estrutura original do edifício", revela o arquiteto.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
A estética do projeto caminha pelo conceito de "brutalismo caloroso". As vigas e pilares de concreto originais do prédio foram descascados e deixados aparentes, celebrando a identidade construtiva do Edifício JK. Esse cinza arquitetônico contrasta com a precisão contemporânea da bancada de refeições de aço inox engastada na ilha de cimento queimado.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
Para aquecer o olhar e trazer a "bossa" baiana solicitada pelas clientes, Piacesi apostou na preservação do piso de taco original de madeira e em uma paleta de tons terrosos, estofados em couro marrom e nuances sutis de verde.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
Soluções inteligentes e marcenaria autoral aparecem em diversos cômodos. Um "efeito caixa" aparece no lavabo, que foi transformado em uma verdadeira instalação cromática, onde paredes, teto e porta receberam a mesma tonalidade verde. O recurso se repete no hall de acesso ao quarto, camuflando a rouparia e o louceiro.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
Desenhada pelo próprio escritório e executada em mármore travertino, a mesa de dentro funcional da sala esconde um cooler embutido para momentos de recepção e lazer. Já na parede de fundo da cozinha, um painel de azulejos com estampa geométrica modernista resgata a memória afetiva dos anos 1950, conferindo ritmo e dinamismo ao setor.
Projeto de Junior Piacesi. (Jomar Bragança/CASACOR)
O mobiliário arremata a narrativa unindo memória e curadoria: as cadeiras da mesa de jantar, os pendentes lineares e o sofá da sala de TV já pertenciam ao acervo afetivo das médicas e foram perfeitamente ambientados ao novo cenário.





















