Descubra o que são pilotis, como surgiram, seu papel na arquitetura moderna e quais são as vantagens de usá-los em projetos arquitetônicos
Publicado em 28 de ago. de 2025, 9:42

Casa Açucena, da Tetro Arquitetura, em Nova Lima (MG). Com estrutura suspensa sobre pilotis e volumetria escultural, a residência valoriza o conceito aberto com ambientes integrados e conexão visual intensa com a paisagem natural ao redor. (Jomar Bragança)
Na história da arquitetura, alguns elementos se tornam símbolos de mudanças profundas na forma de projetar e habitar os espaços. Um desses elementos é o pilotis, termo que remete às colunas ou pilares que elevam a edificação do solo, liberando o térreo para circulação, áreas de convivência ou vegetação. Mais do que uma solução técnica, os pilotis se consolidaram como ícones do movimento moderno, sendo aplicados em diferentes escalas — de grandes edifícios residenciais a casas unifamiliares e espaços institucionais.
Casa de Vidro, projetada por Lina Bo Bardi no bairro do Morumbi, em São Paulo. Suspensa sobre pilotis e cercada por mata nativa, a residência combina leveza estrutural, integração com o entorno e planta fluida — elementos centrais do conceito aberto na arquitetura modernista brasileira. (Nelson Kon/Divulgação)
Neste artigo, vamos entender o que são pilotis, como surgiram, sua relevância dentro da arquitetura moderna, os arquitetos que os popularizaram, exemplos de projetos que se destacam, além de dicas de como utilizar corretamente esse recurso e as principais vantagens que ele pode trazer para um projeto arquitetônico.
O termo pilotis vem do francês e significa “pilares”. Em arquitetura, refere-se às estruturas verticais que sustentam uma construção, liberando o espaço do pavimento térreo. Dessa forma, o volume principal do edifício se apoia sobre esses pilares, criando uma espécie de vazio entre o solo e a construção.
A Casa das Canoas foi projetada por Oscar Niemeyer e está localizada no bairro de São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Com formas orgânicas, estrutura leve e total integração com a paisagem, a residência é um marco do modernismo brasileiro e um dos primeiros exemplos do conceito aberto na arquitetura do país. (Nelson Kon/Divulgação)
Esse recurso permite que o espaço térreo seja usado de forma mais flexível, seja para áreas de convivência, circulação de pessoas, passagem de veículos ou mesmo integração com o paisagismo. Além disso, promove a sensação de leveza arquitetônica, já que a edificação parece “flutuar” sobre o terreno.
Acrópole - Atenas/Grécia. (Aneta Ribarska/CASACOR)
Embora pilares sejam utilizados desde a Antiguidade, os pilotis ganharam novo significado no século XX, quando passaram a representar um conceito ligado à arquitetura moderna. Até então, os pavimentos térreos eram geralmente ocupados por funções de serviço ou fechados por paredes estruturais.
Conjunto Moderno da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer. Belo Horizonte, Minas Gerais. (Nathalia Segato/Unsplash/Divulgação)
Com a evolução das técnicas construtivas em concreto armado, arquitetos modernistas perceberam que poderiam liberar o térreo, criando maior permeabilidade entre espaço construído e ambiente urbano. Esse gesto foi uma das principais inovações defendidas pelo suíço-francês Le Corbusier, que os incluiu nos famosos “Cinco pontos da nova arquitetura”, em 1927.
Dentro da arquitetura moderna, os pilotis não eram apenas solução técnica, mas também manifesto estético e funcional. Ao elevar os edifícios, criava-se uma conexão direta entre o espaço privado e o coletivo, promovendo transparência e integração com a paisagem.
(Marina de Holanda/CASACOR)
Projetos modernistas se destacaram por essa leveza estrutural, substituindo as bases maciças por colunas delgadas. Além disso, essa solução possibilitou plantas livres, janelas maiores e a valorização da iluminação natural, princípios fundamentais da arquitetura moderna.
O nome mais associado aos pilotis é Le Corbusier, que os transformou em um dos pilares teóricos do movimento moderno. Suas obras, como a Villa Savoye (1929), na França, são exemplos marcantes da aplicação desse recurso.
Jardim do Palácio Capanema, projetado por Roberto Burle Marx, junto ao grupo liderado por Le Corbusier. (Divulgação/CASACOR)
No Brasil, Oscar Niemeyer foi o grande responsável por difundir o uso dos pilotis, especialmente em Brasília. Edifícios como o Palácio da Alvorada e o Congresso Nacional exploram esse elemento de forma monumental. Outro nome importante é Lucio Costa, urbanista de Brasília, que compreendia o papel dos pilotis não apenas como técnica construtiva, mas também como gesto social e urbano, liberando áreas para convivência comunitária.
Villa Savoye, projetada por Le Corbusier em Poissy, França, é um ícone da arquitetura modernista e um marco inicial do conceito aberto. Com planta livre, pilotis e janelas em fita, a casa oferece espaços integrados e circulação fluida, antecipando princípios que influenciam projetos residenciais até hoje. (Chrys Hadrian/CASACOR)
Vários projetos se tornaram emblemáticos pelo uso de pilotis. Entre eles:
Villa Savoye (França, 1929 – Le Corbusier): ícone da arquitetura moderna, onde os pilotis elevam o volume principal da casa.
Edifícios residenciais de Brasília (década de 1960): os pilotis garantem circulação livre e áreas sombreadas no térreo, valorizando a vida comunitária.
Palácio da Alvorada (Brasília, 1958 – Oscar Niemeyer): o uso monumental dos pilotis em formato curvo dá identidade única ao edifício.
O uso de pilotis exige cuidados técnicos e conceituais. Do ponto de vista estrutural, é essencial calcular a disposição e a dimensão dos pilares para garantir segurança e estabilidade. Arquitetonicamente, a proporção entre altura, espaçamento e espessura das colunas influencia na estética e na funcionalidade do espaço.
La Cité Radieuse de Le Corbusier em Marselha. (Reprodução/CASACOR)
Além disso, deve-se considerar o clima e o uso social: em regiões quentes, os pilotis criam áreas sombreadas e ventiladas; em contextos urbanos, permitem maior integração com o entorno, mas podem demandar cuidados com segurança e manutenção.
Casa Pilotis por Gabriel Bordin. (Divulgação/CASACOR)
O uso de pilotis traz uma série de benefícios:
Integração urbana: cria áreas abertas e públicas no térreo, favorecendo a convivência.
Leveza arquitetônica: o edifício parece flutuar, tornando-se visualmente mais elegante.
Eficiência climática: permite ventilação cruzada, sombreamento e maior conforto térmico.
Flexibilidade de uso: libera espaço para estacionamento, áreas comuns ou jardins.
Preservação do terreno: em áreas naturais ou inclinadas, os pilotis permitem adaptar a construção sem grandes movimentações de terra.